terça-feira, 31 de julho de 2007

Luiz Fagundes Duarte, Carlos Reis e Elena Losada Soler...

... presentearam-nos, os três, com as suas brilhantes comunicações sobre Eça de Queiroz. Ups, Queirós. Queirós, respeitando o acordo ortográfico de 1945. Mas não me apetece. Aqui no meu blogue é Queiroz, porque gosto e porque quero. Retomando...
Luiz Fagundes Duarte, Carlos Reis e Elena Losada Soler presentearam-nos com as suas brilhantes comunicações sobre E. de Queiroz. Mostraram-nos e explicaram-nos o processo de escrita e reescrita subjacente a cada obra. Alertaram-nos para a existência de obras póstumas e semi-póstumas retocadas por outros que não o Eça. Espreitámos manuscritos digitalizados, confrontámos versões, atentámos à retórica da adjectivação.
E mais: para além do Eça, conhecemos ao vivo três grandes nomes da crítica literária portuguesa contemporânea, durante mais tempo que aquilo a que estamos habituados nos congressos e outros encontros científicos. Relembrámo-nos de que são pessoas, como nós. E o Eça também, com a sua obsessão (que eu pensara exclusivamente pessoana) pelo aprimoramento do texto, com a sua mesa pé de galo (à boa moda de Paris novecentista, no século que viu nascer a codificação espírita), com o seu zelo na oficina de trabalho...
O Prof. Luiz Fagundes Duarte, político também (bem sei, não há homens perfeitos...) , aguçou-nos o apetite com a revelação de exemplos de manuscritos do Eça como comprovação de que o acto de escrita é um acto histórico e alertou-nos para o facto de que o livro que nós lemos não corresponde ao livro que o autor terá inicialmente pensado. Pasmem: em média, os livros de Eça têm 15 a 16 momentos de reescrita! Luiz Fagundes Duarte impressionou, ainda, pelo seu amor ao trabalho filológico, pela delicadeza, pela simpatia, pelo sorriso bonito.
O Prof. Carlos Reis, também Reitor - que é uma espécie de variante de político (já vos disse, homens perfeitos não há...) - falou-nos do contexto socio-cultural do tempo de Eça, do cânone queirosiano, do espólio do autor e da sensibilidade, paciência e competência como condições sine qua non para olhar um manuscrito. Ele disse-o mas eu repito: moi, não poderá jamais fazer parte da sua equipa. Como homem reflecte o que dele sabemos como profissional: metódico, sóbrio, organizado, seguro de si e com um incrível poder de inter-relação pedagógica! Ficou a promessa de escrever qualquer coisa sobre Tormes no seu blogue...
A Prof. Elena Losada é um mimo (as mulheres sim, caminham para a perfeição)! Bonita e muito organizada, transpirou, suou, transbordou uma paixão contagiante por Queiroz escritor. Com uma fluência no discurso capaz de deixar muitos portugueses envergonhados. Com ela vimos de perto a Ilustre Casa de Ramires cujo início remete, logo, para questões meta-literárias que viriam ser amplamente exploradas na pós-modernidade. Grande homem, o Eça!
Dizia o Prof. Luiz que numa semana não iríamos aprender grande coisa. Errare humanum est. Tormes não formou especialistas, mas aumentou o amor que todos nós já sentíamos pela obra queirosiana. Mais: tornou-nos melhores leitores.
Terão estes três professores a noção do quão importantes foram eles (e sê-lo-ão garantidamente para todos os que com eles se cruzem) para o crescimento intelectual de cada um de nós?
E por isso, gratias vobis sum.

sábado, 28 de julho de 2007

Regresso

Acabo de chegar do norte. 9 horas de viagem...
Quero sopas, sexo e descanso!

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Beijo

Fui convidada para jantar na sua casa. Estava a ajudá-lo a transportar uma caixa de copos para o seu carro quando um escorregou e se desfez em cacos. Perante a minha aflição, acolheu-me num abraço quente e demorado. E, depois, o beijo. Longo e autêntico.
Foi bom estar encostada àquele peito masculino, sentir o pulsar do seu coração e entregar-me ao ósculo espontâneo. Na testa. É que foi um acto de amor puro, assexual e, por isso, sem intenções outras. Essas, eu guardo-as para o C. E a homossexualidade deste meu amigo é assumida desde que me conheço.
E, por tudo isto, pela entrega sem medo, pelo reconforto sem cobrança, pela autenticidade do momento, foi um desgosto acordar e saber que fora apenas um sonho.
Mas um sonho que durante esta manhã me encheu o coração.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Tormes

Tormes é o nome ficcional que Eça atribuiu à Quinta de Vila Nova em A Cidade e as Serras. O percurso que Jacinto e Zé Fernandes fazem a partir da Estação de Tormes (Aregos, na realidade) é deslumbrantemente fidedigno ao que os nossos sentidos podem apreender.
Em Tormes reconhecemos a casa e até a famosa cadeira de Jacinto, personagem inspirada no amigo do autor, Eduardo Prado, cuja fotografia, como muitas outras, habitam as divisões que visitámos.
A nossa anfitriã é a dulcíssima Maria da Graça Salema de Castro, viúva de Manuel Benedito de castro, filho de Maria Eça de Queiroz, primogénita dos quatro filhos do escritor. Na sequência da doação da Quinta de Vila Nova, nasceu a Fundação Eça de Queiroz e, por inerência óbvia, a Srª D. Maria da da Graça é a sua Presidente a título vitalício.
Estar no cenário que Eça habitou e transportou para o seu cosmos literário é um privilégio que está à mão de quem o desejar. Acrescente-se-lhe o banquete queirosiano (a suprema canja de galinha e o famoso arroz de favas).
Um luxo.

terça-feira, 24 de julho de 2007

Quem não admirará os progressos deste século?

Atravessei o país de sul a norte em mais de 8 dolorosas horas no comboio. Um regional, um alfa-pendular, outro regional. No estômago, o pequeno almoço de 2,10 euros às 7h e um rissol às 12.30. Por isso, quando às 15h apeei na estação da Ermida, estava com fome, confesso. Cansada e com fome.
Eis quando os olhos se deslumbram com os vales fofos de verdura, os vales poderosamente cavados do Douro, e inspiro o ar de uma doçura de paraíso!... A Quinta da Ermida é um quadro de beleza estonteante para os olhos de uma algarvia. Numa encosta sobre o Douro, a pedra escura de granito continua verticalmente o chão que derrama vinhas, árvores, arbustos e pequenas fontes e cascatas que cintilam sob a luz do astro rei. E logo, logo, os meus males esqueceram ante a incomparável beleza desta serra bendita.
Alimentados a alma por tamanho espectáculo e o corpo por um banquete pantagruélico, preparo-me para regressar à civilização. É então que as belas paredes de granito e as serras que envolvem o vale se transformam em tremendo Polifemo que me leva a rede do telemóvel. Estou incontactável! Computador, nem sonhar. Internet? Adivinhem! Na TV, a 2: não existe e a Sic tremelicante não me deixa ver o CSI!
Valem-me estes 10 minutos em Tormes para rabiscar e garatujar...

segunda-feira, 23 de julho de 2007

A Cidade e as Serras - Deniblog em Tormes

Durante uma semana o Rabiscos e Garatujas estará a vapor.
A Deniblog está em Tormes, num Curso Queirosiano que se adivinha fantástico.
A Quinta da Ermida, onde estou alojada, é deslumbrante!
Sinto-me como o protagonista de «Civilização» e A Cidade e as Serras. Mas neste momento, confesso, um pouco como o Jacinto do início: Socorro! Onde está a civilização?!

Prometo um relato pormenorizado, assim que puder!

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Seminário de Ensino da Literatura

Regresso de Lisboa.
Terminou o 2º semestre e foi a última sessão do Seminário de Ensino da Literatura na FLUL assegurado pelas professoras Margarida Braga Neves e Isabel Rocheta. Para além de mim, frequentaram as aulas a Carla, o Tiago, a Manuela, a Vera, a Dora, o António e a Conceição (que está de parabéns pela brilhante defesa da sua tese de doutoramento em Teoria da Literatura aprovada com distinção e louvor por unanimidade no passado dia 12 de Julho). Tivemos como ponto de partida para a reflexão teórica textos de António Barreto, Harold Bloom, António Branco, Italo Calvino, Umberto Eco, Maria de Lourdes Ferraz, Fernanda Irene Fonseca, Manuel Gusmão, Margarida Vieira Mendes, Vasco Graça Moura, David Mourão-Ferreira, Jorge de Sena, Vítor Manuel de Aguiar e Silva, George Steiner, Todorov e Silvina Rodrigues Lopes. O corpus literário reuniu três nomes do conto português contemporâneo: David Mourão-Ferreira (As Quatro Estações), Jorge de Sena (Os Grão-Capitães) e Lídia Jorge (O Belo Adormecido).
Registo a qualidade dos trabalhos apresentados pelos meus simpáticos colegas; a simpatia e a dedicação apaixonada e apaixonante da Professora Margarida; a delicadeza, o rigor e a estruturação do pensamento da Professora Isabel.
Fica a frustração por não ter podido assistir à totalidade das aulas pela incompatibilidade de horários agravada pela distância (em horas e em quilómetros) entre a capital e o Reino dos Algarves.
Fica o gáudio pelo enriquecimento intelectual e pela âncora segura que me tranquiliza na (re)organização do trabalho de investigação para o doutoramento.

Eureka!

- Mamã, inventei um exercício e já o fiz. Queres ver?
- O que é, Nuno? Explicas?
- Eu liguei as letras: o B liga ao P, o V liga ao F, o T liga ao D, o Q liga ao G e o C liga ao Z.
- Por que ligaste assim?
- São letras gémeas! Muito parecidas que até se confundem... Como eu e o Tomás!

Eureka!

- Mamã, olha só o que descobri!
- O quê, Nuninho?
- Escuta com atenção: a, e, i, o, u...
- Mas são as vogais, Nuno. Isso não é novidade!
- Não é isso, escuta agora: a, b, c, d, e, f, g, h, i...
- É o alfabeto... também não é novidade...
- Mamã, escuta bem: a, b, c, d, e, f, g, h, i, j, l, m, n, o, p, q, r, s, t, u ... Tás a ver, mamã?! No alfabeto, as vogais estão arrumadinhas!!!!

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Exercício de Tradução I: Tradução Literária

Os seios
suados sibilantes
contra o teu peito
dois corpos em deleite
sobre um leito
o sexo
sumo
sacro
sussurrante
sempre só meu
incessante no meu
saciando o meu

navegando
sobre mares ébrios agitadas ondas
de ternas tempestades de fluidos
e ósculos
e espasmos
e sorrisos
temos ambos um único farol

o brilho do sol do nosso prazer

Exercício de Tradução I: Tradução Literal

Para grande parte dos seres vivos dotados de locomoção, a libertação da líbido só ocorre com a finalidade da reprodução. Para as pessoas, torna-se, antes de mais, num manancial de deleite, partilha e satisfação. Apenas em certas ocasiões, as experiências íntimas visam a procriação.
É na aproximação de um par de indivíduos na sua totalidade, onde participam, por inteiro, as componentes físicas, as componentes emotivas, as componentes imaginativas, as esperanças e as vontades, que consiste fazer amor. Assim, é mais do que o encontro entre um par de órgãos sexuais, ou uma cerimónia maquinal, ou um modo de subjugar o parceiro, ou um simples uso da carne. Fazer amor constitui, antes, um manancial de engrandecimento e de deleite, não só para o indivíduo em si mesmo, como também para os parceiros que consigo se relacionam.

Exercício de Tradução I: Texto Original

Na maioria dos animais a sexualidade está apenas relacionada com a procriação. Nos seres humanos ela é sobretudo fonte de prazer, de comunicação e de bem estar e só algumas vezes as vivências sexuais têm como finalidade a reprodução.
A relação sexual é o encontro de duas pessoas inteiras, com todas as partes do seu corpo, toda a sua afectividade, todas as suas fantasias, expectativas e desejos. Portanto, a relação sexual não é apenas o contacto entre duas zonas genitais, nem um ritual mecânico, nem uma maneira de dominar outra pessoa, nem uma mera utilização do corpo. A relação sexual é sim uma fonte de enriquecimento e de prazer para a própria pessoa e para outras com quem estabelece laços.

Autor desconhecido. A sexualidade humana (35 questões sobre a sexualidade para jovens), Lisboa, Associação para o Planeamento de Família, s/d.

India Driving

Ao querer colocar uma etiqueta no post anterior com este mesmo título, acabei por perder vídeo. Mas teimo em que fique, até porque o Paulo o comentou!

Cristóvão Silva



Cristóvão Silva , compositor português contemporâneo, acaba de lançar Leituras e Ditados para Formação Musical [ 1º e 2º Graus]. Organizado em quatro partes (1. Leituras e ditados de sons com igual duração; 2. Leituras e ditados rítmicos; 3. Leituras e ditados melódicos; 4. Acordes de três sons ), o livro reune alguns dos exercícios que o autor tem vindo a criar para as suas práticas pedagógicas. Um contributo decisivo para a inversão da realidade que nos é apresentada no 1º parágrafo do Prólogo:
"Quando iniciei os meus primeiros estudos de música - já lá vai uma boa vintena de anos -, a oferta disponível no mercado era bastante reduzida. Os poucos títulos existentes, além de serem maioritariamente estrangeiros, resumiam-se na generalidade a obras de solfejo e de teoria musical. As obras portuguesas que se podiam consultar, quase todas datadas de finais do século XIX ou da primeira metade do século seguinte, ainda hoje subsistem, e sem qualquer actualização, isto independentemente das várias reimpressões que têm sido feitas e após as reformas levadas a cabo em 1971, ano da chamada Reforma Veiga Simão. Nesta matéria, em pleno início do século XXI, o nosso panorama editorial não se tem mostrado célere a introduzir alterações substantivas. E é assim que, com bastante frequência, encontro a maioria dos meus colegas a remediar-se nas suas práticas lectivas com papéis e folhas soltas nas quais conservam os exercícios por onde, enquanto alunos, aprenderam ou que, já a ensinar, obticeram na sã partilha de conhecimentos que por norma se verifica entre professores da mesma disciplina. Uma situação, por conseguinte, donde resulta uma lacuna que teima em prevalecer."
Com 151 páginas e mais de 700 exercícios, é um livro bonito, de capa azul, espaçado, legível, dedicado aos filhos do autor. A chancela é da Juventude Musical Portuguesa.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

India Driving

Eu já lá estive e garanto-vos que é esta a realidade do trânsito da terra dos meus avós. Mais impressionante é constatar que os meus patrícios não stressam, não se irritam, não praguejam. E as buzinadelas... as buzinadelas é o que eles mais gostam de fazer! Conduzir sem buzinar equivale a dançar sem música.

Manelinhos



São estes os filhotes lindos que me preenchem o corpo, a alma, a vida.
Os meu Manelinhos.

O meu país, o meu reinado, o meu império...

... continua sem nome...
Mas posso adiantar que é pequenino, banhado pelo mar, com um rio que o serpenteia de ponta a ponta. As pessoas que o habitam são de todas as cores.

terça-feira, 17 de julho de 2007

António Garcia Barreto...

... gostou do Rabiscos e Garatujas!
Numa visita à Oficina do Tio Lunetas, descobri o meu blogue no cantinho das suas «ligações»! Garcia Barreto acompanhou-me nos últimos sete anos durante os quais leccionei Literatura para a Infância na Escola Superior de Educação da Universidade do Algarve. Construção metonímica, é claro... Estou a falar concretamente de dois livros imprescindíveis que preencheram um vazio incomodativo nos estudos sobre a produção literária para a infância e juventude em terra lusitana: Literatura para Crianças e Jovens em Portugal para uma panorâmica histórica e o sólido Dicionário de Literatura Infantil Portuguesa.
Mas antes deles, muito muito antes, já eu adorava o Botão Procura Casa. Era um livro velhinho, gasto pelos meus olhos de criança-leitora.
Retornei a este mundo pela mão da Tia Adoptada e nem acredito o quão cresci desde este regresso.
E não é essa uma das primordiais funções da Literatura?

«A Oficina do Escritor» na FEQ

A Fundação Eça de Queiroz (FEQ) realiza, entre 23 e 27 de Julho, a décima edição de um Curso Internacional de Verão subordinado ao tema «A Oficina do Escritor». É um seminário queirosiano dedicado ao laboratório de escrita e nele atentar-se-á ao modo como Eça trabalhou a língua, aos processos de reescrita de que foram alvos os seus textos e à edição crítica da sua obra. A (re) ler A Ilustre Casa de Ramires, o conto "São Cristóvão" e A Correspondência de Fradique Mendes.
A coordenação científica é a de Isabel Margarida Duarte e os professores convidados são nem mais nem menos que, tcham!, Carlos Reis , Elena Losada Soler e Luiz Fagundes Duarte!
A FEQ ofereceu 20 bolsas para a frequência do curso (10 para estudantes portugueses + 10 para estudantes estrangeiros), com alojamento na belíssima Quinta da Ermida.
E eu sou uma das felizes contempladas!!!!

O meu país, o meu reinado, o meu império...

... ou qualquer coisa semelhante. Às vezes sonho com ele e construo-o na minha imaginação. O post «...um dia destes, ainda...» do Felizes Juntos foi a picada do moscardo. Está decidido: vou erguer o meu país, o meu reinado, o meu império pelo poder do Verbo. Tenho de pensar no topónimo. Aceito sugestões!

Notita: Esta das sugestões só prova que o Cris e a Tia Adoptada estão redondamente enganados quando afirmam que tenho tendências muito nítidas para o despotismo. Adolf Hitler era carneiro, como eu. E pelejou pelo mundo que ele lá sonhou para ele. Mas eu prefiro pensar noutros carneiros, detentores da pulsão positiva da criatividade, como Charlie Chaplin, Leonardo Da Vinci ou Vincente Van Gogh.

Tenho dito!

Felizes Juntos

Podia começar pelos meus pais. Foi graças a eles que pude nascer. Mas este é um mundo à parte, um submundo (cf. Underworld) com as suas leis que, aqui, neste blogue, são as minhas. E seria de uma pura, brutal, incomensurável e ingrata insensibilidade ignorar aqueles a quem devo o meu nascimento neste maravilhoso novo mundo. É que o Rabiscos e Garatujas foi criado na sequência de uma descoberta fantástica! Um blogue novinho em folha, autêntico, que transpira a euforia de quem está feliz por estar junto com quem se ama. Um dos autores é meu amigo. Conheci-o na Flul e apaixonei-me por ele e pela Inês e pela Sofia e pela Cláudia e pela Carina e pela Patrícia e pela Valéria e pelo Federico e pelo Hitesh e pela Joana e pela Raquel. De um estímulo intelectual e de um companheirismo que me fizeram esquecer os seiscentos kilómetros (idivolta) semanais a percorrer no mesmo dia. Todos esses meus amigos povoarão aqui esta minha nova etiqueta.
Dizia eu que o meu amigo Paulo é um dos autores do blogue que me encantou. O Zé também o subscreve. Eu não conheço o Zé, mas já gosto do Zé. É assim, a blogosfera.
O Paulo gosta de pastilha elástica e oferece-me sempre uma quando saca a caixinha da mala. O Paulo é nervoso, de um nervosinho muito gostoso, que me deixa sempre muito deliciada. O Paulo é culto e inteligente. E lê bués que sa farta! E estende-se pelas artes da fotografia e do desenho. Com ele aprendi que existe literatura homoerótica e crítica literária sobre o assunto (até então nunca em tal tinha pensado). É o autor de uma tese brilhante sobre Eduardo Pitta cuja leitura aconselho vivamente (da tese e da obra de E. Pitta).
O blogue da felicidade em conjunto não podia estar muito longe do Paulo. Com uma mais-valia: o Zé com tudo o que lá vai postando.
Com os amigos crescemos e renascemos ene vezes. Comigo é assim. Estes rabiscos, estas garatujas e esta nova Denise, a Deniblog, agradecem publicamente ao Paulo e ao Zé por serem tão Felizes Juntos!

Um fantasma no funeral

E lá foi o corpo a enterrar.
Estávamos a meio da missa, eis quando, zás!, aparece um fantasma!
Um fantasma a sério!
Não é daqueles tradicionais, os dos lençóis insípidos e esvoaçantes com dois buracos num rasgo de humanização.
Um fantasma a sério! Verdadeiro! De carne e osso!
Pois, no funeral, a meio da missa, apareceu o meu professor de Electrotecnia. O tal, o mesmo, o co-referente do que falo no meu post anterior!
Das duas uma: ou foi uma materialização, muito simpática e cheirosa, pelos sorrisos e pelo beijo de «Boa tarde Denise, há quanto tempo!»; ou o homem afinal está vivo e o professor de quem me haviam falado era outro, completamente outro!
Bem, mas para mim é um fantasma. É que ontem, lamento, matei-o no meu blogue!

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Professora Odete

É a segunda professora minha que vai a enterrar.
O primeiro, soube apenas hoje, foi o meu professor de Electrotecnia do 8º ano. Numa das suas aulas fui para a rua porque levei uma garrafa de cerveja para fazer um candeeiro e o prof. queria uma garrafa bonita e eu dizia-lhe que não valia a pena o desperdício porque por mais bonita que fosse a garrafa o candeeiro ficaria sempre horroroso e iria parar ao lixo. Depois o meu pai soube e obrigou-me a levar uma garrafa verde sei lá do quê, acho que de whisky. Lá montei a treta dos fios (sim, porque Electrotecnia não era, decididamente, a minha disciplina favorita), coloquei a treta da rosquilha, dos parafusos, das lâmpadas... tudo. Liguei a tomada. Liguei o interruptor. PUM!!! Era um cheiro a queimado insuportável. O verde da garrafa esvaíra-se numa negridão total. Junte-se, por favor, as gargalhadas dos colegas! Eu encolhi os ombros e disse ao professor: "Vê? Vai para o lixo...".
Pois hoje chegou o dia da Professora Odete. E foi com súbita saudade antecipada que me apercebi que, pela ordem natural das coisas (a não ser que a ordem se desordene), outros professores lhe seguirão. Estavam lá muitos, muitos. E todos os outros que lá não estavam, porque há os de Lisboa também, estavam lá também sim senhora, na minha memória, bem presentes...
O que me safa é a crença de uma despedida com regresso. Não quero nem pensar como é sentir a morte como o fim...

Au revoir, Professora Odete...

Morreu o corpo da minha professora de Francês do 11º ano. A Professora Odete Coutinho. Era alegre, simpática, carinhosa, meiga, amiga. Não impunha a distância que alguns professores fazem questão de manter. Alegremente sempre me tratou por tu, alegremente sempre me tocou, no rosto, nos cabelos, nos ombros. Foi por vezes confidente dos meus desgostos amorosos com o primeiro e único namorado que tive em toda a minha vida. E sempre fez questão de repetir que me considerava uma pessoa com valor.
Era a mulher do meu professor de História, o Professor Valdemar, que na aulas gostava de me chamar de «donzela».
Pois hoje a Professora Odete desencarnou.
Na morgue estavam três corpos a velar e, pelo frenesim que ali acontecia, mais parecia que estávamos na recepção de um copo d'água. Cada um falava mais alto que o outro, sobre a morte, a doença, outros mortos, trabalho, férias... de tudo! Ainda me sentei, fechei os olhos e proferi uma prece rápida. Mas estava impossível de todo!
E por isso, esta noite, dedico-a à Professora Odete e a todos os que hoje ontem e antes tiveram de nos deixar...

Uma grande escritora

Não se pode dizer que escreva mal.
Não.
A rapariga até tem o seu mérito.
E até seria feliz se se contentasse com o que pode e consegue escrever. O problema é que, às vezes, só às vezes, ela tem uns sonhos muito estúpidos. Sonha em ser uma grande pianista. Uma grande bailarina. Uma grande actriz. Uma grande escritora. Tudo em grande. Mal arranha o piano, não acerta dois passos, nunca representou uma única peça. Mas escreve. Vai escrevendo. E este é um dos seus contos, três em um.

POÇÃO

Pó
- Pó!
O Pai, de mão dada à do Nuno, caminhava um pouco mais à frente. Acenou com a cabeça:
- Sim, filho, é o popó! O popó do papá!
- Pó! - repetiu.
O Nuno, já dentro do automóvel, choramingou:
- Pããã...
- Pó! - Insistiu.
O olhar da Mãe seguiu o dedo indicador do Tomás.
Deteve-se.
- Pois é querido.
Depois de ter passado por tantas portas das estreitas ruelas da vila, o Tomás deixava-se deslumbrar por aquela. A Mãe encolheu os ombros e suspirou com a descoberta inesperada. Mas era, definitivamente, uma porta diferente de todas as que o bebé já vira ao longo dos seus dezoito meses de existência.
Aproximaram-se. A Mãe, ofegante, e o bebé mais os seus onze quilos e um dedo espetado em riste.
- Póóóóó!!! - Exclamou. E o dedo e a mão e o braço e já todo ele eram um só com a negrura curvilínea do ferro forjado.
O olhar da Mãe alongou-se e alcançou, do lado de lá, a alvura marmórea das lajes que silenciosamente se alinhavam até à muda e verde eternidade dos ciprestes.
O ar foi cortado por um leve murmúrio segredado ao ouvido da Mãe:
- Pó... - e as mãozinhas não paravam de acariciar aquela porta que os separava não se sabe bem do quê.
Os olhos da Mãe brilharam metafísica e a sua voz filosofou convictamente:
- Sim querido, do pó viemos, em pó nos tornaremos.
A buzina feriu o quadro.
- Vamos lá, vamos lá, que os meninos estão com fome e há muito que fazer! - a voz enervada de um Pai apressado sincopada por rasgos de uma buzina estridente.
- Cááá!!!! - O dedo do Tomás mudou de direcção.
- Sim, querido, vamos para o carro. - os olhos da Mãe perderam a metafísica; a eles regressou o cansaço que viria ao findar do dia.
Aliviou o colo de quinze quilos que começavam a vergar-lhe a coluna. Na cadeirinha do lado, o irmão gémeo choramingava:
- Pããããã ...
- Não, Nuno, não é pão. Olha: é uma porta.
O Pai engatou a primeira e acelerou. A Mãe espreitou. As duas cabecinhas, lá atrás, giravam, olhando para aquela porta que se ia afastando. E, lá no fundo, por trás daquelas cabecinhas, do negro, do branco e do verde, uma bola de fogo cor de laranja parecia tocar no chão.
O Tomás esticou o braço e exclamou numa despedida de bebé:
- Xxxaaaaaau!!!...


Inter Preta São
Era preta e chamava-se Conceição. Para os mais próximos, São. Já não era nova e a sua vida entorpecia-lhe os membros. Tinha tido muitos filhos e esses, com a graça de Deus, andavam livres pelo mundo fora. Livres como passarinhos.
Ela não. Não era livre. Vivia cativa e o seu espaço cingia-se à cozinha.
O Sr. Gomes tratava-a decentemente. Passava-lhe a mão pela cabeça e gracejava um Ave São, com um alegre ponto de exclamação no final.
O pior era a Senhora. Também exclamava. Mas o tom era diferente: Não gastes o teu latim com essa preta que nem português sabe falar!; Tira-me essas patas nojentas daí! Põe-te no teu lugar! (quando a apanhava a comer à mesa); O que é que estás a fazer aqui? Volta para a cozinha! (quando se esgueirava para além dos seus limiares).
E lá ficava a São na cozinha. Triste e cabisbaixa na sua negritude. Aproveitava para fazer uma introspecção e tentar entender a sua história. Gostaria de poder identificar-se com a Gata Borralheira. Essa tinha, ao menos, um Complexo de Electra por resolver e um final feliz garantido. A São, como lhe chamava o Sr. Gomes, ou a Preta, como preferia a Senhora, não sofria desses complexos, nem de rivalidades fraternais, nem de angústias da castração. Era demasiado velha para tais complicações psicanalíticas.
Um dia, o inesperado. O Sr. Gomes ausentara-se. Viajara para o outro lado do oceano. A Senhora avançou pela cozinha dentro. A Preta, encolhida, parecia mais pequena perante o volume exagerado daquele pesado corpo ameaçador. Sentiu uma mão a apertar. Sentiu-se sufocar. Um grito, que se aproximava da histeria, perfurou-lhe os tímpanos:
- Desaparece São!!!!
A janela abriu-se e sentiu a frescura da brisa que passava por aquele 7º andar.
Atordoada, abriu os olhos. Fixou o infinito.
Abriu as asas e mergulhou no vazio vertiginoso de cor azul.

Pó – São
O Sr. Pó gostava de aparecer, descaradamente, onde não era desejado, embora não se apercebessem, de imediato, da sua companhia. Era discreto. Gozava enquanto podia. Espreguiçava-se, estendia-se, espalhava-se. Até que dava nas vistas e acabava por ser expulso.
O Sr. São gostava de ter tudo em pratos limpos e anunciava a sua presença assim que chegava. Diga-se, aliás, que era sempre bem-vindo.
O Sr. São não suportava o Sr. Pó.
O Sr. Pó não suportava o Sr. São.
Era um sentimento mútuo. Não se davam bem. A porta que se abria para deixar entrar o Sr. São era a mesma que expulsava o Sr. Pó.
O Sr. Pó não era esquisito. Gostava de lugares abertos, de lugares fechados e de lugares assim- -assim. Gostava de companhia e gostava de estar só. Não entendia por que não o suportavam. Um dia, alguém exclamara, num êxtase de felicidade, «Póóóó!!!!». Aproximou-se, contente. Alguém ficara feliz por vê-lo! Mas não. Era um bebé, de dedo espetado, ao colo de uma mãe ofegante, a apontar para a porta de um cemitério. Outro dia, descansava na cadeira das visitas, assustou-se: «Nem pó!». Era uma velha gorda que vociferava para uma pobre andorinha que sonhava em sair da cozinha.
O Sr. São era exigente. Não admitia que não lavassem as mãos antes e depois das refeições. E os dentes, e os legumes, e o chão, e a roupa.... O Sr. São gostava do verbo lavar. E toda a gente gostava dele. Mas um dia apanhou um susto valente. Felizmente tinha um coração saudável, senão teria morrido ali mesmo, de ataque cardíaco. Alguém berrava «Desaparece São!!!» e, boquiaberto, suspirou ao vislumbrar uma velha gorda que soltava uma andorinha pela janela. Detestava esse tipo de diminutivos e não simpatizava muito com a terceira pessoa do plural do verbo Ser no presente do indicativo. Gostava, enfim, de se sentir único. E gostava de companhia. Fazia questão. Os outros sem ele ou ele sem os outros... uma existência sem sentido. E apresentava-se num gracejo: «Sou um existencialista. Um humanista.».
Um dia, o Sr. Pó arquivou os preconceitos, recalcamentos e ressentimentos e decidiu repensar a sua vida. Aproximou-se do Sr. São. Propôs-lhe uma sociedade. O Sr. São só não lhe virou as costas porque, logo depois de proferir a palavra sociedade, o Sr. Pó articulou muito enfaticamente o adjectivo única. Soou-lhe bem. E o sobrolho carregado desfez-se numa interrogação. O Sr. Pó apressou-se a explicar, argumentando com consultas em gramáticas caras e conceituadas e acrescentando conhecimentos de Retórica especializados em humor e ironia.
- Ora, sendo eu um substantivo e tu um adjectivo, por que não nos unirmos? Acrescente-se-lhe uma pitada de surpresa, de estranhamento, de inusitado pela união de campos semânticos opostos. E cá está: uma sociedade única!
O Sr. São não entendeu o palavreado caro, mas tudo aquilo lhe soava bem, sobretudo o adjectivo final e acedeu.
O Sr. Pó não quis prescindir do acento agudo. O Sr. São gostava de si tal-qual. Optaram por um hífen que ajustou a posição dos nomes da sociedade. Não houve perdas nem ganhos.
A não divulgação da sua actividade até à data de impressão deste conto deixa a história em aberto. Retira-se o ponto de interrogação do autor e entrega-se um ponto final à mão estendida dos leitores.

sábado, 14 de julho de 2007

Da queda de uma heroína

São todos mais altos que eu, mas houve um tempo em que eu não era apenas a mais velha: era também a mais alta e a chefe do grupo.

Aquela brincadeira era já uma rotina, um ritual diário, previsível, repetitivo e por isso mesmo deslumbrante: a segurança da antecipação ou o prazer do premeditado. O certo é que nunca nos cansávamos de brincar às casinhas. Lençóis e colchões ajeitados em cabanita, uma cozinha com a loiça das bonecas, a mercearia com fruta, muita fruta, de plástico duro. Eu era a mãe, o Luís o pai, a Isa e a Ana as filhas. Às vezes tínhamos só uma filha, porque a Ana também gostava de ser vendedora. Cantávamos, ríamos… e chorávamos também, quando nos engalfinhávamos em pontapés e bofetadas e alguns puxões de cabelo. E tudo isto no maior dos silêncios. Passávamos a grande maioria do tempo sozinhos em casa. Proibidos de abrir a porta fosse a quem fosse e até mesmo de nos aproximarmos da janela (ah, quantas e quantas vezes ficaram os pais fora de casa, à chuva, ao frio ou ao quente sol algarvio!...).

A mosca debate-se contra a vidraça. Debalde. Está caçada. Consigo prendê-la num frasco de compota vazio. Ponho a tampa. Os meus irmãos atropelam-se para ver melhor. A mosca ziguezagueia no desespero de quem vê o horizonte com o sabor adocicado de ameixas vermelhas. Cansa-se, ofegante. Deixa de interessar.
Decido-nos pelo treino diário da defesa pessoal: ataque aos ladrões impostores que se atrevam a entrar na nossa casa! Está tudo pronto e as armas estão nos devidos lugares. Repitamos a cena, para que nada falhe. E lá vão os punhos do Luís, bem cerrados, direitos ao estômago imaginado e as unhas afiadíssimas da Isa, em cheio, na cara que já se vê ensanguentada e as agulhas da Ana, em riste, certeiras, nas nádegas, nas virilhas, onde calhar, mas há-de ser aí, porque ela é pequenina, não há-de chegar mais alto. E eu, por fim, de bastão de basebol, um plástico de terceira, mas muito convincente aos olhos dos meus oito anos. Na cabeça, o golpe fatal.

Meio-dia e meia. A mosca perdera, definitivamente, o interesse dos quatro irmãos. Esquecida, enfim. Consolando os derradeiros momentos da sua curta existência com restos de doce de ameixa que começavam a enjoar na náusea previsível de quem vai morrer não tarda nada.
Súbito, um barulho dentro de casa. Da cozinha. Um assobio e talheres. Vinha da cozinha, definitivamente. Era a Hora, diria aquele que todos sabem. Um ladrão, óbvio e elementar, meus queridos manos, que procura o cutelo para nos decepar. Aos lugares!


Avançam vagarosa e prudentemente, em fila indiana, por aquele corredor infinito que encolheu, sabe-se lá como, vinte anos passados, não cabe lá agora um rato onde viviam dez elefantes. Avançam vagarosamente e tu lideras os primeiros passos. As pernas tremem-te, fraquejam, uma vertigem alucinada da coitadice original. Passam as agulhas da Ana e passam os punhos do Luís e passam as unhas da Isa e o teu bastão acomoda-se cobardemente no fim da fila.

Chegámos, enfim, à porta da cozinha. Os manos precipitaram-se para o perigo. Os meus pés solidificaram. Fiquei ali, paralisada, por trás da porta, a ouvir os gritos e a imaginar já o sangue e a bater no peito mea culpa mea maxima culpa éramos quatro irmãos e agora sou filha única.

Depois vieram os risos e os beijinhos. Ela espreitou. Afinal era o pai. Tinha chegado com o silêncio nos pés e preparava o almoço
.

Nota: Este texto foi apresentado no programa A História Devida da Antena 1 em Maio de 2006 e publicado no livro Histórias Devidas. Pode ser ouvido aqui.



Egonia

É o título que guardo para o livro que um dia gostaria de escrever.
Estaria próximo da auto-ficção, entre o eu, o eu que construo e o não-eu. Reconstruções de memórias minhas e dos outros. Recriações de memórias inventadas.
Não o escrevo porque acho que ninguém teria interesse em lê-lo (excepção absoluta para o meu pai, a minha mãe, os meus irmãos e, um dia, os meus filhos). Não o escrevo por preguiça.
Daí que o blogue seja uma excelente manobra de diversão. Vou escrevendo ao ritmo que me aprouver. Vou testando a resistência dos leitores.

Goa's Most Popular Classic Film Song

Adoro esta música da terra dos meus avós!
Não percebo patavina de Concani e, se pudesse, teria umas aulas para aprender... é o problema de viver longe de Lisboa...
Ora digam lá se a Rita Lobo não era bonita!

Friend's power

Não há dúvida que um grupo de bons amigos marca a diferença.
Tenho andado desanimadita, por razões cá muito minhas, e alheada um pouco do mundo. Resolvi espantar a tristesse. Ontem saí com a minha amiga Marta. Conheço-a desde os meus 10 anos e é uma grande amiga. Hoje regressei ao meu grupo de oração, depois de quase um mês de ausência. Foi uma festa, o regresso da filha pródiga!
Nada como a amizade alegre para espantar a ruindade que em nós se quer instalar!

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Mensagem de Deus

Hoje sonhei que Deus me tinha enviado uma mensagem.
Era um lindo postal escrito, com uma colagem em forma de leão. Foi uma emoção, abrir o envelope e ler o texto escrito directamente por um espírito qualquer. Dizia assim: "Com fé e trabalho alcançarás os teus objectivos. Lembra-te das comunicações que tens feito. Não estás sozinha." Fiquei radiante, com o peito a transbordar de amor.
E depois, apareceu a minha mãe, com um abraço sussurrante: "E tu achas, ó Deni, que um espírito ia mesmo escrever uma mensagem? Fui eu que fiz o postal e quis brincar contigo! "

Há sonhos que, mesmo com tanto amor, conseguem ser autênticos pesadelos...

Passando à frente...
O certo é que na minha oração da véspera eu pedira orientação espirtual sobre uma decisão que terei de tomar a curto prazo. Fui convidada para proferir uma palestra no CEBV mas sinto-me muito pouco à vontade por razões várias.
Interpreto o meu sonho como um aval divino.

Obrigada :)

E cá estou eu!

Não resisto ao maravilhoso novo mundo da blogosfera!
Vamos ver no que vai dar!