segunda-feira, 21 de julho de 2008

Estou (novamente) apaixonada!

Era o Jim e era o Alain.
Agora é também o Ned, da série Pushing Daisies
Dá-lhe voz corpo rosto o actor Lee Pace.


Ai!, eu aceitaria aquele malmequer...
(a minha flor preferida)


***

(20 segundos de The Pushing Daisies)

domingo, 20 de julho de 2008

Nós, professores, só temos o que merecemos - take II

As aulas já terminaram mas, ao contrário do que a opinião pública pensa, a sala de professores continua povoada e em estado de sítio à cause de todo o serviço pós-lectivo. Entre os colegas, a Coordenadora do meu Departamento, que é também Professora Titular e membro da Comissão de Avaliação da escola.
Eu - Então explica-me lá essa história assim muito bem explicadinha...
Ela - Mas se já ta expliquei no outro dia...
Eu - Mas explica lá isso melhor que o pessoal levantou logo aquele ruído ensurdecedor e eu deixei de ouvir o meu próprio pensamento.
Ela - Ordens para que a avaliação de todos os professores se situe no Bom.
Eu - E o que é que tu achas disso?
Ela - Que estão a gozar connosco, não?
Eu - Pois eu acho que o Carnaval começou precisamente connosco. Já sabes disso. Eu tinha sugerido que a escola tomasse uma posição. Não tomou. Criou a Comissão de Avaliação, disponibilizou os relatórios, organizou ene reuniões... et voilà. É bem feita.
Ela - ...
Eu - E, depois de toda a trabalheira, aceitamos, assim, na maior da serenidade, que o processo venha a ser divulgado como o grande êxito da avaliação do desempenho docente, como foi feito com as aulas de substituição... Não ouvi nada nas notícias, nem me parecebi de nenhuma reacção sindical. Onde é que eu posso consultar essas dirctrizes de que me falas?
Ela - Vai ao Conselho Executivo. Foi a Presidente que nos passou a informação.

***

Eu - Truz truz...
Ela - Olá, Denise. Diz.
Eu - Posso consultar o documento que vos foi enviado a propósito de blá blá blá...?
Ela - Ah, é um e-mail proveniente da Direcção Regional e não podes consultar...
Eu - Não posso?! Não posso porquê? Não diz respeito à avaliação dos professores? Não me diz respeito? Não podes imprimir e afixar?
Ela - Mas muitas pergunas fazes tu. A tua Coordenadora não te explicou o que há a explicar?
Eu - Explicou o que ela terá entendido que havia a explicar.
Ela - Estás a ser má...
Eu - Não, não estou. Bem, se não posso consultar o tal documento, explica-me lá tu a história assim muito bem explicadinha.
Ela - Mas porquê? És do sindicato?
Eu -Porquê?! Porque, primeiro, sou parte envolvida no processo, estou a ser avaliada, estou interessada em conhecer e compreender tudo em que estou envolvida. E segundo, pretenço, sim, à direcção de um sindicato, mas descansa que não tem nada a ver com o ensino básico e secundário.
Ela - O Ministério solicitou que fosse atribuída apenas a avaliação de Bom e que aguardássemos pelo número de cotas para que pudéssemos passar à atribuição das classificações de Muito Bom e Excelente.
Eu - Ahhhhhh.... ligeiramente diferente do que ouvi.... mas mesmo assim... E... olha lá, eu vou ter Muito Bom como pedi na minha auto-avaliação?
Ela - Pois, não sei. Depende das cotas.
Eu - Depende das cotas?! Não depende do merecimento?
Ela - Ai, Denise!, não compliques...

***

Pequena moral deste apólogo soturno: os professores não se limitam ao ruído e à inércia. Os professores alimentam a sua revolta com o diz que disse que ouviu dizer. A Deniblog é prof.. Não viu o documento. Mas escreveu sobre o assunto. A escrita impulsiva do take 1 que antecede este post acaba por confirmar a regra. Os professores só têm o que merecem...

***

Estou embrulhada com este tipo de trabalho e uns quantos relatórios por entregar antes do início das minhas férias. Só depois, com o fôlego já reposto, meu Vizinho, apresentarei mais demoradamente a minha opinião sobre a Avaliação do Desempenho Docente. Entretanto, há sempre a possibilidade da (re)leitura de posts antigos onde rabisquei, ainda que de leve, sobre o assunto:

domingo, 13 de julho de 2008

Rabiscos e Garatujas

É o primeiro aniversário do nosso RG. Nasceu, já sabemos, do entusiasmo de uma fã do FJ. E com ele nasceu a Deniblog.
Aqui me entrego ao espelho das palavras que me devolvem em luz o reflexo do que sou não no sendo. Aqui me reinvento, me desconstruo, me reconfiguro, me autoficciono. Aqui me descubro. Aqui me surpreendo. Um susto, por vezes. Uma ternura, outras tantas.
É um blogue intimista sem grandes intimidades onde pratico a escrita de um Eu que não é bem como eu mas que sou eu em inversão invertida ou em pleno enantiomorfismo
Água, cobre, prata, planos, esféricos: um arquipélago de espelhos, este meu país, meu reinado, meu império, onde aporta uma população diegética palradora e sorridente que dribla a virtualidade e cria sentimentos reais laços afectos por quem cujo rosto cuja voz cujo pulsar habita a imaginação.
Transparência exacerbada, temem uns. Loucura, devaneio, acusam outros. Com o RG experimentei, pois, os dissabores de quem teima pelo espaço da liberdade ainda que com rota de leitura. Mas com o RG descobri novas alegrias. Com o RG sedimentei amizades. Com o RG criei outras tantas. Com o RG chegou até mim, assim, em carne e osso e pele e cartilagem e voz e olhar e cheiro e tudo, aquele por quem, tamborilante, o meu coração amanhece em anacrusa.


***
Agradeço ao meu amigo Filósofo-Cientista JFrancisco o post dedicado a este primeiro aniversário: «Mutilações Genitais e Cultura Feminina».

sábado, 12 de julho de 2008

Poesia quase

- A Denise perde-se algures. É assim de quando em quando, já tinha reparado.
Reconheço-lhe a voz. É o Adónis do pastel de nata das 9h30m. Sorrio. Conto-lhe do quase poema.
- Hmmm. Gosta, portanto, de beijos e de poesia.
- Imprescindo-os.
- Ofereço-lhe um poema. Quer?
Foi a excitação de uma fracção de segundo, porque ele irrompeu sem gaguejar:
- É um pastel de nata
E também um galão.
Mas antes, se houver,
uma fatia de melão.
Preparei tudo com o único desejo de não lhe ficar atrás.
- Aqui está como pediu:
Fruta fresca p'la manhã.
Veja lá que me esmerei:
Até tem hortelã!
Mas, sem desarmar, ele rispostou:
- É nítido o seu olhar
Sorriso e voz de mulher...
Mas regresse à cozinha:
Falta aqui uma colher.

... homens...

(Quase) um poema

As mesas ficam por limpar. O meu olhar encontra o gesto, perfeito, no meio da multidão que se doura na areia ensolarada. Quedo-me. Suspendo o meu tempo ali, onde ela levanta o cabelo com ondas cor de mel e inclina levemente a cabeça e lhe cede gentilmente o pescoço. Onde ele com um toque de veludo sem pressas sem horas sem ventos lhe coloca o creme protector. Ela está sentada. É nívea e possui a delicadeza de um sopro de algodão. Não lhe vejo o rosto. Está, todo ele, para o mar. Ele é belo, alto, esguio, jovem. A barba impecavelmente feita. Um tufo de ébano generoso no peito rijo. Sigo-lhe a mão direita. Primeiro o pescoço depois os ombros suave suave as omoplatas as costas por inteiro. São movimentos delicados demorados derretidos.
Termina o gesto. Ela vira-lhe o rosto. Sorri. É bela. Mas ele já está dois passos para a esquerda, sacode as mãos estende-se na toalha do outro lado do guarda sol e enterra os peitorais na areia.

Foi quase um poema. Quase. Porque sem beijo não há um poema.

... homens...

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Nós, professores, só temos o que merecemos

Falou ontem a minha titular do fax que a DREAlg enviou a todas as escolas a solicitar que a avaliação dos docentes se situasse no Bom, a propósito de outros pormenores ainda por legislar e/ou divulgar. Por outra: excelentes, muito bons, maus, assim-assim passam, todos, a bons. E está feita a avaliação. Isto assim, contado por ela.
Como já era de esperar, o Departamento levantou-se em burburinho, daquele burburinho muito ruidoso que só nós, professores, somos exímios em criar. Que o Ministério isto, que a Ministra aquilo, que o Governo não sei o quê. E, depois, eu, que até costumo ficar caladinha nestas situações, deixei escapar que o Governo que o Ministério que a Ministra coisíssima nenhuma; que o problema começa aqui, com cada um de nós. Ui! Disse-o baixinho, mas foi o suficiente para me exigirem explicações. E eu dei-as: tu, que te rebelaste contra o concurso para titular, és titular, candidataste-te à vaga; tu, que te indignaste com a avaliação de desempenho docente seguiste as indicações propostas e avaliaste-me; eu, que também me indignei, preenchi o formulário que a escola disponibilizou e auto-avaliei-me; o Conselho Executivo a quem eu fui perguntar por que não se recusava a avançar com a avaliação respondeu-me que não queria prejudicar os contratados onde eu me incluo e zás!, criou uma comissão de avaliação.
Que não, que não haveria nada a fazer. Rispostei: claro que havia tudo a fazer. Tudo. Era não aceitar o que nos parece inaceitável.
Mas aceitámos, não aceitámos? Por que nos queixamos agora?

O Governo o Ministério a Ministra fazem o que acreditam ser o que de melhor podem fazer pelo país. Erram. Errar é humano. E nós erramos, porque sabemos que não é aquele o caminho, mas seguimos, porque, pura e simplesmente, nos mandam seguir assim, por ali, daquela maneira. E este nosso erro é mais grave, muito grave, porque gerido por inconvicções acobardadas.
Sou tresmalhada, mas, confesso, gostaria de ser suficientemente corajosa para sê-lo mais. Muito mais.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Felizes Juntos: primeiro ano

Os rapazes mais bonitos da blogosfera estão de parabéns.
Ah, pois!, o meu Paulo do Zé e o Zé do meu Paulo. Ora, quem mais?
Para os leitores assíduos do meu Rabiscos e Garatujas estes dois dispensam qualquer tipo de apresentação. Sobre o Paulo tenho escrito algumas coisitas, como por exemplo este post. Quanto ao não tenho sido tão assídua, reconheço. E estão os dois de parabéns pelo primeiríssimo aniversário do Felizes Juntos.
O FJ é um blogue especial, como eu já ali afirmara. É, aliás, para mim, o blogue dos blogues, na sequência do qual acabei por me decidir na criação do RG. O que ambos têm em comum é a aventura no exercício da escrita intimista, paixão que nos uniu, a mim e ao Paulo, no seminário d' A Professora. Depois, optámos por caminhos singulares: eu segui o trilho do exagero que me caracteriza - desconstrução, reconfiguração, autoficção, hipérbole e ironia; eles não resistiram às potencialidades da informática. Para além das palavras, o Felizes Juntos presenteia-nos com música e imagens e um pouco de muito. Com Arte que os autores fazem questão de connosco partilhar. Com momentos de reflexão sobre isto e aquilo. Com pausas para humor e com intervalos para suspiros.
O Felizes Juntos comprova-nos um Paulo furacão e um Zé sempre muito bem centrado.
Eu gosto muito, muitíssimo, destes dois gajos e, também, como já se sabe, do blogue com que ambos cantam a felicidade que diariamente controem juntos.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Tobias 2008

Hi, Denise! You look great!
Ora viva! Está com muito bom aspecto, menina!
C'est toi, Denise?! Je te dirais plus jeune que l'année dernière...

As boas-vindas dos clientes da casa e a boa-disposição dos mais recentes que com ela já simpatizaram.

Regressei ao Tobias e o RG só ficará a ganhar: não tardarão aí Les Gaffes du Jour.

sábado, 5 de julho de 2008

Bio(?)combustíveis

O ocidente não pode preocupar-se com o destino do Ambiente e, ao mesmo tempo, desligar-se do destino de outros povos.
HR

Qual a relação entre produção de etanol, biocombustíveis, civilização ocidental, ecologia, alimentação, inflação, pobreza, miséria, fome, lóbis, política e desflorestação?
Por que se inquietam instituições como Food and Agriculture Organization, Banco Mundial, União Africana ou Earth Policy Institute?
Quando compreenderemos que tudo, mas tudo, tudinho, está interligado e que cada um de nós é parte e solução dos problemas que afligem a humanidade?

Leiam o artigo das páginas 2-4 da Newsletter nº 24 do Instituto da Defesa Nacional, «O Desastre do Biocombustível», assinado por Henrique Raposo e, depois, vá, alimentem o depósito do vosso veículo com o milho que está demasiado caro para atestar o estômago de alguns biliões de famintos....

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Actualização

Não é preguiça nem má vontade. Fico sempre muito destrambelhada no que toca a emoções e às vezes surpreendo-me em plena montanha-russa. Aproveito a calmaria para reiterar o meu pedido de desculpas ao Francisco que lançou o repto e a todos e todas os/as que têm acompanhado com algum interesse a sucessão de posts que tenho vindo a dedicar à L(T)PI - Literatura (também) para a Infância.
Terminei o ponto 2 e convido-vos para o debate aberto na caixa de comentários. Já me conhecem: aceito e agradeço sugestões, rectificações e, sempre que necessário, um bom puxão de orelhas.

Segue-se o ponto 3: Cânone e Actualidade (Literatura Lusófona Contemporânea). Preparem-se, TUlinho e André!

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Um baobá para o TUlinho

(... um dia destes sou que reclamo mimos!
Isto diz-me ele no messenger, já depois da meia-noite, entre risos, cumplicidades e tontarias muito só nossas)

É óbvio que quando mimamos não esperamos pela retribuição. Nem, muito menos, exigimo-la. Como em tudo o que é verdadeiro, autêntico. Simpatia. Amizade. Paixão. Amor. Por aí adiante. Acontece que, quando há sintonia no gesto, no olhar ou, simplesmente, no respirar, algo se vai cultivando, sedimentando, e a vontade de mimar quem nos mima é pura e simplesmente incontornável.

O TUlinho oferece-me flores. Aqui e ali. Não daquelas envoltas em papel transparente, com um laço vistoso, e que enchem os cofres desta ou daquela florista. Nada disso. O TUlinho é menino, mas vai longe. As flores que me oferece são das que gosto: as colhidas pela espontaneidade convidativa do momento. Melhor: as que se insinuam por palavras, vírgulas e disposição no espaço da linguagem. Essas não se arrancam do solo. Não murcham. Não definham. São perenes. Gosto de flores. Gosto de gestos. Gosto de palavras. O TUlinho ou o intui ou já o sabe. Leu, viu, sentiu que eu não estava bem. Os amigos mimam-se nestas ocasiões. Presentificam-se. O TUlinho é meu amigo. E ofereceu-me, assim, em tríade maior, Violetas e outras flores para a Denise.

Para ti, T., uma árvore, também toda ela erecta por palavras:

Um pé de rosa amputado dura quanto durava no chão a saliva de minha avó. Melhor plantar uma árvore. A sua saúde pode simbolizar a vitalidade do amor. Um grande amor, um baobá.
Suleiman Cassamo, Amor de Baobá

Baobá