domingo, 31 de maio de 2009

"Xôrinha"

ou "Sôrinha". Redução de "Professorinha", porque, aos olhos da turma do 9º ano, possuo ar de moça pequena.
Com os do 12º, a coisa sofistica-se: "Professora Menina".

(Está explicado, Uacou?)

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Roméo

Os dezanove rapazes daquele 12º ano, habituados aos meus sorrisos entre Vieira, Garrett, Queirós e C. Verde emudeceram quando hoje, pelas quinze horas e dois minutos, os meus olhos entornaram parte da alma e o rubor tingiu de sentimentos a minha tez morena.
Sérios e repentinamente adultos, entre um abraço e um gracejo vãos, sussuraram-me qualquer coisa como os professores não são assim, a professora não pode ser assim.

Há silêncios que me perturbam. O do Roméo fissurou a minha barragem de lágrimas e emoção.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Punctus contra punctum

Punctus ( o exagerado) - A Sôrinha leu um poema dedicado à mulher que morreu no naufrágio e eu achei tão belo que me comovi e quase chorei. Gostei tanto que comprei a obra completa de Luis de Camões. Já a li toda e fiquei com muito orgulho de ele ser português.
(...suspiro...)

Contra Punctum (a sem-papas-na-língua) - Não poxo apresentar opinião nenhuma porque não tive com atenção e por ixo não aprendi nada. Este texto é 1 seca descumunál. Ó xôrinha veja lá que quem diz a verdade não merece castigo.
(A gaiata tem razão. No entanto, porque a minha pátria é a língua portuguesa, às armas.)

Importa-se de repetir?!

9ºano. Língua Portuguesa. Teste sumativo. Décima primeira e última questão:
Apresente a sua opinião relativamente ao que aprendeu sobre Os Lusíadas e Luís de Camões.

Resposta :
O camões viveu no séc XVVI (19) e escreveu os lusíadas e outros livros como o auto da índia e a mensagem que foram censurados pela inquisição.

terça-feira, 26 de maio de 2009

TUlinho

De melancolias frágeis, continua menino, continua poema.
Fez ontem 26 anos e eu puxo-o da mão num convite a uma valsa no Castelo Andante.

Vens, TUlinho?


(Tema de O Castelo Andante . Joe Hisaishi. 2004)

Eles

Aos vinte têm a encantadora fosforescência do entusiasmo púbere. Aos trinta fazem-nos sorrir com os arremessos mal ensaiados de uma maturidade pouco convicta. Aos cinquenta mimam-nos com engodos, teias e manhas que lhes espantam os tédios e lhes afujentam as rotinas sem amanhãs.

Pergunto-me como serão os homens de quarenta anos.

domingo, 24 de maio de 2009

Auto-retrato quase à la Warhol






















Bonita e imperfeita


O marcobitaites é um blogue que visito de quando em quando.
Apregoando-se exclusivamente para intelectuais, a verdade é que, sempre que lá regresso, me vem à memória o lema do Clube do Bolinha: "Menina não entra".
Isto por causa de um post publicado há uns bons dias: «Doutora Thirteen, quero um diagnóstico». Derramavam-se eles na caixa de comentários até que eu, impostora em género e intelecto, lhes arraso vituperosamente os ânimos com a anotação ignóbil de um pequeno pormenor. De tal forma que o Marco avançou com um novo texto, «Porque é preciso defender a honra da Olivia». Divertimento à parte, emudeci com este parágrafo:
A Olivia merece o meu respeito por ter resistido à tentação de transformar as mamas em duas tangerinas de silicone prontas-a-chupar pela bocarra de Hollywood: manteve-se igual a si própria, bonita e imperfeita, frágil e convicta, aquele tipo de beleza em que um gajo pode acreditar – o que é muito, muito mais sexy do que qualquer Barbie insuflada.
Depois destas linhas, achei-a muito mais bonita e os seus olhos, sincronizados com os meus, deixaram de me parecer tortos.

A defesa de Olivia é a defesa de todas nós.

Menina não entra porque menina não sai.

sábado, 23 de maio de 2009

Com H

Safa-se com o novo Acordo Ortográfico.


(Homem com H. Ney Matogrosso)

Pormenor

Vi o videoclipe no FJ e achei-lhe piada. Claras, as alusões à condenação, à marginalização, à perseguição e ao sofrimento por se ser diferente. Vitoriosa, a busca do amor depois do vazio do sexo sans issue de que já falava o Gainsbourg. Angustiosa, a sensação de déjà vu perante a cena de decapitação de uma cabeça que, amarrotada, se junta a outras num cesto de papéis quase cheio.


(Sugar Baby Love. The Rubettes)


Revejo o clipe, porque gosto de finais felizes, mas corrompo-me por um pormenor que o desvirtua. Mensagem envenenada.

Ponto um.
Primeiros trinta segundos. O menino é vilipendiado porque é diferente. O menino é ostracizado porque, imagine-se!, gosta de bonecas e descurte jogar basquetebol ou brincar aos polícias e aos ladrões.
Coisa ruim, pois que, a crer no videclip, vox populi vox Dei.
O que temos aqui, meus amigos? Uma nítida separação entre brincadeiras de meninos e brincadeiras de meninas (que, atenção, usam vestido e sandalinha).
Quando eu era gaiata trepava árvores, esgravatava a terra à cata de minhocas, jogava ao berlinde. O meus filhos gostam de brincar com as bonecas que eu nunca toquei e que por serem de plástico não emboloreceram. Percebem, porém, que não é algo que se apregoe a quatro ventos. Como o cor-de-rosa. É que as mentalidades são ruins de acompanharem o que é racional e, ainda hoje, é subliminar a relação de sexo feminino com maternidade mais lida da casa e a de sexo masculino com as bravuras fora da caverna. Por isso, ainda hoje, mesmo que a casa seja apenas deles, são apaparicados pelo facto de as ajudarem nas tarefas domésticas e vangloriados relativamente à colaboração na educação da prole. Por isso se arrumam como se arrumam os brinquedos nos corredores dos estabelecimentos comerciais.

Ponto dois.
O moço cresce. O moço é torpeado por Cupido. O moço é homossexual. O moço que brincava com bonecas. A falácia é escandalosamente inadmissível: X brincava com bonecas. X é homossexual. Logo, quem brinca com bonecas é homossexual.

Ponto três.
O moço é parco em pilosidade. Os seus amantes também. A pouca que têm não convence. Possibilita-se a relação entre homossexualidade e metrossexualidade.

Ponto quatro.
O moço fica KO com a primeira murraça do cabeça-rapada. Os homossexuais não rispostam ou homossexuais são fracotes. Enfim, uns maricas.

Ponto cinco.
O médico toca de maneira especial no paciente. Um abuso. O médico é homossexual. Cuidado com os homossexuais. Deontologia não é com eles.

Ponto seis.
O médico apaixona-se por um enfaixado com olhos descobertos. Uma múmia. O médico é homossexual. A homossexualidade é uma parafilia.

***

Cheio de boas vontades, o videoclipe promove o estereótipo.
Deve haver mais por onde pegar, mas não tenho paciência para minudências.
E ao Paulo eu peço desculpas por continuar a ser a mesma desmancha-prazeres de sempre.

domingo, 17 de maio de 2009

Homofobia

Sempre me silenciei quanto às manifestações de orgulho LGBT que se multiplicam em marchas e em desfiles numa espécie de auto-afirmação patética que raia o grotesco. Se a sexualidade é uma orientação e não uma opção (mesmo que por essa orientação se opte pela transformação do corpo), a bandeira do orgulho a quatro ventos hasteada torna-se falaciosa. Eu não sinto orgulho pelo meu sexo. Nem pela minha sexualidade. Nem pela minha raça. Nasci assim e assim me sinto eu. Ponto final.
O orgulho é legitimado, creio, pelas opções, escolhas, conquistas, decisões. Pelo percurso com que conscientemente trilhamos as nossas vidas.

Hoje é o Dia Internacional Contra a Homofobia.
Instituído a 1 de Junho de 2003 pela Fondation Émergence, no Canadá, passou a ser depois comemorado a 17 de Maio por ter sido esse o dia em que, no ano de 1990, a Organização Mundial de Saúde suprimiu a homossexualidade da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde. A declaração oficial surgiria dois anos depois.
Ontem, em vésperas de mais um DICH, a França anunciou uma decisão histórica: a promessa da eliminação do transgenerismo da sua lista de doenças psiquiátricas de longa duração.

Este é um dia que assinala mais uma concretização da evolução das mentalidades. Um dia, pois, de orgulho para humanidade.

.... e os medievais, que assim não pensam certamente, olhem... que sa fodam.

Dedicado aos homófobos:


(Fuck You. Lily Allen. 2009 )

Mariana - no mundo da lua

Falaram, as crianças, do Anjo de Portugal e de uma senhora que dizia vir do Céu, "vestida de branco, mais brilhante que o sol, espargindo luz muito clara e intensa".
Os senhores tiraram-na da azinheira e puseram-na num altar de onde de quando em quando desce para passear no andor. Fizeram-na pedra e vestiram-na de ouro e diamantes. Deram-lhe um rosto e um nome. Disseram-na mãe de quem para eles é Deus. Nossa Senhora. Nossa Senhora de Fátima.
Ignoro se Helil, infante de Sagres, e se Maria, a de Nazaré. Abandono o quem e fico-me pelo quê.
Seja caso para se dizer que só se vê o que se sabe.
... e acrescentar que se sabe muito pouco.

Na minha onda:
«As aparições em Fátima», pelo Francisco
«Já lhes sinto a falta», pelo André


Videoclip de Yannick Puig.
No original, a música é dos Kwoon («I lived on te moon» do álbum Tales and dreams), com citação de Händel.

2007
Sou mariana
(So damn what?!)

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Brumas

muito para além da imponência luzidia da basílica, da beleza imaculada do coração de Maria, do brilho sacro do coração de Jesus, do cinzento ofuscante do muro de Berlim, da simplicidade singela do presépio aureliano, da transparência virginal da capela do santíssimo sacramento
muito para além dos turíbulos incandescentes das velas bruxuleantes dos terços ensanguentados
muito para além das promessas e das ceras e das imagens e das estátuas e das estatuetas e dos andarilhos e dos peregrinos e dos ais dos ave dos salve

algures entre a Azinheira e a Capelinha das Aparições os carrilhões ecoam distantes
soleva-me um silêncio brumoso de aroma transparente
e eu, pedra bruta de lágrima seca, liquidifico-me

(deixem-me chorar)


aqui deixara a interpretação de Hayley Westenra.
Hoje deixo-vos com a também bela Youngok Shin.

(«Lascia ch'io pianga». Rinaldo. George Friedrich Händel )

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Mariana

Teria cerca de onze anos. Lembro-me de abandonar os recortes do Varatojo sobre Jack, o Estripador para mergulhar n' As Memórias da Irmã Lúcia que descobri entre livros empoeirados.
Legitimou, quase, os pensamentos semi-suicidas, o desejo de ser só alma. Alimentou a ideia do sacrifício. Tentei o autoflagelo, mas não conseguia ver o propósito das nódoas negras. Tentei um altar para dádivas. Sem cordeiros, ofertava as minhas bolachas favoritas. Nunca nenhum fogo do alto as consumiu. Emboloreciam e impregnavam-se do exaspero da mãe. Influenciada talvez pelas histórias da Condessa de Ségur e pelo Cuore de Amicis, aventurei-me no sacrifício interior: o silêncio perante as provocações dos meus irmãos. Era hábito eu rispostar com socos, chapadas, pontapés, mordidelas. Não foi fácil, mas dominei a agressividade.
Nunca tentei um rosário. Bocejava à terceira Ave Maria do terço.
Quis ser freira e quis ser pastorinha. Depois esqueci.
Aos 15 anos apaixonei-me. Às primeiras aflições repesquei a nazarena. Havia sido mulher e sabia, com certeza, o que era sofrer de males de amor.
Aos 24, a maternidade. Olhei, de forma outra, para as penas de Maria. Encomendei os Manelinhos como afilhados de Jacinta e de Francisco.
Depois, a minha primeira vez em Fátima. Pelo caminho, destilava desprezo pelos que rastejavam as suas aflições, pelo comércio, pelas velas. Até que emudeci. Ali, mesmo antes de chegar à Azinheira, um espaço que outro espaço, embrumado de um eco de luz longínquo, fez tinir uma qualquer corda esquecida da alma e algo vibrou com o silêncio que me invadiu à chegada. As lágrimas soltaram-se-me sem que as pudesse esconder.
Envergonhada, nunca mais desdenhei os que carpem e exteriorizam as suas dores da única forma que o sabem fazer.

Espírita, vejo Fátima de outra maneira.
Continuo mariana.


Depois da Ave Maria Paien, de Gounod, Caccini e Pergolesi, um excerto de Vivaldi aqui no RG.

(Stabat Mater de Vivaldi, pelo contratenor Philippe Jaroussky)

terça-feira, 12 de maio de 2009

Frigidez (II)

Sacudo a cauda bovina e suavemente enxoto os mais jovens de zumbido tímido. Acumino os gumes caprinamente retorcidos e limito as investidas dos séniores da meia-idade, astutos, manhosos, velhacos. Todos eles com a digníssima missão de engrandecer o ego balzaquiano de quem se gosta mulher.
Depois há os que a ressecam fulminantemente.

- Nunca fui com uma indiana. Gostarias de experientar comigo?
É um indiano alto e escuro. Tem uns dentes branquinhos que se alinham numa perfeição quase insultuosa. É atlético, esguio, desenvolto. Bollywoodiano.
Olho-o com um desprezo profundo e triplo. Pela abordagem pateticamente directa com que abusa da amizade oferecida, pelo imaginário empobrecido do oriente onde força a dança do ventre e o kama sutra, pelo volume tosco que lhe ridicularizo sob as calças. Fixa-me com um olhar salivante que me causa repugnância.
Eu jamais iria com um indiano. Muito menos goês. Faz-me parecer família.
Delira com a visão libidinosa do incesto. A saliva torna-se-lhe baba parafílica. Um nojo.

Recolho a cauda bovina e os cornos caprinos. Supera-os a vontade de o esmagar paquidermicamente.

Frigidez (I)

Ultimamente devo andar a excretar uma praga de feromonas porque, seja eu bosta seja eu mel, eles orbitam qual enxame insuportável ao meu redor.

- Dás-me muita tusa... - assim mesmo, sussurado de rompante, com a lascívia impregnada no olhar com que me percorre o corpo.
É um homem bonito, de olhos amendoados e voz firme. É bem falante e tem uma postura convicta quando disserta filosofia com os seus alunos.
Eu, rameira do Diabo, sentiria tusa com a sua tusa muita. Não fosse eu saber da impudicidade com que ele maltrata a ortografia.
Arido com a mutação do haver em preposição contraída sob um acento agudo. Seco com a mutilação dos verbos travestidos em reflexivos por um hífen impostor. Estanco com as vírgulas que esventram a comunhão directa entre sujeito e predicado. Fico interiormente histérica. Estéril de volúpia e lubricidade.

Subo a gola da blusa e escorrego do banco para o pátio.

... gosto de homens bem escreventes.

Mais Oeste

A emissão do Mano a Mano a 7 de Maio na Mais Oeste - 94.8FM
Eutanásia, aborto e pena de morte à luz da Doutrina Espírita.
Convidados: Amélia Reis e o beautiful Toni.
Algumas perguntas por telefone. A minha, embarataralhada, incluída.
A opinião do André, aqui.

Chui liquide

Ele vê-me "aquática, fluída, aparentemente frágil, sensível e rebelde".
Eu confirmo. Cassable, passable, jetable. Liquide.


(Je suis liquide, par Jeanne Cherhal. 2006)

A canção francesa salpica-me de alegria.
(Sinto-me assim desde o vídeo no agradecimento do FJ.
Reparem como as pessoas são tão bonitas.
Dá vontade de as abraçar. De abraçar o mundo inteiro.)

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Pensamento orgásmico

aqui a até à data assumidamente hetero pôs-se a pensar que dois sexos é nada e que as combinações possíveis é tudo muito pouco e que a bissexualidade é uma seca e que seria muito mais giro que assim à semelhança da pluralidade das raças que habitam este mundo houvesse uma morada na casa de sabemos quem onde fosse possível a plurissexualidade e uma infinitude de encaixes possíveis


são quatro e meia da manhã e as minhas fantasias reclamam inovação

Malas feitas

Simpática, inteligente, sensível, refinada, divertida, et cetera e coisas afins. A gente habitua-se e já nos vai passando ao largo. Mas em terra de mouros a moura é moura e a novidade não é nenhuma. Agora a moura sobe além Tejo e é Nazaré e é Óbidos e é Caldas e a graça é outra. Aos olhos deles, ela é bonita, sexy, gira, um mimo, jeitosa, sensual... por aí.
Ela é gente, mas é gente-gaja e essas coisas tão inusitadas quão inabituais caem-lhe mimosamente no goto.
Ela faz as malas e muda-se até se habituar e se lhe passar ao largo. Ela parte definitivamente para o Oeste Selvagem.


Óbidos

sábado, 9 de maio de 2009

Porque hoje é 9 de Maio...

um tchim-tchim...
... ao jantar organizado pelo meu Paulo do Zé, pelo Zé do meu Paulo e pelo Pinguim
... ao tal tal tal ésimo undo aniversário do meu saudoso Vizinho
... à estreia d' As Novas Lendas do Algarve pela Gaveta, esta tarde, em Portimão. Os Manelinhos fazem parte do grupo de jovens actores e, neste momento, estão em recolhimento com as suas personagens...

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Jornadas Espíritas: Ciência e Espiritualidade

As Jornadas foram transmitidas em directo via net e serão brevemente disponibilizadas nesta página da ADEP.
Eu fiz questão de estar presente. Não me arrependi.
Duzentas pessoas, espíritas e não espíritas de todo o país, arquipélago dos Açores incluído, reuniram-se em Óbidos para debater e reflectir sobre a ocorrência de fenómenos que consolidam a crença na existência da realidade espiritual e que corroboram a filosofia espírita. Cientistas, médicos, psicólogos, professores e outros profissinais apresentaram resultados de investigações devidamente documentadas.
As Jornadas abriram um excelente espaço cultural de diálogo sereno e muito bem-disposto, tendo pecado, a meu ver, no título escolhido para o tema - "A vida continua: factos espíritas".
Abro aqui um parêntesis para argumentar que, em rigor, os factos ali expostos e debatidos são factos. Ponto final. Independem das localizações geográfica e temporal, assim como do credo ou ausência de credo dos que os testemunham. O reconhecimento da ocorrência desses factos, apresentados e problematizados nas Jornadas, credibilizam a Doutrina Espírita. Qualificar os factos de espíritas retira-lhes a universalidade de que realmente são detentores. É que espírita advém de Espiritismo, uma doutrina que, não sendo nem mais uma religião, nem mais uma seita, se equilibra em três vértices: filosofia, ciência e moral. Apelando ao lado racional de cada um de nós, afasta-se do misticismo e do pensamento dogmático, meio caminho andado para o fanatismo. Soube ter sido uma decisão mastigada e consciente. Fiquei esclarecida, mas não convencida. Lembrei-me, porém, de uma parte da resposta à 28ª questão colocada n' O Livro dos Espíritos: "(...) As vossas controvérsias surgem quase sempre do que não compreendeis sobre as palavras que usais (...)". E é verdade. Foquei-me, por isso, no conteúdo. Parêntesis fechados.
Nestas Jornadas, comprovou-se que a Ciência e a Espiritualidade não são campos incompatíveis. Pelo contrário. Harmonizando-se, ampliam o universo das respostas possíveis e plausíveis às questões da Humanidade: Quem somos?, De onde viemos?, Para onde vamos? Qual, enfim, o sentido da vida?
Em termos de pesquisa e documentação, destaco algumas intervenções:
- Eugénia Rodrigues apresentou uma pesquisa efectuada há um par de anos em Braga que a conduziu a documentos antigos comprovativos de informações fornecidas através de uma série de comunicações e fenómenos mediúnicos. Datas, nomes, locais exactos.
- Gláucia Lima, psiquiatra e membro da Associação Médico-Espírita de Lisboa, apresentou as evidências encontradas, depois de todos os descartes efectuados, na recolha de experiências de regressão de memória.
- Vítor Rodrigues, que foi meu professor de Psicologia na faculdade, explanou sobre a vida para além da morte. Soube-me a pouco. Sempre gostei muito deste homem e da forma como ele aborda os assuntos.
- Manel Domingos, neurocientista, deixou-me entusiasmada, na medida em que, não sendo espírita, adiantou que as suas pesquisas em pacientes no âmbito de experiências quase-morte revelam a existência de aquilo a que ele convencionou chamar de ultra-consciência... e que nós reconhecemos como espírito.

Muito me admira que a estes e outros pesquisadores, reconhecidos academicamente nas suas áreas, sejam dificultadas as investigações sempre que pretendem se debruçar sobre as questões da espiritualidade. A ciência materialista apresenta-se dogmática e preconceituosa, vedando caminhos de investigação que permitam a abertura de novos horizontes.
Não me intrepretem mal, mas parece-me que, à semelhança da História, a Ciência é, também, uma ficção. Ou melhor, a forma como ambas são configuradas, ao serviço dos interesses vigentes. Vale-nos a consciência de que nem ela é detentora da Verdade e nós, espíritas, somos pacientes.

Sobre tudo isto e ainda mais, convido-vos à leitura dos testemunhos do André:
«Há Interesse pelo Espiritismo?»
«"Um Menestrel da Idade Mídia"»

Nota: A verde, frases que acrescentei posteriormente à publicação do texto, depois de ter procurado averiguar os motivos da escolha do adjectivo em questão.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

A Deniblog...

... com uma máquina digital nas mãos não resistiu
a um tríptico muito só dela ....

Rocky Balbino

Fogo, terra, água, ar, Rocky Balbino é tudo e o mais que possa ser.
Impulsivo, arrebatador, mordaz, tempestivo, gesticulante. É a caricatura que ele representa ao vivo de si mesmo, numa auto-ironia que faz sorrir quem o lê. Habitua-nos às sátiras em cartoon e em verbo escorreito, directo, sem papas na língua.
Vox Retretorum Premium, vulgo A Voz das Retretes (Premium), subintitulado como Despretenciosa selecção de parvoíces dos extintos blogues A Voz das Retretes e Oeste Selvagem, e ocasionalmente parvoíces inéditas, é um blogue que nos garante uma boa gargalhada. Mas também um sorriso emudecido.
Rocky B assume-se como doido, ordinário, pançudo, cervejeiro e mal-educado. Afirmava algures ter um blogue de cor de cocó e reconhece amiúde a iminência de vir a ser engaiolado. Perto da imagem do gordo de cuecas rotas com o comando na mão e a cerveja na outra com intervalos para coçar os ditos e soltar uns gases de permeio.
Mas, depois, o mal é que a gente sabe que a ironia é o gume dos inteligentes e pela retórica se subentende uma sensibilidade muito rara. É que a gente fica a saber que ele lê, que ele gosta de Pergolesi, que ele se indigna com a homofobia, que ensandece com as touradas, que pugna pelos direitos dos animais e que escreve textos deliciosos como o «Ensaio Sobre o Banho» ou «Os Livros de Frei Almiro». Um trolha com alma de poeta.
O Rocky Balbino é assim himself. Só para não desdizer, a gente atira-lhe em cara que as autodescrições e autocaricaturas lhe assentam que nem um luva. Mas sabemos que ele percebe a ironia com que pausamos num silêncio muito breve, o tempo de uma respiração e um trejeito nos lábios.
Já havia delineado frases e rabiscos e garatujas sobre a Deniblog na antiga Voz das Retretes e que eu não consegui repescar.
O nosso encontro inspirou-o para a «Balada das Corujas» e para «Uns Rabiscos e Umas Garatujas», onde generosamente me aumentou, cof, cof, alguns atributos.
Não fosse estragar a imagem que faz questão de manter, diria que o Rocky Balbino é das pessoas mais interessantes que já tive o privilégio de conhecer. Mas não digo.

Irreverente.
Fogo, terra, água, ar. Ele é diamante, mas pinta-se carvão.
Seja.
(Era a sétima mini depois de um barril por sua conta.
E, ah!, o preto torna-o mais magro do que realmente ele é...)

Celeste

Ela tem um blogue de saltos altos e tons cor-de-rosa. Está escrito com rigor, vírgulas e acentos e exclamações, tudo arrumadinho. É um blogue doce e bem-disposto, de afectos, de sorrisos, com testes, brincadeiras e imagens escolhidas a dedo. É um blogue gaja-mulher-menina. É um blogue onde esta tosca que às vezes se esquece mulher vai buscar muita da sua inspiração. É um blogue pipi, cheio de charme e feminilidade.
Estava eu feita gajo apoiada num muro de pedra em guerra aberta contra o vento numa árdua tentativa de ler o jornal, sinto uma presença assim para o insistente do meu lado direito. Não, não era a mediunidade a desabrochar. Era uma gaiata com uns olhos sorridentemente fixos em mim. Pronto, pensei, o muro é património medieval e eu estou a ajvardar com a tinta do jornal e vou para a choça ter com o RockyB. Mas não. Era a Celeste.
Trouxe-me morangos verdadeiros, daqueles que fazem escorrer o sumo pelo queixo abaixo e que têm cheiro, cor e sabor. Acompanhou-me o chá com uma caipirinha. Credo, Novas Oportunidades, escolas, ensino, crianças, blogosfera... gajos também. A conversa foi agradável e alongar-se-ia não fossem os nossos compromissos assumidos noutras bandas.
Ela é bonita. Ela é simpática. Tem um sorriso catita e troca os Vês pelos Bês. Isso dá-lhe charme e piada. É alegre, observadora, precisa, sólida, sóbria. Tem os cabelos brilhantes, sabe pintar os olhos e usa alcinhas.


Cum carago, ó Celeste !, tu és a cara do teu blogue.
Sem tirar nem pôr.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Versos que vos fizesse,

tivesse eu engenho e arte para tanto, não translucidariam jamais o que por aqui dentro houve e há. Já lamentavam aqueles que muitos sabem quem a pobreza e a insuficiência da linguagem dos Homens. Mal de que padecem os poetas do nosso mundo. E eu também. Suspiro, assim, como a moça a quem dera encontrar o verso puro, o verso altivo e forte, estranho e duro, que dissesse a cantar isto que sinto. (1)
A Denise esteve nas Jornadas de Cultura Espírita em Óbidos. Encomendou à Deniblog umas palavrinhas sobre o assunto. Dar-lhe-ei provimento, mas por ora impõe-se o que para mim foi de maior importância: a descida das torres, o desnudamento dos nomes outros, o face-a-face, em carne e osso e pele e cartilagem, o olho no olho e a escrita feita voz. Ou por outra: a Deniblog conheceu pessoalmente ciberamigos que vem amando de há um bom tempo para acá e ciberconhecidos que passaram a habitar os seus afectos.

1. Haveria de ser um post só para nós, Os Cinco. Mas sem o Francisco, que desconseguiu a presença física, não há como. Sem o nosso F, fica incompleto e, porque incompleto, adio-o para uma oportunidade outra. Pincelo, apenas, um pouco dos encantos dos outros rapazes: alto e moreno, o André é como se deixa vislumbrar pelas palavras que escreve: discurso fluido e elegante, humor refinado, argúcia, perspicácia, acutilância. Ele é brisa, ele é onda, ele é sol. É daquelas pessoas com quem a gente passa horas e horas a conversar sem dar conta do que a clepsidra já registou. O Mário tem olhos de água e uma barriga que timidamente ameaça expansão. É inteligente, é culto e impressiona pela clareza com que desmonta, partilha e problematiza coisas e loisas. Divertido, galhofeiro, susceptível, veemente, acalorado, intenso, apaixonado. O Mário é uma flama. Um bom garfo também. E, vá-e lá saber porquê, a comprovação daquele sentimento de nos conhecermos há muito tanto tempo, um tempo mais longínquo que a memória alcança. O Toni é um sorriso. Das fotos aproximava-o ao Pedro Granger. Toni Granger. Qual quê! O Toni é um Adónis, um Apolo, por aí... Calmo, atencioso, diligente. O dever não se compadeceu dele para que serenasse mais demoradamente entre nós. Mesmo assim, conseguiu organizar um almoço para a malta nos seus paços ensolarados. ...e ainda houve tempo para a cumplicidade no olhar e nos gracejos que se lhe fugiam amiúde. A sensação de porto seguro quando perto dele.

2. O João Eduardo dos oito blogues e o Nuno do Eu sou Espírita , que visito de quando em quando mesmo sem botar comentadura, passaram a ter um rosto. O Nuno, entre o doce e simpático, estava literalmente rodeado de livros. Creio que no meio da conversa - posso estar a ser injusta e tal, mas acho mesmo - nem se apercebeu que também habito a blogosfera. O João, no extremo oposto, reconheceu-me logo ao telefone; quando me viu, ao vivo e a cores, afirmou, a pés juntos, que eu seria a Denise mais conhecida do universo; e num comentário à forma como escrevinho os meus argumentos criou a belíssima imagem da minha pessoa como a versão feminina do Mário.

3. Eu sabia dos galináceos e da graça com que ela as vê e as recria, dos mundos que configura dentro das linhas com forma de ave. Atenta, discreta, sorridente, boa conversadora, a Marta do blogue ... a galinha da vizinha... (que anda paulicamente paradinho) é um encanto. A empatia foi instantânea e creio que mútua. No regresso, os Manelinhos exigiram-me uma fotografia da artista. Aqui no meu reino opto pela tela de que eles mais gostaram. Apresento-vos a Ricardina:


4. Dom Rocky Balbino e Lady Celeste têm lugar num post só deles.


(1) de Florbela Espanca, com alteração de chorar para cantar.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Óbidos

A Denise e a Deniblog vão conhecer Óbidos. É uma vila muito bonita que temos vindo a namorar por aqui.

A Denise vai assistir às Jornadas de Cultura Espírita. Este ano, o tema central é A Vida Continua: Factos Espíritas. Segundo a organização, desdobrado em vários painéis, estarão focados diversos sectores que vão desde a pesquisa fenomenológica, à filosofia espírita subjacente, bem como às consequências morais que advêm desse conhecimento.
Para quem quiser espreitar, basta ir à página que a ADEP criou para o efeito e aceder à transmissão on-line das Jornadas em directo. Por ora, fica o vídeo de divulgação:

Entretanto, a Deniblog aproveita a boleia para, depois, debandar para aventuras outras. É que, no Oeste fertilmente selvagem, moram alguns amigos da blogosfera de quem ela gosta muito, com quem ela muito ri e que ela admira muito tantíssimo.
Com tchim-tchim marcado, a Deniblog leva a máquina-que-fixa-imagens-a-partilhar e muito boa disposição.