segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Sol


(1 de Novembro de 2009,
10h00m,
numa praia do Barlavento Algarvio)

quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

Vermelho


De regresso ao meu RG, de encarnado em riste como manda o desafio que me lançaram primeiro o Maldonado, depois o Pinguim: enumerar dez pessoas e/ou situações que merecem cartão vermelho.
Excluo a possibilidade de nomear pessoas porque acredito veementemente que o que está sempre em causa são as ideias e os actos (ou a falta deles).

Ora aqui estão dez que me repugnam até ao tutano:

1. A ignorância, que tolhe a liberdade de qualquer um. Cartão vermelho à acomodação de quem se quer manter ignorante, ignorando o seu estado de ignorância. Cartão vermelho à exploração da ignorância alheia para proveito próprio.

2. O egoísmo que, de mãos dadas com a ignorância, está na origem das maiores atrocidades de que temos memória.

3. O preconceito, que gera a perseguição, a ostracização, a marginalização, a separação e todas as palavras feias terminadas em -ão.

4. A intolerância infundamentada, que invalida a unidade, a igualdade e a fraternidade.

6. A indiferença, que cria ilhas sem oxigenação e lugares putrefácteos.

7. O conformismo, a amnésia, a inércia que têm vindo a tomar conta de grande parte da humanidade lassa e passiva que facilmente deixa de pugnar por ideais que podem mover montanhas.

8. A tourada e todas as tradições que vivem da exploração do sofrimento alheio.

9. A escravidão que a moda pode causar. Depilação púbica aqui incluída.

10. O culto das relações-relâmpago que tem vindo a ridicularizar a expressão do amor e da paixão arrebatadora.


Passo o desafio a dez blogues, com uma mutação à la Denise: porque há que não esquecer o que de bom há por aí, acrescentar 10 pessoas ou situações que merecem luz verde sem margem para dúvidas (os que já fizeram a primeira parte só terão de aditar a segunda)

segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

Escola

Desde que regressei ao Básico/Secundário, esta é a segunda vez consecutiva em que brindo o início do ano lectivo com um sorriso inteiro. Poupada à habitual inscrição no IEFP, no dia em que todos os professores infortunados ali engrossam a taxa do desemprego nacional, alegro-me triplamente:
Colocação a 1 de Setembro com horário completo...
...em contrato anual renovável por quatro...
...na escola que escolhi como primeira opção!

sexta-feira, 11 de Setembro de 2009

Abraço

Fiquei impregnada do seu cheiro. Intenso, másculo, agreste.

(É tão bom!...)

segunda-feira, 7 de Setembro de 2009

Nove

Completam hoje nove anos os dois meninos com quem aprendi um novo significado de Amor.
Seria Manuel, como o avô materno e o avô paterno, caso fosse apenas um. Secundado pelo nome do pai, como rezava a tradição familiar que assim ia baptizando os primogénitos.
Fosse pelo meu pendor anti-tradições, fosse pelo simples facto não ousarmos conceder privilégios que implicassem o acaso que, por dois minutos, decidiu do primogénito e do benjamim, os nomes foram outros. Breves e ao nosso gosto. Nuno, porque o pai gostou. Tomás, que significa gémeo, porque a mãe gostou. Manelinhos, porque a colega Mariette, que sempre perguntava pelo Manelinho, acrescentou um S quando soube da vinda plural.
Desconhecíamos se mono ou dizigóticos. Apostávamos no primeiro caso: uma só placenta mesmo que com dois sacos amnióticos, o mesmo grupo sanguíneo, temperamentos muito próximos, semelhanças físicas que nos confundiram tantas e tantas vezes.
Este ano, a dentista descobriu uma anomalia genética não partilhada por ambos. Este ano, a compleição franzina de um acentuou a robustez do outro. Este ano, cada um apresentou uma forma de estar na vida muito distinta da do outro.
Dom Nuno detém uma tranquilidade que quebra com estrondo quando as coisas não lhe correm de feição. É simpático, aprumado, responsável, atencioso, curioso, organizado. É o menino que faz o adulto que com ele conversa esquecer que é menino. Excepto quando se aninha no colo ou nos faz sorrir com a credulidade ingénua das crianças. Ou quando bate o pé e cruza os braços num ameaço de birra-furacão. É o menino que passa tudo direitinho para o caderno, que não descansa enquanto não termina as obrigações escolares, artísticas ou desportivas, que opta por cores sóbrias, vestuário clássico e se penteia depois do banho. Remata com alguns retoques adicionais, como um tereré - que ainda lhe estou a dever - e bugigangas de couro como anel ou pulseira ou colar. Envergonha-se quando baixo as alças do biquini. Faz teatro com muito gosto, estuda violino por opção, ama o mano por convicção.
Dom Tomás é o nosso palhacinho. Aposta em macacadas ininterruptas que nos fazem rir. É nervosinho e muito meigo. Tanto que não como o não enxotar quando exagera nas doses de beijos no rosto, nos cabelos, nos braços, nas mãos, no peito, nas pernas, por onde calha. Não passa os t.p.c. do quadro para o caderno porque sabe que o Nuno os já passou. É preguiçoso, desarrumado, desorganizado, extrovertido, namorisqueiro. Gosta de ballet mas não sabe dançar. Estudou violino arrastado pelo irmão. Decidiu-se agora pelo piano. Faz teatro com a alma. Escolhe roupas de cores garridas e gosta de gangas rasgadas. Põe gel no cabelo e já ousou falar em piercings e tatuagens. Quer fazer nudismo com a mamã. É o menino criança que se emociona com as cousas do mundo e se deixa convencer muito facilmente. De manhã cedinho apanho-o invariavelmente na cama do Nuno, abraçado como se dele dependesse a sua própria vida.
Estes dois, a quem tenho procurado orientar no sentido da autonomia e da independência, moram aqui. Em mim.




terça-feira, 25 de Agosto de 2009

Pedaladas (II)


























Pedaladas (I)

Três os quilómetros que distanciam a casa da praia. Um mergulho garantido a quinze minutos ou menos. Não fosse optarmos pelo circuito mais longo, onde a ampulheta flui a outro tempo e os lugares nos contam estórias que nos fazem demorar.
Para além do asfalto monótono, do cheiro nauseante dos escapes apressados entre a vila e a cidade, das regras do trânsito, do sol, do calor e da velocidade, existe um outro trilho que descobrimos e reinventámos à nossa medida.
O arvoredo acolhe-nos com uma sombra convidativa e silencia-se para que possamos escutar o chilreio dos pássaros e o arrulho deste pombo ou daquela rola. As hortas são vinhas sem fim. Há homens e mulheres de chapéu de palha que curvados, secos e cansados apanham a couve, a alface, o tomate, a batata, a cenoura, a abóbora, o morango, a meloa e também cantam a alegria das vindimas. Paramos para ver os pomares. Gostamos particularemente das romãzeiras. E das figueiras selvagens de figos verdes e seiva peganhenta. O campo imenso torna-se numa savana onde habitam criaturas fantásticas como Fénixes e Dragões e os cavalos com que nos cruzamos são Pégasos quase tão velozes quanto nós. Sabemos dos Centauros que ainda não se mostraram e com o pé derrubamos as perigosas Quimeras que, disfarçadas de cães de latido espumante, se lançam a nós sem dó nem piedade. O espantalho de mãos de luva e de calças de ganga acena-nos e pergunta-nos se o levamos um dia a Oz. E há, também, a torre de riscas vermelhas e brancas onde um dia esteve preza uma moça de nome Rapunzel. As pedras das ruínas por que passamos sabem do terramoto de 1755 e as fendas no solo contam-nos de como a terra um dia se abriu e em dois minutos engoliu uma civilização de que nunca ninguém ouviu falar. Lá ao fundo, as nuvens que encobrem a serra ora são neve ora um tsunami de algodão doce e as pás das ventoinhas renováveis aguardam as investidas do Quixote do novo milénio. Atentam aos formigueiros que procuram não destruir, aos besouros, às carochas, às abelhas. Às flores que brotam do chão e das árvores. E eu atento àqueles dois mocinhos que me fazem tão feliz.

Gosto muito destas pedaladas com os Manelinhos.
Muito mesmo.

quinta-feira, 20 de Agosto de 2009

Hic... hic... hic!

Bebi três copitos do Muralhas verde muita bom fresquinho e tal e senti uns calores muita cools e uma vontade de rir e tal e comecei a ver o chão a dançar, juro!, e tal e estou total, absoluta, completamente ébria e tal e até que me sabe bem. Muito. E tal.
Hic!