sexta-feira, 31 de agosto de 2007

E agora?

À meia-noite nada ainda... O Cris acordou às 5 da manhã para saber de novidades, mas rien de rien... Às 7 voltei à carga, e às 16 e às 16 e meia e às 17 e por aí adiante.
Pois nem no 300, nem no 320.
Nem eu nem ninguém.
As listas de colocação desses grupos e de outros tantos estavam em branco. Completamente. Não haveria um único horário completo a nível nacional?!
São saloperies atrás de saloperies que o M.E. anda a fazer aos profs.
Vamos ver o que nos traz a primeira semana de Setembro...
Entretanto, volto ao Tobias, de onde hoje me despedira alegremente, porque precisaria do fim de semana para preparar o início do ano lectivo.
O caralho, é o que é.

E agora?

Nem no grupo 300, nem no grupo 320, nem no grupo do caralho que sa foda.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

La gaffe du jour

Ao que parece, nem os Manelinhos escapam!

Foram visitar-me ao Tobias. O problema é que foi a uma hora muito má. Estava muita gente: a esplanada cheia, no interior idem idem e no balcão nem se fala, clientes por atender, mesas por levantar, gente a querer pagar, gente a querer conversa... E os Manelinhos, todos ladinos, atrás da mamã deles, a beijarem-me as mãos, as pernas, os braços, onde conseguissem chegar. A quererem ajudar a levantar as mesas, a tirar os gelados da arca, a preparar os pratinhos das bicas, a mostrar pedrinhas e conchinhas que encontraram na praia, umas com poderes especiais, outras de outros planetas e outras, até, de um antigo colar das sereias. Por outras palavras: estavam ali a estorvar. A empatar. A chatear.
E eu toda enervada, sacudi-os, muito rispidamente.
O Nuno baixou a cabeça. Mas o Tomás, muito zangado, cruzou os braços e gritou bem alto:
- Chiça!!!! Esta mulher anda sempre, sempre, sempre tão interessada!!!!!

Razão tem ele: interessada no Tobias, interessada na escola, interessada no casamento. Stressada, stressada, só quanto a livros, tv, música, sexo e, claro, os meus rabiscos e as minhas garatujas!

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

La gaffe du jour

A de hoje é, no mínimo, deprimente. Eu conto.

O patrão autorizou e, de há um tempo para cá, colo numa das paredes da esplanada o poema do dia. Numa folha branca, o título, o texto, o nome do autor e uma foto sua a preto e branco (o cachet não chega para o luxo de um tinteiro a cores).
Na esplanada d’ O Tobias já desfilaram Sophia, Jean Richepin, John Masefield, Ramos Rosa, Baudelaire, Nuno Júdice, Robert Louis Stevenson e Teresa Rita Lopes.
O sucesso foi total: as pessoas aglomeravam-se para espreitarem os textos que eu ia afixando e sobre isso comentei ao patrão. Ele sorriu e, com algum pudor, confessou: “As pessoas perguntam-me quem é que morreu; pensam que são textos necrológicos”. Perante a minha estupefacção, acrescentou que talvez fosse pela afixação da foto dos autores dos poemas. ... Ou pela tonalidade negra da letra...
Hoje reconfigurei o look do poema do dia. Retirei a foto do autor. Dei-lhe uma corzinha. Tornou-se visível, a olho nu, que era um poema que ali se estava a afixar.
O certo é que ninguém, NINGUÉM, se aproximou para ler além do título…

terça-feira, 28 de agosto de 2007

La gaffe du jour

Estava a atender uns senhores ingleses, e um casal de portugueses a olhar. Os senhores ingleses queriam um fresh orange juice e começaram a falar sobre o quão doces são as laranjas portuguesas. E eu aproveitei logo para explicar que doces, são as laranjas do Algarve, sobretudo as de Silves. E estava eu em grande esforço para expor a minha filosofia da laranja em língua inglesa quando percebi que o casal continuava a olhar. E quanto mais eu falava, mais eles olhavam. Olhavam descaradamente com os olhos e com os ouvidos. E eu a sentir-me já muito mal com tamanha exposição das minhas deficiências anglófonas. Quando pensei que me libertara da tortura, a senhora portuguesa fez-me um sinal. Lá fui eu, a perguntar se a bica tinha ficado mal tirada ou se preferia adoçante. Mas a senhora desfez-se num sorriso e exclamou:
- Ai, estávamos aqui a ouvir a conversa e não resisto a dizer-lhe que a menina tem cá uma facilidade em falar inglês! Espreme-se muito bem! Não se espreme, ó Martim?
E eu, arrepiada, arregalei os olhos para o senhor que, esfuziantemente, se apressou em concordar!
- Ai espreme-se, espreme-se!!!
E eu, toda espremida, lá balbuciei um muito obrigada, vou exprimir umas laranjas para o sumo daqueles senhores...

Ainda sobre literatura gay

Depois de aqui ter postado as questões que me suscitaram os textos de Eduardo Pitta e de Henrique Raposo, constatei que a reflexão foi partilhada pela Tia Adoptada, que duplamente comentou o meu post, e pelo Paulo, que colocou um texto sobre o assunto no Felizes Juntos.
Recomendo vivamente a leitura atenta das perspectivas de ambos e aproveito para rectificar a vergonhosa confusão com que no meu texto utilizei o conceito de "género". Nada que eu não soubesse e, por isso, a culpa torna-se ainda mais grave.
Passo a citar a passagem do texto do Paulo que me fez regressar à cientificidade terminológica com que se devem abordar tamanhas questões:
Antes de mais, literatura não é um género. Na literatura, distinguem-se modos, géneros, subgéneros. Recorrer a literatura gay é um modo simplista de dizer que aquela obra, independentemente do modo, género ou subgénero, apresenta uma temática homoerótica (i.e., desejo sexual em que o objecto e o sujeito pertencem ao mesmo sexo biológico, sem precisarem de partilhar a mesma orientação sexual). Desta forma, não me parece possível existir um género homoerótico: existe uma temática que se assume como categoria essencial para a classificação como gay (o mesmo acontece na literatura autobiográfica, com a escrita da vida do eu).

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Henrique Raposo e Eduardo Pitta: ser ou não ser gay...

Posta, Eduardo Pitta, um comentário sobre o que, no Ípsilon, Isabel Coutinho escreveu sobre a literatura gay em Portugal. Risposta imediatamente Henrique Raposo que só há boa ou má literatura e que o "gay" não é para ali chamado. Contra-argumenta Pitta que o adjectivo acrescenta, não subtrai. Remata Raposo que "Literatura gay" não é género.
Pensando em voz alta, também, porque nem Raposo nem Pitta me deixam comentar os seus blogues, é óbvio que, em termos gerais, há a boa e a má literatura. Ou, melhor, há a literatura, porque a má literatura deixa de ser literatura. Mas sobre o que é a (boa) literatura ou a pseudo-literatura muito se poderia escrever, como se escreveu, sem que se alcançassem conclusões unânimes. Parece-me, contudo, que a exploração do homoerotismo na literatura pode permitir a criação, ao que se sabe muito recente, do género "literatura gay", como forma de sinalização de determinado tipo de literatura. Assim foi feito para, como relembra Pitta, o "histórico", "fantástico", "policial", de "espionagem" ou de "ficção-científica". Assim foi feito para a "Literatura intimista" ou para a "Literatura (também) para a infância", vulgo "Literatura infantil", termo que tem (mas tem mesmo) de cair em desuso, porque, como relembra o Tio Lunetas, citando Anna Serra i Vidal , "escrever para crianças não é escrever para tontos".
Mas, perigosamente, o mesmo se tem vindo a fazer para a "Literatura negra"ou a "Literatura feminina", criando-se, assim, guettos literários.
Importa saber se "Literatura Gay" é literatura exclusivamente escrita por gays ou para gays ou sobre gays. Se a genologia se apoia na esfera da emissão ou se a ela sobrevive, residindo no e com o texto.
O parêntesis de "Literatura (também) para a Infância", permite-nos compreender que não é literatura escrita por crianças e que a esfera do receptor recai sobre os adultos e simultanemante as crianças, ou seja, sendo (boa) literatura, agrada também os adultos.
Talvez o Paulo, especialista em estudos homoeróticos, me dê uma achega...
Aliás, a haver, por que não "literatura homoerótica" em vez de "literatura gay"?

Ainda sobre o Espiritismo

Só mais este post e depois prometo que me calo :-)

Perguntei aos meus pais o que sentiam ao ver a primogénita de quatro filhos afastar-se do catolicismo em que foi educada e abraçar uma outra doutrina que, embora cristã, é considerada, por muitos, uma seita (com toda a carga negativa subjacente a esse nome). Os meus pais surpreenderam-me pela positiva. Reconhecem que não são propriamente o exemplo do bom católico e que, perante o profundo ateísmo do meu irmão, perante o agnosticismo da minha irmã mais nova e o conformismo inconformado da mana do meio, não acham mal que eu procure estar mais próxima de Deus da maneira que melhor me aprouver.
Ainda não lhes falei do Espiritismo ou Doutrina Espírita, embora já lhes tenha mencionado o nome de Allan Kardec. A única recomendação deles foi, "embora confiemos em ti"... "cabecinha no lugar", "vê lá se é alguma seita que te levará ao fanatismo", "se virmos que te estás a passar, tiramos-te os meninos" :) Com uns pais assim, sei que estou bem guardada e que terei sempre com quem contar. Os meus irmãos respeitam, mas desfazem-se em perguntas, principalmente a mana do meio que já descobriu que sou espírita e não se assustou. Acho que até anda a pesquisar algumas coisas...
Sobre este aspecto particular da minha vida só tinha falado com a minha grande amiga que agora descobriu que afinal pode ser minha irmã :-), a Tia Adoptada.
Uma das coisas que inicialmente me tranquilizou no Espiritismo é o facto de haver uma comunidade científica espírita a nível internacional, factor que atribui uma maior credibilidade aos estudos efectuados. Em Portugal, há a Associação Médica-Espírita de que fazem parte médicos, farmacêuticos, engenheiros, astrofísicos, bioquímicos e outros profissionais das ciências.
Uma outra coisa que acabou por me tranquilizar é a alegria que sinto sempre que vou ao Centro Espírita Boa Vontade de Portimão. As pessoas que assiduamente se deslocam à nossa casa são pessoas muito queridas e muito bonitas por dentro. Temos lá irmãos de todas as profissões: professores, engenheiros, farmacêuticos, psicólogos, bioquímicos, donas de casa, carpinteiros, pedreiros, auxiliares de educação, administrativos, trabalhadores por conta própria, estudantes, desempregados, etc, etc, etc. São pessoas normalíssimas, sem pretensões a santidade, mas sérias, sem tendências, pelo menos visíveis, ao fanatismo. E, como não somos muitos, acabamos por formar um grupo bastante unido.
Um dos meus mais recentes contributos foi a criação do blogue A Casa da Boa Vontade . Um blogue que construí com muito carinho porque é muito o carinho que sinto pelos amigos do nosso centro.

Nervoso miudinho...

...foi o que eu senti durante a semana anterior. Fui convidada a proferir uma palestra no centro de oração que frequento. Gosto muito de ouvir, mas ser palestrante é algo que me deixa mesmo muito nervosa. Depois de muita insistência do Octávio, da força que o Cris me deu, e uns quantos sonhos que me foram perseguindo, acabei por aceitar o desafio. Correu muito bem e no Sábado passado lá proferi a minha palestra, Estórias e Parábolas, que postei no Blogue da Boa Vontade.
Para quem for lá espreitar, não se assuste. O que acabo de confessar publicamente poderá ser um choque para muitos. A palavra «espiritismo» é uma palavra que assusta. Mas Espiritismo não é sinónimo de bruxaria, feitiçaria ou vudu. O que é e o que não é o Espiritismo está resumidamente explicado aqui.
Baptizada, com a Comunhão feita e o Crisma também, concluí que a doutrina espírita respondia com lógica a muitos vazios que o Catolicismo relegou para os insondáveis e misteriosos desígnios de Deus. Atraiu-me, também, a idoneidade dos espíritas que eu já conhecia, a sua seriedade, sobriedade e postura. Atraiu-me, ainda, a renúncia à fé cega, acrítica, limitante e limitativa. O Centro Espírita não me pede dinheiro nem nada de outro mundo. Não me promete curas milagrosas nem a resolução dos meus problemas. Não é uma seita perigosa nem propriamente uma religião no sentido generalizado do termo. Juntamo-nos para estudar e para aprofundar o nosso conhecimento sobre a doutrina. Lá sinto-me bem.

Nervoso miudinho

Começa a aproximar-se a data de publicitação das colocações. Ficarei colocada? Perto de casa? Longe de casa? No básico? No secundário? No grupo 300? No grupo 320? E se não ficar? O Tobias fechará em Outubro ou Novembro... Não quero nem pensar.... Mas penso. E fico com um nervoso miudinho que eu sei que persistirá até dia 31...

domingo, 26 de agosto de 2007

R.I.P.

Fica o agradecimento a Eduardo Prado Coelho pelo notável contributo para o universo literário contemporâneo...

Limitações

Escrevo hoje como se fosse ontem, para chorar a conta da net deste mês... É que ultrapassei o limite de downloads internacionais. Vou ter de tirar umas férias do YouTube. Forçadas, claro está.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

La gaffe du jour

Uma senhora e o filho. Um pequenito de 4 anos, com quem brinquei um pouco e a quem peguei ao colo. Pago o consumo, ficou uma gorjeta simpática que a senhora se apressou a explicar:
- Já lá diz o ditado: "Quem meus filhos beija, minha boca endossa"!

E agora, com licença, vou ali endossar a vida com os meus Manelinhos e adoçar um cheque ao Cris...

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

La gaffe du jour

Era um senhor muito assenhorado. Falava sobre os velhos tempos, comparava as gerações que foram sucedendo à sua juventude, dissertava sobre a difícil arte de ser pai.
Queixava-se:
- Eu tenho 4 filhos e a todos vou dando os meus conselhos e exemplos de vida.
E rematou com categoria:
- Cabe a cada um deles retirar as devidas inalações!

Ilação ou moral da história: o desvario das novas gerações está explicado – ao que parece, o pessoal anda com o nariz entupido!

E agora, com licença, vou inalar os conselhos dos meus pais. Até já…

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

La gaffe du jour

Desconto, please, para a minha english syntax, ok?

Turistas britânicos. Pai, mãe e filho:
- It will be a plane burger and a portion of chips. – disse o pai.
- I want a salad chicken baguette. – disse a mãe.
- What about you? – perguntei ao puto.
A mãe respondeu por ele:
- He will have a cheese omelette, with chips and no salad, just onion and tomato and some ketchup and mayonnaise please.
Anotado o pedido, o miúdo, de pr’aí 8 anos, interpela-me, muito sério:
- And, please, I would like to have some eggs in my omelette...

terça-feira, 21 de agosto de 2007

La gaffe du jour

Esta é vergonhosamente minha.
Poderia ser um bom exemplo para o conceito de palavra fonológica, mas, por ora, é a gaffe du jour:

Chegaram uns clientes franceses, mesmo franceses. Compreendi que seria a minha oportunidadezinha de desenferrujar a língua (é que com os emigrantes eu recuso-me a falar francês). Mas este casal era mesmo francês. Entre o bonjour inicial e l’addition, o senhor pediu-me un expresso e outra qualquer coisa que teve de repetir porque eu não compreendi. Consegui, à terceira tentativa, captar as duas últimas sílabas que interpretei como a totalidade da palavra e que repeti com um sorriso triunfal: “Un salô?”, enquanto pensava no que seria um salô… E o senhor, muito sério, diz logo que não, que salô não! E a mulher desata a rir. Mas a rir a bom rir. E o senhor, já a rir também, levanta-se e dirige-se ao cartaz da Olá, aponta para o calipo e diz, mui-to de-va-ga-ri-nho: "Je veux un gla-ce-à-l’eau". Ah, un glace à l’eau! Um glassalô! Um gelado de gelo! Tirei o expresso e entreguei-lhe um calipo de laranja-ananás.
Assim que cheguei a casa, corri ao dicionário.
Salô, salot, salop, salaud… Transcrevo no que encontrei no Dicionário d’Argot Français (calão francês) on-line :
Salaud, salop, salope (fém): Insulte méprisante, souvent à caractère moral, voire idéologique ou politique : personne grossière, ingrate, injuste, méprisable, égoïste, méchante, malhonnête, brutale, de mauvaise compagnie, sournois, traître.
Salope: femme, insulte (pour un homme) ; femme (très péj.) ; traître, personne déloyale ; prostituée ; quelqu'un de sale ; indicateur (dénonciateur) ; femme qui aime baiser ; pour une femme, être sexuellement vicieuse, délurée ; femme très excitante.
Saloperie: Saleté au sens propre : ce qui est sale, dégoûtant, répugnant ; saleté au sens figuré : ce qui est immoral, injuste, grossier, irrégularité ; ce qui n'a pas de valeur, qui est mauvais ; individu méprisable, terme de mépris ; jeux sexuels, homosexualité.

Por outras palavras, salop = grandessíssimo filho duma puta...

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

La gaffe du jour

Esta é minha e intitulo-a "Da polissemia de pau":

Fiquei meia hora a cogitar sobre um sorriso malicioso com a resposta: "É todo seu." Trinta minutos, mais coisa menos coisa, para se fazer luz...
Eu retrocedo e explico:
Um cliente a terminar um Magnum e eu a limpar as mesas. Passo pela dele e, desdobrada em simpatias, tenho esta saída magnífica:
- Dê-me o seu pau. Ponha-o na minha mão.

... Ok. Podem rir. Eu deixo.

domingo, 19 de agosto de 2007

La gaffe du jour

Um emigrante de França para mim: "Bom dia, posso prender uma sandes para a praia?"
Prendre, prender. Voilà!

Variantes:
"Prender o pequeno-almoço", "apanhar uma cerveja".
Prendre le sandwich, prendre le petit-déjeuner, prendre une bière, prendre le bus

sábado, 18 de agosto de 2007

La gaffe du jour

Os clientes são simpáticos e eu simpática sou. Mas há sempre aquelas gaffes dos nossos emigrantes, dos nossos estrangeiros, dos nossos conterrâneos e de moi même.
A de hoje, um emigrante em França para mim:

"Desculpe, a senhora... Para ir à casa de banho é preciso consumar?"

Consumar, consumir, consommer. Voilà!

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Tobias








O Tobias fica na linda Praia dos Três Irmãos, a caminho de Alvor, no concelho de Portimão. Venham visitar-nos!

Ethical Euros

O contrato que assinei por oferta de escola terminou a 3 de Agosto e uma pessoa não vive do ar. O TyrannoRector-Rex e a Fada-Má, sua madrinha, não se apercebem do quão dolorosas podem ser certas medidas economicistas, mas sobre isso postarei noutro dia. O certo é que a contra-proposta que me apresentaram cheirou-me muito mal e aqueles mil euritos mensais saber-me-iam a lucro de uma prostituição moral. Assim, esvaziado o gabinete, aventurei-me no mundo das ofertas de escola. Lá consegui umas horas aqui e umas horas ali. Neste ano lectivo desdobrei-me em quatro estabelecimentos. Mas sobrevivi. O problema é que em Agosto, a casa tem de ser paga. E a comida para dois adultos que até sobreviviam a pão e água mas não dois Manelinhos em fase de crescimento. E a luz e a água e o gás e os seguros automóveis. E, se possível, o acesso à net, alguns livritos e uns gelados de fim de tarde, como pequenos luxos que nos alegram os dias.
No passado, foi o Tobias que me permitiu ir estudar para Lisboa, ao mesmo tempo que os meus três irmãos (duas manas na Covilhã e um mano em Coimbra). Hoje, o Tobias permite-me continuar a postar no Rabiscos e Garatujas e a visitar as minhas intropatias; celebrar 16 anos de namoro; comprar 2 CDs que há anos queria comprar; saborear gelados com os Manelinhos. Viver.
O melhor de tudo é que, sendo em muito menor quantidade que os acenados pelo TyrannoRector-Rex, são euros limpos, éticos, que não despromovem quem labutou pela valorização pessoal e institucional. São euros justos. Ethical euros.
Só tenho de ser simpática, rápida e eficiente. Dar o meu melhor. Servir bem os meus clientes.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

I Dont Know How To Love Him - Jesus Christ Superstar

Adoro a voz da Yvonne Elliman!

Hosanna - Jesus Christ Superstar

Sempre gostei desta passagem bíblica, a das boas-vindas a Jesus:
"No dia seguinte, uma grande multidão que tinha vindo à festa em Jerusalém ouviu dizer que Jesus se ia aproximando. Saíram-lhe ao encontro com ramos de palmas, exclamando: Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor, o rei de Israel!" (Jo 12,12-13)

What's The Buzz/Mystifying - Jesus Christ Superstar

O Ted Neely lindo, lindo;um cheirinho da maravilhosa voz da Ivonne Elliman; o brilhante Carl Anderson.

West Side Story-Tonight (Ensemble)

Estive indecisa entre o Prólogo, a canção dos Jets, a da Maria e a da Tonight interpretada pelos protagonistas. O ensemble da que aqui fica postada deixa-me satisfeita.

West Bank Story Trailer

Oscar 2007: Melhor Curta-Metragem de Ficção.
West Side Story transposto para a actual realidade israelo-palestiniana.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

A pequena loucura do dia...




Comprei dois CDs que há muito tempo queria possuir. As bandas sonoras de dois dos musicais (sim, eu gosto de musicais, gosto muito de musicais) da minha vida:

West Side Story de Leonard Bernstein, com Natalie Wood, Rita Moreno and George Chakiris.
O Cris tem a versão "ópera" dirigida pelo próprio compositor, com as vozes de Kiri Te Kanawa e José Carreras, mas prefiro as vozes dos actores que animaram o filme de 61.
Jesus Christ Superstar, o filme de 1971, de Andrew Lloyd Webber, com Ted Neely (por quem eu na altura estava apaixonada), Yvonne Elliman e Carl Anderson.
Não encontrei os DVDs. Guardo-os para outra pequena loucura de um outro dia.
Mas há ainda outros na lista: Oliver Twist, Cats, O Fantasma da Ópera, West Bank Story, Candide, ...
A minha sorte é que, cá em casa, com o Sr. Compositor, música não me falta!

15 de Agosto

É uma data especial. Faz hoje 16 anos que eu e o Cris começámos a namorar. Festejámos a ocasião como ela merece e, de há seis anos para cá, sempre acompanhados dos nossos Manelinhos.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Ebriedade

Estou bêbada. E sabe-me bem.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Natália Fonseca / Olga Correia

Na feira do livro, em Portimão, o Nuno gritou a plenos pulmões:
- Olha a Olga!!!!
- A Olga?! Onde, Nuno?
- Aqui, na capa deste livro!!!!
... era a Antologia Poética, de Natália Correia, organizada por Fernando Pinto do Amaral e com a chancela da Dom Quixote...

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Maria do Sameiro Pedro...

... gostou do Rabiscos e Garatujas! Numa visita ao Alcameh, descobri o meu blogue no espaço que guardou para as suas referências! Vindo de quem é, é uma honra.
Conheço Maria do Sameiro Pedro através dos ensaios que vai escrevendo e das comunicações que vai proferindo sobre o que se vai escrevendo para crianças.
Visitem o seu blogue ou a sua página pessoal e encontrarão links infinitos a não perder!

domingo, 5 de agosto de 2007

Filosofia em torno da galinha

Em resposta aos comentários que a Tia Adoptada deixou aqui.
Tia Adoptada,
Julgo que compreendi o essencial do teu ponto de vista e não deixo de concordar com parte da tua perspectiva.
Efectivamente, se a galinha ruiva tivesse partilhado o pão no fim, poderia ser uma grande bofetada aos três mandriões. Ou talvez não... é que há pessoas que, por mais oportunidades que lhes sejam dadas, ou não nas compreendem como oportunidades ou simplesmente não aprendem... isto é, há sempre os oportunistazinhos que estão à espera que lhes sejam feitas as coisas e que no fim não valorizam minimamente as pessoas que os ajudaram. Exemplo: por mais que tu te mostres solícita a uma certa pessoa que ambas conhecemos e que não mexeu uma palha quando me puseram os patins, essa mesma pessoa continua achar-se Senhor de um feudo, e nós, as suas vassalas... O pior é que nem protecção ele nos dá, como é suposto no acordo feudal... enfim...
Esta pequena história fez-me lembrar a fábula que ambas bem conhecemos, pelo "não" do fim. A grande diferença é que a formiga nunca pediu ajuda à cigarra e, por isso, não passa duma grandessíssima egoísta. Esta nossa galinha pediu ajuda. Mais que três vezes. Se ela, no fim, oferecesse o panito, não poderia a estar a contribuir para a sedimentação da preguiça das pobres almas? E, andando para trás do que a história nos conta, sabe-se lá se não foi esta a gota de água para aquela galinha que durante uma vida inteira pediu ajuda e no fim ofereceu a outra face a quem lha negou!
A propósito desta expressão, proferida por Jesus, estou com um trabalho em mãos sobre a relação das suas parábolas com alguma da literatura tradicional. Sobre isso depois te conto.
Para te tranquilizar: contei ao Nuno da tua perspectiva. Resposta: "Então ela é da minha equipa? Boa!"

sábado, 4 de agosto de 2007

Eu tenho dois amores

Quando me inscrevi, elegi António Torrado como alvo de estudo para a dissertação da minha tese de mestrado. Por motivos múltiplos, vários e diversificados, a providência levou-me a Baptista-Bastos.
Só fiquei a ganhar.
Agora tenho dois amores.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

História com galinha dentro...

O livro que o Nuno tinha em mãos apresenta uma versão de um conhecido conto tradicional. Título: Little Red Hen; ilustrações: Graham Percy; Editora: Ladybird Books; Colecção: Read it yourself with Ladybird. Edição bem recente.

Começa assim:
"Will you help me plant the wheat?" asked Little Red Hen.
"No", said the rat, the cat and the dog.
"Then I will plant it all by myself," said Little Red Hen.
And she did.


E vai por aí adiante. O diálogo repete-se no momento da ceifa, da moagem e da feitura do pão.

Nas últimas páginas lemos:
"Will you help me eat the bread?" asked Little Red Hen.
"Yes", said the rat, the cat and the dog.
"No,"said Little Red Hen. "I will eat it all by my self."

And she did.


A versão de António Torrado, A Galinha Ruiva, bem mais antiga, foi editada em 1979 pela Plátano Editora na Colecção "Caracol" e ilustrada por Carlos Barradas. Uma versão muito mais bem conseguida, tanto a nível linguístico como a nível pedagógico. Espreitemos apenas o início como exemplo do trabalho do ritmo pelo recurso à repetição e a alternância entre frases longas e curtas. A versão inglesa também o faz, mas em menor escala.Para além de estimular a criança para a potencialidade musical da linguagem, o ritmo permite, por um lado, a memorização, e, por outro, a antecipação do que se segue, convidando o ouvinte a participar no contar da história.

A galinha ruiva achou umas espigas de trigo.

Ela chamou o gato.

Ela chamou o ganso.
Ela chamou o porco.

A galinha ruiva disse:

– Quem me ajuda a semear o trigo?
– Eu não – disse o gato.
– Eu não – disse o ganso.
– Eu não – disse o porco.
– Então semeio eu o trigo – disse a galinha ruiva.
E ela semeou o trigo.

O diálogo repete-se no momento da ceifa, do transporte da colheita, da amassadura e da cozedura. Por último:

- Quem me ajuda a comer o pão?
O gato disse:
- Miau! Miau! Miau! Quero eu, quero eu, quero eu.
O ganso disse:
- Quá! Quá! Quá! Quero eu, quero eu, quero eu!
O porco disse.
- Gurnin! Gurnin! Gurnin! Quero eu, quero eu, quero eu!

A galinha ruiva disse:

- Vós não me ajudastes a semear o trigo.
Vós não me ajudastes a ceifar o trigo
Vós não me ajudastes a levar o trigo.
Vós não me ajudastes a amassar o pão.
Vós não me ajudastes a cozer o pão.
Pois então vós não me ajudareis a comer o pão!
Os meus pintainhos comerão o pão.

A galinha e os pintainhos comeram o pão.

Alguns aspectos que não os linguísticos a reter neste desfecho:
1. Permite a criança recuar até ao início, recuperando os momentos essenciais da história;
2. Apresenta uma justificação explícita para a atitude da galinha. É perceptível, aqui, a relação entre a causa e o efeito.
3. A galinha não fica só. Tem os seus pintainhos que merecem comer o pão porque são demasiado pequeninos para ajudá-la ( e aqui a criança sente-se aliviada por não ter de se identificar, em parte, com os três preguiçosos).

Há um projecto na internet onde podemos ler as histórias que António Torrado nos vai oferecendo todos os dias. Chama-se Uma história por dia. E vale a pena, oh, se vale!


"Coitada da galinha!..."

D. Nuno tornou-se num devorador de livros. E não é sem orgulho que o afirmo.
Ontem, estávamos ambos a ler, cada um o seu livro. Quando me levantei para ajudar o Tomás que me chamava ainda ouvi o murmúrio do menino leitor: "Coitada da galinha." Ficou-me registado em estado latente. Pois, estava eu já noutra divisão da casa, com o Tomasinho, quando o Nuno entra num pranto indescritível. "Tombou", pensei eu. Mais o pranto aumentava, mais eu ia ampliando o tombo: "Tombou-lhe a estante dos livros em cima!" Corri. Corremos. Eu e o Tomás. O Nuno, sem conseguir proferir uma palavra, sem controlar a respiração, brandia o livro e apontava, lavado em lágrimas, para uma página ilustrada.
Muitos minutos depois, muitos beijinhos depois, muitas festinhas depois, lá conseguiu explicar, sem interromper o seu choro que se tornava desesperante:
- Coitada da galinha!
- Coitada porquê, Nuno?
- Coitadinha, ninguém a ajuda!
- Nuno, tu já conhecias esta história e sabes que tem um final feliz...
- Sim, mas até chegar ao fim é muito triste!
- Então não leias o meio. Lê a última página!
- Como pode ser? Para chegar ao fim, tenho de passar pelo meio!
Suspiro. Santa paciência!
- Então eu vou guardar o livro, lês quando cresceres um pouco mais. Lê a versão do António Torrado que é um pouco diferente.
- Não, quero este, e quero que o leias em português.
Lá comecei:
- - Querem ajudar-me a semear o trigo? - perguntou a galinha ruiva.
- Não - disse o rato, disse o gato e disse o cão.
O choro, que começava a desapareceu, ressurgiu em força:
- Odeio a minha avó que me ofereceu este livro tão triste! Odeio-a! Odeio-a!
Novo exercício de controlo da respiração. Lá lhe consegui contar a história até ao fim. Depois passei à versão do António Torrado. O Tomás explicou:
- Nuno, não chores. A história acaba bem. É para nos ensinar que só conseguimos as coisas se trabalharmos e que não ganhamos nada se formos preguiçosos.
De parvo, o Tomás não tem nada.
D. Nuno acalmou-se, mas soluçou, baixinho, até se deixar dormir.

Edner Morelli

É paulista e muito reservado. Mais importante: é o autor de Latência, e eu tive o privilégio de o conhecer em Tormes.
O seu livro, de 2002, com a estampa da Temporal Editora, tem na capa uma adaptação do quadro Cidadão Laranja de Leonardo Valdereis, na badana palavras do poeta, ensaísta, cronista e professor Affonso Romano de Sant'anna e, como prefácio, um texto subscrito por Caio Porfírio Carneiro, escritor e ensaísta brasileiro e secretário executivo da União Brasileira de Escritores.
Pulula nos seus versos a reflexão meta-poiética com um toque de solidão. Calo-me. Fala o Poeta:


«Latência»

Meus poemas estão perfilados
Amotinados e confinados
Dentro de minhas incertezas
Forçam a explosão
Clarão de luzes inquietas
Uns saem imaturos
Outros chorosos
Alguns indicam mutações acentuadas
Mas como uma noturna doutrina
Visito-os em seu delírio de penumbra
Humildemente entendo-os
Alimento-os das melhores sínteses
Que possam existir
A satisfação do verso compreendido
Lava-me ao auto-exílio das senações amenas
Palavras palavras palavras
Às vezes onde se escondem?
Às vezes tento colhê-las
O que encontro?
Larvas larvas larvas
E minhas inquietações pervagam
Em busca de novas velhas brigas
Pelo relâmpago da criação

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Piano




O instrumento da minha vida!

Piazzola




O compositor de Tango da minha vida!

Bach




� o compositor da minha vida!

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Tormes...

... não foi um privilégio exclusivamente meu. Éramos 23, se não me trai a memória, felizes da vida pela oportunidade que a FEQ nos deu.
A primeira colega que conheci foi a Vivienne. Estava sentada num murinho da Campanhã a ler A Ilustre Casa de Ramires. Meti-me com ela. O seu destino seria, com toda a certeza, o mesmo que o meu. É que, e infelizmente, não pululam por aí pessoas a ler publicamente Eça de Queiroz (sobre o z já aqui falei). Aliás, nem Eça, nem Camilo, nem Garrett... Pois então, a Vivienne, uma das poucas heróinas formada em estudos clássicos, era também bolseira do Curso Internacional de Verão e seguia rumo à Ermida. Com ela partilhei a viagem no regional, o quarto na Quinta da Ermida e o regreso no Alfa Pendular que não perdemos por um triz, por causa de um Dragão na cidade invicta e do Ziraldo a 1 euro e meio. Da cidade dos Clérigos vieram a Anita e a Laura, recém-licenciadas e com a expectativa, que sabem falsa, de uma colocação em Setembro.
A Vivienne é bonita, simpática e divertida, como o Francisco, alentejano, um pagode de moço. Com ele foi rir até mais não. E havia o outro Francisco, com nome de Imperador. Doutorando em Estudos Queirosianos na Universidade Aberta, foi o meu par intelectual durante a semana. Com ele, a diversão aproximou-se de um sadismo quase mórbido, por causa do sofrimento inculcado à sua companheira de quarto, a pobre Andreia, também doutoranda em Estudos Queirosianos, mas pela FLUP. As olheiras dela metiam dó. Não dormia por causa do Franscisco e o Francisco até já tinha medo de dormir por causa dela. A belíssima Andreia é brasileira, assim como o Davi(sempre muito curioso por tudo o que o rodeia e a braços com uma tese de mestrado sobre o silêncio da Belimunda do José Saramago), a simpática Adriana (jornalista e mestranda em Estudos Queirosianos em Évora) e o Edner Morelli (assistente universitário de S. Paulo e tcham! poeta! - sobre ele guardo um comentário que postarei brevemente).
Regressando à viagem de ida: eu descobri a Vivienne e a sapiente Fernanda, doutoranda em Ciência da Educação, descobriu-nos a nós. Caboverdiana e branca que tanto fala em português quando está com portugueses como se destroca em crioulo quando está com as suas gentes. No comboio ela descobriu, ainda, as bonitas BemVinda, DaLuz e Du, concretizações fidedignas do conceito de morabeza.
De outros cantos do mundo chegaram o Pedro, do México e a bonita Lizette (do Chile), ambos com um delicioso sotaque hispânico. Seguro-me para não acrescentar a Lénia que não é estrangeira, mas está lá perto, porque o jardim da Madeira é, sabemo-lo nós, um mundo à parte. A Lénia é estudante de Licenciatura na UMa, assim como a Cândida, que estuda no continente. Bem portugueses, da capital, e provenientes da minha saudosa FCSH, o Hélder e o Carlos cujas contagiossas gargalhadas ficarão para a História de Tormes e de cada um de nós.
Longe do mundo académico literário estiveram também connosco dois apaixonados da obra queirosiana (verdadeiramente apaixonados, pois as despesas do curso ficaram por sua conta): o Prof. Manuel, Professor de Psicologia Clínica na FPCE, e a sua esposa, a Drª Maria Celeste, pasmem!, economista!
Por puro gosto, também, a Ângela, formada em Clássicas e colega de desventuras no que resta do Politécnico no nosso país...
Era um grupo simpático e alegre que foi muito bem tratado pela Sandra e pela Anabela, incansáveis, exímias, irrepreensíveis.
De Tormes regressámos todos mais ricos, de coração cheio, e com muita, muita, muita vontade de regressar aos texto de Eça nos legou!
Não é?