quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Pela culatra

Quero emagrecer. Quero regressar à casa dos 40. Cortei com os doces. Esforço-me por beber muitos líquidos. Água, chazinho e até um litro daquela mistela de beringela. Caminho 6 km por dia (que isto de correr é muito violento para mim). O problema é que tudo isto fez aumentar o meu apetite. Em vez de uma, passei a comer duas sandes ao pequeno almoço.... Haja paciência!

Molas

Ré, mi, fá, sol, lá, si, dó, ré, ré, dó, si, lá, sol, fá, mi, ré.

Eu - Em vez de repetirem o ré lá em cima regressem logo ao dó: si, dó, ré, dó, si... E para os arpejos também. Perceberam?
Tomás - Não...
Nuno - Como as molas, Tomás!
Eu - Quais molas?
Nuno - Quando estendes a roupa, para poupares molas pões uma a juntar duas peças, não é?
Tomás - Ahhhhh!....

Pintura Mediúnica

Ontem foi dia de pintura mediúnica com o Florêncio Anton. Já tinha assistido a uma sessão dessas o ano passado e, por isso, desta vez não fui pela novidade. É que, para mim, é sempre bom estar na Casa da Boa Vontade. Gosto d@s amig@s e do ar que por ali se respira. Para além do mais, desta vez fui acompanhada pela minha mãe e pela mana do meio. Movidas pela curiosidade, claro. Foi bom, apesar de achar que os amigos espíritos abusam um bocado. Esquecem-se que nós, encarnados, temos um corpo que se cansa e que precisa de repouso; que o sono nos assalta quando as horas se alongam. É que a coisa começou às 21 e terminou já passava das 24.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Sofia Lourenço

Descobri-a através da Tia Adoptada que tem um post sobre ela e que nos deixa ouvir uma das faixas do novo álbum, Porto Romântico - Mazurkas e Romanzas. Na Outra Margem há informação sobre as músicas que compõem este CD. Para além de pianista (com mestrado e doutoramento e tudo), é licenciada em Línguas e Literaturas Modernas. Grande Sofia!



domingo, 27 de janeiro de 2008

Dispersos encontrados por aí

(título inspirado, mas não copiado, no blogue do André Benjamim)

1. Hoje estou aburrecido. in Diário do Nuno
2. 4x1=4 4x2=8 4x3=12 4x4=16 a mamã é porca e má. in papel de estudo do Nuno
3. A mamã é uma coelha. in Diario secreto do Tomás
4. sumafuro. in Caderno de desenhos do Tomás
5. Era uma vez uma menina chamada Sinderela. A mãe dela morrera e poriço vivia com o pai a madrasta e as duas filhas da madrasta. Ela era muito mal-tratada. in Caderno de desenhos do Tomás
...

Em casa de ferreiro...

Alquimia

Descobri um novo blogue novo. A Alquimia do Verbo. Um blogue pessoal, intimista, onde o autor vai escrevendo sobre um pouco de tudo. Descobri, ainda, que o Paracletus já tinha descoberto estes Rabiscos. Fico sempre muito contente, claro. Mas do que não gostei nada, mas mesmo nada, foi do facto de estarem numa coluna intitulada "Via Seca". Não é que sejam propriamente húmidos, mas os meus Rabiscos não são sequinhos, pois não?

Na Outra Margem da Rádio Europa


Cheguei à rádio, ao programa e aos respetivos blogues por causa da entrevista ao José Sacramento. Não podia ter feito melhor descoberta! A Rádio Europa é uma rádio de cultura que nos leva aos universos contemporâneos do Jazz, da música erudita/clássica e, aos fins-de-semana, da música francófona. O seu blogue tem um nome muito sugestivo: Jazza-me muito.
Na Outra Margem acontece às 19h05m das quintas e às 11h05m dos sábados. Editado e apresentado por Manuela Paraíso, é um programa dedicado à música erudita/clássica portuguesa contemporânea. Uma alternativa, ainda que intermitente, à Antena 2.

Edição de Música em Portugal

Foi o tema da mais recente emissão do programa "Na outra margem" da Rádio Europa, editado e apresentado por Manuela Paraíso. Entre os convidados estava o José Sacramento, autor de Notação Musical - Manual para Escrita, Edição e Revisão e responsável pela Editora Notação XXI. Foi com muita pena que não ouvi a entrevista... Fico-me pelo livro...
(Ok, eu digo a verdade, pela introdução e pouco mais, porque o resto, ainda que bem explicado, é mesmo técnico. )


José Sacramento. Notação Musical - Manual para Escrita, Edição e Revisão, Linda-a-Velha, Notação XXI, 2007.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Paola - I

É assim que o seu nome aparece no B.I:, mas para nós é simplesmente Paula. Paula Gamito.
Conheci-a deste modo, toda mimosa, a reclamar que eu parecia tão mais nova e depois surpreendeu-me com a sua idade, 6 anos mais velha, a parecer com menos do que eu supunha. Ou seja, eu tinha 17 e achava que ela também. Depois, para além da constatação de que andávamos a ludibriar Cronos, descobrimos outras coisas em comum: as origens goesas (eu a 100%, ela a 25%. As misturas dão sempre óptimos resultados e ali estava a Paula como prova); o berço em Lourenço Marques; a mais velha de duas irmãs e um irmão, exactamente pela mesma ordem; a paixão pela França geográfica, linguística e cultural; um namorado do signo balança; a pequenez de altura; uma tendência pela direita (eu mais extrema do que ela, ... quem diria) a pele acobreada; os olhos e os cabelos escuros (os dela mais que os meus). Passávamos por irmãs e havia quem nos confundisse.
A Paula engraçou comigo e adoptou-me. Eu engracei com ela e deixei-me adoptar. Eram grandes declarações de amor, muitos beijinhos no intervalo, de mãos dadas na rua. Eu era o seu “mimo”, “miminho”, a sua “boneca”, a sua “doçura”. Mais comedida, eu chamava-a de “Paula” ou “Amiga”, ou, vá lá, muito espaçadamente, “Coração”. Raptava-me para a casa dela, fazíamos noitadas para acabar trabalhos intermináveis, mas a nossa cabeça estava noutros lugares a que, sem reservas, fazíamos questão de voltar. Noitadas outras, para sair com @s amig@ dela e das manas. Ela punha-me toda pipi. Abria o seu guarda fato e generosamente me entregava uma saia curta, ou com uma racha grande, calçado a condizer, um blusa decotada. Eu balbuciava, que não era preciso, que não era o meu género (car@s leitore(a)s que me conhecem, sabem que NÃO é o meu género), que me ia sentir artificial, que eu tinha o C. e não queria que outros gajos me andassem pr'aí a mirar, etc, etc, etc. Ela fixava-me o olhar, que eu era tão bonita, um desperdício de andar aí a esconder as formas, quais formas, perguntava eu a olhar para o espelho, és tão linda bonequinha e nem te apercebes, vá lá, senta-te vou-te fazer um penteado original, depois punha-me uns brincos, borrifava-me de perfume, fazia questão de me pintar os lábios, de colocar o rímel e aquela cena que se põe nas pálpebras e rematava com um lápis. Levava-me para a noite, para bares e discotecas, apresentava-me ao seu círculo de amig@s e eu lá me deixava arrastar, toda enfeitada, e assumia um outro eu que não era eu. Aquelas roupas e aquela pintura toda em cima eram a minha máscara. Quase, porque assim que um rapaz demorava um pouco mais o olhar eu refugiava o meu nos desenhos do chão. De regresso, com pezinhos de lã para não acordarmos os pais e as manas que nem sempre saiam connosco, bebíamos um cacau quente (um dia eu explodi uma caneca no microondas…) e enfiávamo-nos na cama. Dormíamos abraçadas. Eu, com um pijama vitoriano, ela, com os seus calores despudorados, em camisinha de alças. Agora, à distância, vejo que poderíamos passar por amantes, mas nunca tal me (nos) passou pela cabeça. Era uma amizade muito espontânea, sem cá tempo para mariquices dessa laia. E tão forte, tão forte, que na Fac nos libertávamos uma da outra. Ela tinha o seu grupo de amigas enquanto que eu saltitava de grupo em grupo, me perdia na biblioteca, espreitava as aulas do curso de Ciências Musicais ou me sentava no pátio a ver passar a minha paixão secreta...

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

FCSH

Recordar o Luís Caldeira e o edifício novo fez-me recordar os muros pintados pelo M.A.T.A., as aulas, a esplanada, as minhas amigas e os meus amigos, a minha paixão secreta e os anos maravilhosos que vivi durante a licenciatura.
Setembro de 1993. Eu estava inquieta. Assustada. Tinha 17 anos e ia viver na capital, a 300 km de casa, longe do aconchego da família e longe dos amigos da secundária. Tranquilizava-me, porém, saber que iria ficar alojada na casa de um tio de que gosto muito e que teria o apoio de uma tia que adoro. Tranquilizava-me, também, saber que o C. estaria por perto. Nesse ano entrou ele, como caloiro também, na E.S.M.L.
A primeira pessoa que conheci foi a Paula. Estávamos a passar os horários e ela virou-se para mim, com o mais mimoso dos sorrisos que até hoje conheci, e perguntou-me:
- Olá, então ‘tou a ver que a tua mana vai ficar na minha turma.
- Mana? Qual mana?
- Não estás a passar o horário para a tua mana?
- Não, é para mim…
- Para ti?! Mas pareces tão novinha, tão novinha!
Um parênteses para dizer que, realmente, até ser mãe aparentei ser muito mais nova. Aos 14 davam-me 10 e aos 17, 14. Nos primeiros anos em que dei aulas, os alunos pensavam que eu era uma colega nova. Depois, com os cabranitos dos meus filhos, envelheci. Fim de parênteses.
A Paula conquistou-me assim, com aquele sorriso mimoso, com aqueles olhos grandes e bonitos, com aquela afectuosidade enorme e tornou-se na minha melhor amiga. Eu, que sou uma vaca, uma cabra, uma puta (porra, tenho de actualizar o meu calão, falta-me vocabulário…) pouco ou nada lhe tenho escrito. A ela, que está tão longe, em terras gaulesas, com dois filhos lindos, um marido maravilhoso e que volta e meia me manda notícias. Mas isto vai acabar, oh se vai! Fim deste novo parênteses.
Depois, conheci as outras meninas e os outros três únicos gajos da turma. Lembro-me da primeira aula, de como estávamos todos tão calados, de como foi um tremendo choque ouvir a Véronique Forestier, a nossa professora de Francês, que era francesa, a falar em francês durante os 120 minutos que durou a aula, de como a sala foi invadida pelos colegas do 3º ano que nos vinham praxar, de como quis aderir ao ao M.A.T.A., não pelas tunas mas por causa da tradição académica (e de como, mais tarde, já estava eu no 3º ano, uma caloira me implorou para que fosse eu a sua “madrinha”, de como cedi tão facilmente), de como fiquei semi-secretamente apanhadinha por um professor, de como me senti inteiramente feliz no final do primeiro dia da FCSH. Lembro-me, também, das minhas correrias por Lisboa, entre o Campo Pequeno e o Bairro Alto, onde estudava e trabalhava o C., dos amigos dele, dos passeios de mãos dadas por uma cidade solarenga. Lembro-me de amar Lisboa e de ali respirar poesia. Gostava de me escapulir sozinha, olhar para o Tejo, subir as colinas, espreitar as ruelas.
Tempos em que o coração transbordava felicidade. E eu quero celebrá-lo. Em memórias a rabiscar e garatujar por aqui.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Um mimo

(...) este [vídeo] é para tu e só tu pores no blogue!
Beijinhos

Sempre gostei muito das manifestações da ironia romântica. E nestas garatujas assentam lindamente.
Obrigada, Paulo, por este mimo. E beijinhos para ti também. Muitos.

As minhas boas-vindas...

... ao Lendas e Legendas, um blogue que simbolicamente nasceu no dia da morte de Heath Ledger e que nos promete um desfile de opiniões sobre filmes, livros e, quiçá, outras artes.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Parabéns


Os meus parabéns ao Lobo Leitor pelo seu primeiro aniversário.
Um blogue sobre literatura e ilustração para a infância que gosto de visitar.

o(B)rar

Um dos livros que está, actualmente, na minha mesa de cabeceira é o Segue-me!.. de Emmanuel pelo Chico Xavier. É um livro maneirinho, com textos de página e meia de leitura fácil e agradável. Ontem, ao abri-lo de olhos fechados, calhou-me este texto, que gostaria de transcrever por vir muito a propósito deste debate. A Tia Adoptada apela à acção. E muito bem. Referi a importância da oração e sublinhei, ainda, que agir é a melhor forma de orar. Emmanuel também pensa assim. Gosto particularmente do penúltimo parágrafo.


O Bem que não foi feito...
"Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé e não tiver as obras? Porventura, a fé pode salvá-lo? (Tiago, 2:14)"

Estranha a norma do homem quando julga possuir as chaves da Vida Superior simplesmente por manter a fé, como se batasse apenas convicção para que se realize serviço determinado.
Comparemos fé e obras com a planta e as construções.
Sem plano adequado não se ergue edifício em linhas correctas.
Note-se, porém, que o aleijão arquitectónico, improvisado sem plano, ainda serve, em qualquer parte, para albergar os que jornadeiam sem rumo, e o projecto mais nobre, sem concretização que lhe corresponda, não passa de preciosidade geométrica sentenciada ao arquivo.
Um viajante transportará consigo vasta colecção de croquis pelos quais se levantará toda uma cidade, mas se não dispõe de uma tenda a que se abrigue durante o aguaceiro decerto que os desenhos, conquanto respeitáveis, não impedirão que chuva lhe encharque os ossos.
Possuir uma fé será reter uma crença religiosa; no entanto, cultivar a fé significa observar segurança e pontualidade na execução de um compromisso.
Ninguém resgata uma dívida unicamente por louvar o credor.
À vista disso, não nos iludamos.
Asseguremo-nos de que não nos faltará a Bondade Divina, mas construamos em nós a humana bondade.
Por muito alta a confiança de alguém no Poder Maior do Universo, isso, por si só, não lhe confere o direito de reclamar o bem que não fez.


Francisco Cândido Xavier/Emmanuel, Segue-me!..., Matão, O Clarim, 2002; pp. 53-4

Contas

Por causa desta história e a da falta do raciocínio matemático, lembrei-me de uma outra, há 7 anos, com a minha sobrinha que tinha a idade que os Manelinhos têm hoje.

Cena 1 (intróito)
Eu - Então, sogrinha, que lufa-lufa! Está stressada assim porquê?
D. Rosa - Ai, mulher, nem me digas. Está tudo atrasado! O Tó (era assim que ela chamava o C.) está quase a chegar para o almoço, o Pedro está com pressa porque tem uma reunião e o teu sogro está cheio de fome.
Eu - Então, eles que se desemerdem. Havia de ser comigo (tanto foi que olhem no que deu...).
D. Rosa - Deixa lá, que eu cozinho com muito gosto e muito amor para os meus filhos e para o teu sogro.
Eu - Uuuiiii... nota-se. E a Soraia?
D. Rosa - Foi comprar o pão. E está a demorar mais do que devia. Vai ouvi-las, ai pois vai.
Eu - Deixe lá a netinha que ainda é pequenina. Já muito faz ela.
D. Rosa - Ai a panela ao lume!

Cena 2 (o nervo principal)
Soraia (sem fôlego e coradinha) - Vóóóóóóóóó´!
Eu - Olá boneca, tás bonita!
Soraia - Vóóóóóóóóó´! Olá tia.
D. Rosa (da cozinha) - Que éééééééééééééé?!
Chega à sala, com a colher de pau numa mão e a limpar a outra no avental.
D. Rosa (de olhos incrédulos, a olhar para as mãos vazias da menina) - O pão?
Soraia - Ó Vó, tu pediste 15 papossecos mas só havia 8...
D. Rosa (a abrir muito os olhos) - Ah, desgraçada, e não sabias ir a outro lado?
Soraia (aflita) - Eu fui, Vó, eu fui.
D. Rosa (já a bracejar) - E porque é que não trouxeste o pão?
Soraia- (aflitérrima) - Mas ó Vó, não havia 15 papossecos. Só havia sacos de cinco.

A D. Rosa ficou branca, vermelha, azul, cor-de-rosa, de todas as cores. De olhos flamejantes, só conseguia repetir:
- 3x5, Soraia! 3x5, Soraia! Para que é que andas na escola? Para que é que andas na escola? 3x5, Soraia!
E a Soraia, suplicante, refugiou-se nos braços de uma tia impiedosa que gargalhava sonoramente.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Abelha Maia

Olhando bem, assim com muita atenção, acho que até sou bastante parecida com a Abelha Maia.
Quanto ao título do episódio, é o que é, um nascimento simbólico depois da minha visita à página da Rádio Comercial.
Vou soltar a abelha que há em mim...

La gaffe du jour

Eu - 5x3, 'Más?
Tomás- Só di a tabuada até ao 4 lá na escola, ainda não di a do 5, mamã.
Eu - Não é di.
Nuno- Iiihh, ca burro. É "Ainda não aprendei", Tomás, "a-pren-dei".

Textos e Pretextos


Já saiu o nº 10 da Textos e Pretextos. Revista de que sou fã incondicional. Sobre este número, dedicado a Manuel Gusmão, umas linhas por Eduardo Pitta.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Felizes Juntos: no Sábado...

... o Paulo fez uma coisa fantástica. Para a comemoração do seu 33º aniversário reuniu os seus amigos como nunca o fizera antes. Amizades nascidas e mantidas em contextos diversificados. À partida, é arriscado adivinhar o êxito da tentativa de juntar, em ambiente de festa, pessoas que não se conhecem de lado nenhum. Na festa do Paulo, a amizade por ele falou mais alto e sentimos (eu pelo menos, pronto) que amigo de meu amigo...
Fiquei ao pé da Sofia, amiga e companheira da mestrado. Depressa passei a conhecer, ao vivo e a cores, alguns dos amigos que tornam mais coloridos os dias do Paulo: o João e os seus olhos azuis, a Vanessa que é bem mais bonita que a foto revela; a Kika, simpatiquíssima; a Teresa mais reservada mas sempre sorridente; o Nuno que é um gajo giríssimo, com uns olhos giríssimos e um sorriso giríssimo; a Fernanda, vulgo Monga, por quem eu tinha uma curiosidade especial e por quem senti uma empatia acrescida (uma empatia mútua, pelos vistos). A Monga estava com óculos e o Paulo com apetite, pelo que pude vislumbrar uma nesgazinha do que pode ser a monguice de ambos quando se juntam. Estava também na festa o Eduardo Pitta, acompanhado pelo Jorge. O Jorge deixou-me particularmente encantada, por aqueles motivos que a gente não sabe explicar muito bem... Senti a falta da Inês e d' A Professora que não puderam comparecer.
Neste Sábado conheci, finalmente, o . Bonito, elegante, charmoso, uma voz com um timbre daqueles, os tais olhos de que o Paulo já falara, a gentileza. Fiquei rendida.
Neste Sábado, pela energia que se respirava, ali, com o Paulo e o Zé e todos os seus amigos, compreendi que não podia ser outro o nome do blogue que se chama Felizes Juntos.

Ir a festas de anos assim dá vontade de comemorar também o nosso aniversário. Ora aí está uma coisa que não faço desde a adolescência... Nem tão cedo fá-lo-ei. Mas essa é outra história.

Notita: Pela felicidade, pelas alianças, pela distribuição dos lugares, eu diria que o aniversário mais pareceu um pretexto para a comemoração do vosso casamento... Diria, mas não digo.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Inês

Deixei passar o aniversário da Inês. Disse-me, no Messenger, que foi no dia 13. Prometi-lhe que redimir-me-ia com um post no Rabiscos e Garatujas. Cá estou eu a cumprir a palavra dada.


Conheci a Inês no mesmo contexto em que conheci o Paulo. Foi minha colega em vários seminários de mestrado. Destacou-se, logo, nas primeiras aulas, pela profunda erudição e pelas relações que fazia entre os textos estudados e os outros, tantos, tantos, que foi devorando ao longo da vida. Impacto majorado por ser das mais novas (senão a mais nova) e por vir de uma área académica diferente da nossa. É que a Inês se licenciou em Direito. E há mais: publica poesia, ensaios, e é jornalista. Faz parte da equipa d' A História Devida e podemos ouvir as reportagens que vai fazendo no Câmara Clara. Durante o doloroso período da escrita da tese foi com ela que mais me senti à vontade para tirar as minhas dúvidas existenciais. E com toda a paciência do mundo ela lá me ia explicando pormenores técnicos e científicos sobre os quais eu já não ousava perguntar às professoras. Um rigor assombroso. A tese que escreveu sobre Manuel António Pina é brilhante e ajudou-me imenso na estruturação do pensamento na recta final da escrita da minha dissertação. Antes de escrever um ensaio leio textos que me inspirem. Os da Inês fazem parte desse lote. Tem uma escrita enxuta que convoca outras escritas e outros olhares.
Foi com a Inês que deixei de achar mal a leitura de comunicações em colóquios e congressos. É que a Inês lê bem e prende a atenção.
A Inês tem uma outra particularidade que me diverte. É uma tia babada. Babadíssima. Uma tia quase mãe. Faz-me lembrar as minhas manas com os Manelinhos. É o Francisco isto, é o António aquilo. Episódios relatados numa vibração genuína.
Para além de culta, inteligente e simpática, a Inês é bonita.
Apesar do meio académico em que nos conhecemos, sei que a Inês responderá prontamente às minhas eternas questões existenciais. É a distância de um e-mail.

Está de parabéns. E não é aqui pelo dia 13 não senhora! Faço-me entender?

Medos

Hoje tenho vertigens e sonho com elevadores. Em tempos idos o abismo atraía-me e os medos que sentia eram outros. Como os sonhos que se repetiam. Coisas de infância e puberdade.
1) Tinha medo do escuro. Acho que de mostros, fantasmas e trastes do género. Depois passou. Aos 19 anos regressou. Aos 24, meti na cabeça que tinha visto uma sombra masculina de chapéu de aba à beira da minha cama a dizer que era o meu pai. Tinha uma energia muito negativa. Hoje, agora sem explicação, ainda sinto um pouco de medo, às vezes, e durmo de luz acesa.
2) Tinha muito receio de ser agarrada, raptada e violada por um maluco qualquer. Não sei por que carga d' água. Lembro-me de rezar a todos os santinhos para que isso nunca me acontecesse. Era um pavor tão grande que só de pensar chorava.
3) Acho que por isso desenvolvi uma aversão aos pedreiros, aos trolhas e atodos os homens que trabalhavam nas obras. Eram homens do norte, muito atrevidos, que diziam muitos palavrões, que assobiavam quando eu passava, que se metiam comigo e me metiam muito nojo. Eu passava a correr pelas obras, com os olhos pregados no chão, cheia de medo de ser agarrada. Entre os 9 e os 14 anos achava que eram a escumalha da Terra. Coitados.
4) Sentia como que asfixiada sempre que alguém me abraçava com um pouco mais de força. O meu pai abraçava-me assim, muitas vezes. E eu gritava de aflição. Tinha medo de morrer afogada ou queimada viva. Estava sempre a pensar nisso, vá-se lá saber porquê.
5) Os meus piores pesadelos eram com felinos selvagens. Leopardos, sobretudo. Apareciam não sei de onde, perseguiam-me, a mim e aos meus amigos, e comiam-nos aos bocados, ainda vivos... Eram os sonhos que mais se repetiam. Com uma música sinistra e muito suspense.

Alturas - a confirmação

Hoje tomei o pequeno-almoço com os meus pais e a mana do meio. Perguntei-lhes, como quem não quer a coisa, se se lembravam dalguma pancada minha com vôos e alturas. Ora, não haviam de se lembrar!
Versão do pai: Eras pequenina. Dizias que sabias voar e querias saltar dum miradouro da Serra da Estrela.
Versão da mãe: Tinhas uns 7 ou 8 anos. O teu irmão estava excitadíssimo porque lhe ias mostrar que sabias voar e, depois, ele e as manas iam aprender contigo como se faz. Fui falar contigo e contaste-me que ias saltar da janela.
Versão da mana: Lembro-me que andavas feita parva a dizer por aí que voavas à noite. Dizias que nos ias mostrar e ensinar a voar contigo. Eu achava-te louca.

Loucura ... ou a Abelha Maia que há em mim. Bzzzz....

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Alturas

Nem sempre tive vertigens. Na infância, a minha relação com as alturas era bem diferente. Sentia uma enorme atracção pelo abismo que, se não me trai a memória, foi alimentada pelos sonhos de então.
(C'um caneco, só agora me apercebo que já em criança os sonhos falavam comigo).
Quando tinha 3 ou 4 anos, lembro-me como se fosse hoje, aconteceu-me aquela viagem que fazemos fora de nós mesmos. Sonho para uns; libertação momentânea do espírito para outros... Não interessa. Interessa que abri os braços como que asas e voei. Passei pela sala, visitei os meus pais que dormiam no quarto contíguo, chamei-os para que me vissem, não me ouviram nem me viram, regressei ao meu quarto e assustei-me quando me vi deitada na cama. Como podia ser eu se eu estava ali, a voar? Estava meio atordoada a cogitar sobre tamanha impossibilidade quando fui puxada para aquele eu que dormia. Acordei, contei aos meus pais. Riram-se. Desisti. Mas sabia que era verdade. Depois desse dia meti na cabeça que sabia voar.
Quando fui à Serra da Estrela, não andava na escola ainda, vi as nuvens ali em baixo, tão branquinhas e tão fofinhas. Só não saltei porque a minha mãe me disse que as nuvens não nos segurariam. Claro que a achei meio idiota, porque eu sabia voar. Mas não saltei, porque se desobedecesse à minha mãe havia de ser bonito, pois havia. E, só por isso, não saltei.
Anos mais tarde descobri que tinha um poder fantástico. Entre os 7 ou 8 anos anos e a puberdade, sempre que o meu pai me mandava comprar o pão, eu não descia as escadas. Saltava da janela. Aquela mesma janela da sala que hoje me faz tremer as pernas. A tal, do 3º andar. Saltava com cuidado, porque às vezes o embate no chão magoava-me os pés. Para além do pão, era muito prático saltar à noite, quando todos dormiam, e ir passear um pouco já nem se bem por onde. E quando estava com pressa para ir a algum sítio. Fazia-o às escondidas. Sabia que o pai não iria gostar de tamanha falta de preceito. Que a mãe iria ralhar e abrir aqueles olhos verdes muito grandes e muito redondos. Só muito mais tarde é que compreendi que estas minhas saídas volantes só se podiam realizar no mundo onírico. Foi uma sorte dos diabos nunca me ter dado para saltar da janela. Ou um Anjo-da-Guarda muito atento. Porque, juro, acreditava, piamente, que era o que fazia todos os dias. Ainda hoje, agora, que escrevo estas linhas, rememoro os saltos como parte da minha vida real, da minha vida vivida, e não como aventuras nomundo dos sonhos.
A janela, recordo agora, era também a janela onde uma vez, garanto, a pés juntos, vi dois olhos enormes e amarelos, de monstro, a olharem para mim. Mas essa já é outra conversa. A dos meus medos na infância, na puberdade e na adolescência.

Era um país cheio de cor...

A ser um super-herói, o Francisco seria o Super-Homem. Espreitei a página de testes da Rádio Comercial e descobri que se fosse uma personagem "infantil" eu seria... a Abelha Maia!


Afinal tem razão, o meu irmão, que me chama de cota.

Para além de descobrir, bzzz, o meu lado apícola, aprendi, graças ao World Wide Wacko, a disponibilizar os últimos comentários que passam por aqui.
É um blogue recente e com pinta. Um blogue que promete. Já está nas intropatias.

Parabéns, R.

Ontem foi o dia do Paulo. Hoje é o do R.
É um dos melhores amigos do C., daqueles que se amarram ao coração logo na infância e sobrevivem à tempestade da adolescência. Daqueles que se chateiam de vez em quando e amuam e se deixam de falar e recapitulam porque a amizade é mais forte e não permite tolices para a eternidade. Foi o C., pois, quem nos apresentou. Em 1991, ano do início do nosso namoro. Tinha eu 15 anos, muita folia e muito pouco siso. Nesse ano fiquei a conhecer os melhores amigos do C. Foi pelo R. que senti a maior empatia. E ainda é assim.
No princípio eu limitava-me a gostar do R. muito caladinha. A diferença de idades na altura intimidava-me um pouco. O C. é 7 anos mais velho do que eu e o seu grupo de amigos pertencia, já, ao mundo dos adultos. Por isso, eu reservava-me ao direito do silêncio. Uma forma de poupar o meu primeiro namorado a embaraços desnecessários. Não me parecia que o que quer que eu dissesse fosse de grande utilidade para aquela gente culta, inteligente e já crescida.
Ainda hoje me movo timidamente nalgumas esferas do universo do C.
Mas com o R. é diferente.
O R. conquistou-me de várias maneiras. A primeira foi pela simplicidade e pela calma que contrastavam brutalmente com a exuberância e o carácter tempestivo do meu namorado. Dois opostos que me deliciavam. Depois, pela gentileza, pela atenção e pelos cuidados com que me tratou logo do início. Não era apenas uma miúda que estava ali com eles. Era alguém. E, por isso, quando timidamente comecei a balbuciar as primeiras opiniões, ele escutava-me e pedia para o C. se calar e me escutar também. Fui conquistada, também, pelo seu sentido de humor, pelas graçolas rápidas e elegantes, pelo sempre pronto gracejo intertextual. Entre outras coisas, o R. gosta e percebe de filmes, computadores, ficção científica. Gosto de o ouvir falar sobre essas coisas. Ele sabe que não pesco muito do assunto e nunca se cansa de introduzir parêntesis explicativos quando fala com o C. e eu os interrogo com o olhar. Viaja imenso e mostra-me o mundo novo pelos seus olhos. Há duas coisas que me toruxe dessas viagens de que não consigo me apartar. Um porta-chaves em forma de colherinha e um saquito cor-de-laranja de 7x5 cm com a inscrição Goodies for Denise. De política é um pouco difícil falar, porque o C. fica nervoso, exaltado, insuportável. E a conversa muda de rumo. O R. é um artista. Herdou da mãe, pintora, o jeito com o pincel e juntou-lhe o gosto pela informática. Faz um trabalho sério e meticuloso na animação em 3D. É ele o autor do genérico do ZigZag, por exemplo.
Quando tivemos de escolher os padrinhos para os meninos (nessa altura eu ainda era católica - e praticante - ), eu não dei hipótese alguma ao C. Fui tão rápida e tão segura na minha decisão que ele se limitou a anuir. E foi assim que o R. se tornou no meu cumpadri. Desempenha a tarefa na perfeição. Os Manelinhos gostam dele. E (ele não me disse mas eu desconfio) preocupa-se com esta coisa de eu agora ser espírita. Vale-lhe, espero, a conduta aceitável que vou mantendo na vida.
Com esta história do divórcio, temi perder a amizade do amigos do C. que já me mostraram que sou uma tonta, é o que é. O R. também. É que, se para mim o R. é mais do que um amigo do meu ex., para ele eu não sou apenas a ex. do seu amigo. Sou a Denise. Amiga dele.
O R. pertence ao raro grupo das pessoas transparentes, rectas e sensíveis. E, do que vi, a namorada pertence ao clube.
Desejo-te, R., a felicidade do tamanho do mundo, porque a mereces.
E muitos parabéns pelo 38º aniversário.
Daqui a 2 anos o sorriso sair-te-á mais amargo, acredito. E eu voltarei a escrever sobre ti. Num registo mais irónico e com alguma piedade também.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Parabéns, Paulo

Quem visita o Rabiscos e Garatujas já conhece o Paulo.
Hoje é o dia dele. Completa 33 anos. E como habita o mundo dos meus afectos é sobre ele que quero hoje escrever.
Conheci o Paulo em 2002, num seminário dA Professora. Lembro-me perfeitamente desse dia, porque me impressionou imediatamente. Um gajo bonito, simpático, desenvolto.
Não conheço o Paulo de que fala a Fernanda num belíssimo texto sobre ele e a amizade de ambos. Nem conheço o Paulo retratado par lui-même. Nem podia. Conhecemo-nos num contexto diferente, que não permite excessos nem rasgos de impetuosidades. Por isso falo do meu Paulo, que é, também, muito interessante.
O primeiro impacto, o visual, prometeu-me coisa boa. Não me enganei. Uma forma de me deixar conquistar é pela capacidade da modelagem, retórica, das ideias, dos pensamentos, das emoções. Foi assim que, na FLUL, me deixei seduzir pelo Hitesh, pela Raquel, pela Joana, pela Inês, pela Cláudia, pela Sofia, pelo Federico, pela Patrícia, pela Lúcia, pela Valéria, pelo Tiago, pela Conceição, pela Carla... e, claro, pelo Paulo.
Gosto de o ouvir falar. Gosto de o ler também. Gosto de como ele alia o verbo à imagem. Com ele exercito a aprendizagem da modulações retóricas. Gosto da seriedade com que se empenha no trabalho. Do perfeccionismo que, por exemplo, é visível no rigor da apresentação paratextual da sua tese de mestrado. Gosto da gentileza e dos cuidados. Na Universidade do Algarve fez furor com uma comunicação sobre os livros que a Clarice Lispector escreveu para crianças. Depois do Colóquio Internacional "Escrever a Vida" acompanhou-me à boca do metro. Àquelas horas, argumentava ele, é perigoso uma rapariga andar sozinha por aquelas bandas. Não achei, mas ele é que era de Lisboa e por isso ele lá sabia. Gosto, também, do tal nervosinho miudinho e da tal chiclete que lhe dão aquele quê. Um piadão. Adoro vê-lo ruborizar-se, tremer a perna, engasgar-se e gaguejar.
Pensei que fosse mais novito do que eu. Enganei-me.
Como se vê, não é um conhecimento do deep Paulo's soul. É mais físico, mas é o que se tem...
Entretanto, a revelação. Com o Felizes Juntos, fiquei a saber que o Paulo é homossexual. Acho que consigo ser mais monga que o Mongo e a Monga juntos. Nunca me ocorrera. Verdade seja dita, não é que as pessoas andem por aí com um letreiro a apregoar a sua orientação sexual. Já me questionara, porém, mas sem grandes prolongamentos filosóficos, por que motivo não teria o Paulo, um moço tão jeitosinho, uma namorada. Questão posta de parte, porque nada me dizia, também, que o rapaz não tinha namorada. Afinal, num mestrado a 300 km de casa, com idas e vindas no mesmo dia, nunca houve tempo para grandes tagarelices.
A net quebra a distância e, com o blogue, fiquei a conhecê-lo um pouco melhor. Pelas postagens na 1ª pessoa, pelos textos do Zé, pelos comentários dos amigos e das amigas. E pela pitada da minha imaginação que vai preenchendo algumas lacunas.
Quando fui a Lisboa, em Dezembro, estive com o Paulo. Ouviu as minhas merdas sobre a minha vida naquele momento. Falou-me de outras tantas sobre a dele em tempos idos. Fiquei a conhecer o Paulo preocupado e mais velho do que eu. Com mais experiência e, por isso, com conselhos válidos. No meio das desgraças ainda nos rimos, até que o banco de pedra do Terreiro do Paço começou a ficar gelado e desconfortável. Lá nos aventurámos na nova estação do metro.
Sinto-me feliz por conhecer o Paulo. Gosto dele.
Parabéns!

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Tratamento de choque

Uma pseudo-fobia deve ser erradicada, esmagada como um verme. Subir ao último piso do edifício novo não tem mostrado resultados, mas continuo a fazê-lo sempre que visito a FCSH, casa-mãe. Em Goa, com 22 anos, teimei em andar numa roda gigante que havia na praia. A bexiga não resistiu. Fui alvo da piedade dos meus irmãos que, vá lá, não se riram de mim. Na Isla Mágica insisti em embarcar na vista panorâmica de Sevilha pelo El Desafio. Foi para morrer. Deixei de sentir as pernas. Pensei que nunca mais voltaria a andar na minha vida. Não consigo sacudir a roupa da janela da sala dos meus pais. Um miserável 3º andar. Um dia, juro, inscrevo-me numa daquelas aulas de paraquedismo. A fobia borrar-se-á de medo e nunca mais me incomodará, a puta.

Fobia quase

Os pesadelos com os elevadores não são despropositados.
A mensagem em si mostra-me a minha vida: subi alto e muito depressa. E quanto mais alto se sobe... Ora cá está: apartada do amor e de um trabalho que eu adorava. Num piscar de olhos. É possível chegar novamente ao topo. Mas petit à petit, grão a grão, um degrau de cada vez.

A sensação de vertigem também tem a sua lógica. É a fobiazinha que me visitou no dia em que fiz 20 anos. Visitou e abancou. Veio para ficar, a maldita. Era um dia de sol primaveril. Pus-me bonita. Ia ter aulas com o FCM, almoçar com o Pedro Severo, lanchar com as minhas amigas e jantar com o C. Acordei cedo, atravessei as barracas, apanhei o 83 e fui para a Fac. Francês, no bloco velho. Depois, Literatura Portuguesa, no edifício novo. Novinho. Acabadinho de construir. Fui a correr. Era a aula do FCM. Imperdível. Quando ouvi o estrondo e os gritos.
- Não olhes, Denise. Não olhes! - histéricas e lacrimejantes, as minhas amigas seguravam-me, puxavam-me para outro caminho.
Claro que olhei. Era uma poça de sangue e um corpo em espamos. Era aluno de Comunicação Social e saltou do último piso. Quando removeram o corpo, vi como estava quebrado. Parecia uma marioneta. Os joelhos dobravam-se para a frente, os cotovelos para trás, a cabeça pendia para todo os lados.
Nos dias seguintes, antes das aulas no 2º piso, visitei o último andar. Encostei-me à vidraça e espreitei. Senti as pernas fraquejarem e a bexiga a tremelicar. Abandonei a viagem de elevador. Pelas escadas compreenderia a partir de que piso é que as vertigens tomavam conta de mim. Do 3º. As pernas ficavam pesadas. Arrastava-me pelo corrimão. Um esforço brutal. A vencer. Não consegui. Terminei a licenciatura e a pós-licenciatura com pés de chumbo. Terminei o mestrado e começo um doutoramento com pés que se agarram à gravidade sempre que subo aquelas escadas, que me encosto à vidraça, que espreito a altura. Continuo a ver a marioneta empapada de sangue.
Luís. Luís Caldeira. 27/03/1996.

Elevador, again

Voltei a andar de elevador no plano onírico. A 1ª viagem de 2008, numa variação singular.

Desta vez entrei com uma amiga. Ia carregar no botão do último piso de um prédio muito alto. Ia com o coração apertado. Conheço o desfecho de cor e salteado. Mas a amiga, numa firmeza gentil, segurou-me na mão e carregou no botão do 1º andar.
Pela primeira vez o elevador parou onde devia. Saimos.
- Subimos mais um piso, mas pelas escadas - explicou a amiga desconhecida.
- Mas não era para irmos para o último andar?
- Olha para baixo.
Olhei. Deixei de sentir as pernas. A vertigem obrigou-me a segurar o vão das escadas e a sentar-me num degrau.
- Estamos apenas no1º andar. Não estás preparada para ir até ao último.
- Pois não... - balbuciei.

Não sei quem era a amiga. Só lhe vi a mão rosada e anafada; só lhe ouvi a voz. Doce, tranquilizante.

Malomen


(Garatuja fanada daqui)

Ontem, ao pequeno almoço, exercitámos a memória de tempos idos.
Os cabranitos conseguiram recuar bastante e recuperaram coisas de que me tinha esquecido.
- E havia o Malomen. Lembras-te, mamã? Tínhamos tanto medo!
Finjo-me amnésica. Puxo por eles.
- O Malóquê?!
- O Malomen. Era um monstro. Verde. Com uns dentes terríveis.
- Ah, o Malomen!!!!!!


Coisas do C. que, diariamente, muito sério e compenetrado, enfatizava diabolicamente:
"... E não nos deixeis cair em tentação mas livrai-nos do mal. Ámen."

(mais um exemplo de palavra ortográfica vs palavra fonológia )

sábado, 12 de janeiro de 2008

Lésmicas

Eu - São quê?!?!
Nuno - Lés-mi-cas.
Eu - O quê?!?!?!?!
Tomás - Léééés-miiiii-caaaaaaasssss!!!!!
Eu - O que é isso?
Nuno - É o mesmo que gays, mas é para mulheres.
Eu - E quem te ensinou isso?
Nuno - Foi lá na escola, a minha colega Mónica. Coitadinhas da lésmicas.
Eu - Coitadinhas porquê?
Nuno - Porque não podem ter filhos.
Eu - Não podem? Podem, pois.
Tomás - Podem?! Podes explicar?

Posso explicar, eu sei que posso. Mas estou com preguiça mental, sem paciência nenhuma. Fica para outro dia...

La gaffe du jour

Eu - Meninos, vou beber um chazinho com duas amiga minhas com quem não estou há muito tempo. Façam o favor de se portarem bem e de me deixarem conversar!
Tomás - Essas tuas amigas têm filhos?
Eu - Não, não têm.
Nuno - Ahhh!.... São lésmicas?

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

No meu país, no meu reinado, no meu império...

... há investimento, muito investimento, a sério, na Educação. É que, sem conhecimento, lembra a Tia Adoptada, não há livre-arbítrio. Não há mesmo. Sem conhecimento, não podemos escolher em liberdade. Acreditamos que o fazemos e vivemos na doce ilusão de que assim é. Deixamo-nos conduzir sob o pretexto de confiarmos em quem elegemos para pensar por nós. Aceitamos os mistérios insondáveis da vida. Deixamo-nos conduzir. Há sempre a ovelha tresmalhada que se arrisca a pensar por si. Mas sozinha não vai longe: ou é exilada ou silenciada.
No meu país, no meu reinado, no meu império, ouso adoptar a máxima espírita que resume a minha utopia: «Amai-vos e instruí-vos».
Educação obrigatória (aqui, lamento, nem fum-fum nem gaitinha) até ao 12º ano; gratuita também, com inclusão de material escolar e alimentação independentemente do IRS do agregado familiar; redução (imposta) da carga horária, sem perda de vencimento, dos encarregados de educação para acompanhamento efectivo dos seus educandos; máximo de 15 elementos por turma; incentivo à formação científica e pedagógica contínua dos professores; aposta na estabilidade do corpo docente; primazia do ensino-aprendizagem da Matemática e da Língua Materna; outros pormenores na pasta entregue a um ministério composto por professores, psicólogos e sociólogos.
De pequenino... Solidificada e consolidada a formação, e com bons profissionais verdadeiramente livres, podemos, depois, investir nas outras áreas do país, do reino, do império que é de todos afinal.
Sugestões outras?

Concurso Internacional para Jovens Compositores

CÂMARA DE PORTIMÃO PROMOVE CONCURSO INTERNACIONAL DE JOVENS COMPOSITORES
2008-01-10
Promover e estimular a criação musical contemporânea são os objectivos desta iniciativa. Os interessados em participar deverão entregar as composições, nas modalidades Música para Orquestra e Solista, Música para Orquestra e Música de Câmara, até 31 de Julho.
Dirigido a compositores de qualquer nacionalidade, com idade até 30 anos em 31/12/2008, esta é uma iniciativa que reforça a política cultural que a autarquia vem seguindo, através do estímulo às produções inéditas, nomeadamente na área da música clássica/erudita.
Este concurso permitirá também enriquecer o património artístico e cultural portimonense, fomentando a arte como veículo de desenvolvimento do Município.
De periodicidade anual, o concurso compreenderá sempre três modalidades: Música para Orquestra e Solista, Música para Orquestra e Música de Câmara. Nesta 1ª edição, o violino é o instrumento de eleição na modalidade de Música para Orquestra e Solista, a Formação de Câmara terá a seguinte composição: flauta, oboé, clarinete, fagote e trompa (Quinteto de Sopros) e a Formação de Orquestra compreende: 2 flautas, 2 oboés, 2 clarinetes, 2 fagotes, 2 trompas, 2 trompetes, timbales e cordas.
As composições a concurso (inéditas e alusivas a Portimão) – deverão ser enviadas até 31 de Julho para: Secretariado do Concurso Internacional de Jovens Compositores – Cidade de Portimão: Câmara Municipal de Portimão, Praça 1º de Maio, 8500 Portimão.
Serão atribuídos apenas 1ºs prémios nas três categorias (Música para Orquestra e Solista - 4000 €; Música para Orquestra - 3000 €; Música de Câmara - 2000 €), no entanto o júri poderá não atribuir os prémios se a qualidade dos mesmos for considerada insuficiente.

(copiado daqui)



O Júri deste ano é constituído pelos compositores Cristóvão Silva e Carlos Marecos e, também, pelo maestro Roberto Perez.


O Regulamento, preto no branco, aqui.

Pelos suicidas

No CEBV faz-se, semanalmente, e em reunião privada, a prece pelos suicidas. Se conhecerem algum caso de suicídio (mesmo que falhado) poderão fornecer os dados (nome, data, local) através do blogue daquela casa espírita, através deste meu blogue ou dos respectivos endereços electrónicos.
Passem a palavra.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Luiz Pacheco



Confesso que, dele, não li quase nada...

No meu país, no meu reinado, no meu império...

... (aceito sugestões para topónimo) há liberdade religiosa. Embora tida como ditadora pelos mais próximos, e embora assumidamente crente, continuo a preferir a autonomia do Estado em relação às doutrinas religiosas. É que, pelo que sei, Deus, entre outras coisas, deu-nos o livre-arbítrio. No meu país, no meu reinado, no meu império não ficaria instituído nenhum feriado nacional de cariz religioso. Gostaria de ofertar feriados singulares, por respeito às celebrações de cada crença. E mais. Feriado, também, no dia de aniversário. Estendido aos membros do agregado familiar.
...
(Está bem assim, Tia? )

sábado, 5 de janeiro de 2008

Scottish New Year

Levantou-se, tossiu levemente para aclarar a voz, fez uma pausa, abriu o papelinho e leu:
«Longo Maio você chaminé fumo com outro gentes carvão». Sorriu.
Foram os votos de Feliz no Novo que a Sra. D. Catherine apresentou aos colegas do nível 1 de Português para Estrangeiros.

... numa pesquisa rápida, o Google mostrou-me o original que se escondia por trás da tradução literal:
"Long may your chimney smoke with other people's coal"

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Notícias

A boa notícia: regressou a mana do meio com a frescura da terra vermelha e com cheiro a especiarias.

A má notícia: terminam os dias de paz e tranquilidade. Regressa, também hoje, o C.

Dia Nacional do Espiritismo no Brasil

O Beni acaba de me enviar um e-mail com esta notícia que é, afinal, notícia desde princípios de Dezembro. Fico feliz, claro. Um dia assim serve, acho eu, para nos lembrarmos que certas coisas existem... e que não são assim tão marginalizadas. No Brasil, obviamente... Verdade seja dita, também, que naquele país o fruto é mais visível, bem mais visível, que no nosso.
Transcrevo o mail.


Câmara aprova Dia Nacional do Espiritismo

A Câmara aprovou, na última quinta-feira (6), em caráter conclusivo, o Projeto de Lei 291/07, da deputada Gorete Pereira (PR-CE), que institui 18 de abril como o Dia Nacional do Espiritismo. A proposta foi aprovada com parecer favorável relator do texto na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, deputado Wladimir Costa (PMDB-PA). A autora do projeto lembra que o Brasil é a maior nação espírita da atualidade e que os praticantes brasileiros têm realizado "obras extraordinárias no campo da assistência social", como define a doutrina espírita. Gorete Pereira também destaca a figura do médium Chico Xavier, segundo ela fundamental para a difusão do espiritismo no Brasil. A data escolhida é uma homenagem ao dia em que Allan Kardec lançou, em 1857, na França, o Livro dos Espíritos, marco inicial da doutrina espírita. "A instituição do Dia Nacional do Espiritismo é homenagem justa a um dos mais importantes grupos religiosos do país, cuja atuação tem sido indispensável para a construção de uma sociedade mais justa e fraterna entre nós", argumenta Gorete Pereira.

Tramitação: O projeto será enviado para votação no Senado.

Íntegra da proposta:

Reportagem - Roberto SeabraEdição - Regina Céli Assumpção

(Reprodução autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara')
Agência Câmara Tel. (61) 3216.1851/3216.1852 Fax. (61) 3216.1856E-mail: agencia@camara.gov.br

Laços

Este é o filme que venceu o Project: Direct internacional lançado pelo YouTube. Recebi um e-mail com a informação de que se trata de um filme espírita. Quanto ao filme não sei. Mas a mensagem é.

Ave Maria

(Ave Maria de Caccini, por Hayley Westenra)

Ave Maria Paien

Notre Dame de Paris

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Ave Maria...

... de Gounod pelas Celtic Woman

Maria

Hoje, no primeiro dia do ano, festeja-se o dia de Maria, mãe de Jesus. É a santa da minha devoção. Heroína. Como mãe, esposa e mulher.


Maria, por Emmanuel, Chico Xavier e Vicente d' Ávila.
São Paulo, 1984

Ano novo vida nova

Em 2008 quero...

... deitar cedo e cedo erguer;
... correr durante uma hora depois de deixar os meninos na escola;
... queimar calorias, fulminar a barriga, recuperar os 40 quilos. (Ok, ok. Contento-me com os 45...);
... ter paciência para o visual;
... ter o trabalho da escola em dia;
... trabalhar mais afincadamente para o doutoramento;
... ter mais paciência para os meninos;
... ter mais tempo para os que amo;
... concentrar-me quando faço a minhas preces;
... arranjar um part-time para não desesperar por causa da guita;
... vender este palácio e reconquistar a liberdade.