terça-feira, 25 de agosto de 2009

Pedaladas (II)


























Pedaladas (I)

Três os quilómetros que distanciam a casa da praia. Um mergulho garantido a quinze minutos ou menos. Não fosse optarmos pelo circuito mais longo, onde a ampulheta flui a outro tempo e os lugares nos contam estórias que nos fazem demorar.
Para além do asfalto monótono, do cheiro nauseante dos escapes apressados entre a vila e a cidade, das regras do trânsito, do sol, do calor e da velocidade, existe um outro trilho que descobrimos e reinventámos à nossa medida.
O arvoredo acolhe-nos com uma sombra convidativa e silencia-se para que possamos escutar o chilreio dos pássaros e o arrulho deste pombo ou daquela rola. As hortas são vinhas sem fim. Há homens e mulheres de chapéu de palha que curvados, secos e cansados apanham a couve, a alface, o tomate, a batata, a cenoura, a abóbora, o morango, a meloa e também cantam a alegria das vindimas. Paramos para ver os pomares. Gostamos particularemente das romãzeiras. E das figueiras selvagens de figos verdes e seiva peganhenta. O campo imenso torna-se numa savana onde habitam criaturas fantásticas como Fénixes e Dragões e os cavalos com que nos cruzamos são Pégasos quase tão velozes quanto nós. Sabemos dos Centauros que ainda não se mostraram e com o pé derrubamos as perigosas Quimeras que, disfarçadas de cães de latido espumante, se lançam a nós sem dó nem piedade. O espantalho de mãos de luva e de calças de ganga acena-nos e pergunta-nos se o levamos um dia a Oz. E há, também, a torre de riscas vermelhas e brancas onde um dia esteve preza uma moça de nome Rapunzel. As pedras das ruínas por que passamos sabem do terramoto de 1755 e as fendas no solo contam-nos de como a terra um dia se abriu e em dois minutos engoliu uma civilização de que nunca ninguém ouviu falar. Lá ao fundo, as nuvens que encobrem a serra ora são neve ora um tsunami de algodão doce e as pás das ventoinhas renováveis aguardam as investidas do Quixote do novo milénio. Atentam aos formigueiros que procuram não destruir, aos besouros, às carochas, às abelhas. Às flores que brotam do chão e das árvores. E eu atento àqueles dois mocinhos que me fazem tão feliz.

Gosto muito destas pedaladas com os Manelinhos.
Muito mesmo.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Hic... hic... hic!

Bebi três copitos do Muralhas verde muita bom fresquinho e tal e senti uns calores muita cools e uma vontade de rir e tal e comecei a ver o chão a dançar, juro!, e tal e estou total, absoluta, completamente ébria e tal e até que me sabe bem. Muito. E tal.
Hic!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Avaliação (IV)

Aproveitei e passei pelo gabinete da Direcção, para saber da minha avaliação.
Que eu me auto-avaliara com um Muito Bom sem ter solicitado aulas assistidas? Ah, pois, a auto-avaliação reflecte o meu olhar sobre o meu desempenho, agora que os avaliadores não tenham recolhido dados suficientes e que tenham de se limitar ao Bom, compreendo. E por que não o Excelente? Porque não considero que este ano tenha tido um desempenho excelente. Pois, que para o Muito Bom como para o Excelente, como sabes, era preciso que tivesses tido aulas assistidas. Sim, claro, sem stress que era o que se esperava. Adiante. Mas vejo que aqui no primeiro parâmetro tenho um Muito Bom. Ah, pois, é o cumprimento do serviço lectivo e tu cumpriste-o na íntegra. Então deveria estar aqui um Excelente. Sim, claro, mas a juntar aos outros parâmetros ultrapassaria a cotação do Bom, por isso foi-se reduzindo.

Eu - Vou passar a fazer assim: primeiro dou a nota aos meus alunos, depois corrijo os trabalhos em função da nota e tento encaixar as cotações de acordo com... uffff
Ela - Pois...

E ficámos assim, as duas, em silêncio, de braços caídos e muito desanimadas.

Avaliação (III)

Fui à escola entregar papelada, havia mais um porta-fólio em cima da secretária, não resisti e

(...)
Nesta reflexão crítica também vou falar dos formadores e começo com a primeira que conheci que foi a de Linguagem e Comunicação. A formadora Denise causou logo muito boa impressão, por ser muito bem-disposta, simpática e sorridente, mas assim que começou a sessão fiquei logo assustada porque vi logo que o grau de exigência era muito elevado. Pensei logo em desistir, mas esta formadora que na minha opinião foi a mais exigente, sempre explicou tudo com muita calma e quantas vezes que lhe foi pedido sem nunca perder a paciência. É de louvar a forma como ela desmontou a linguagem difícil dos referenciais de forma a que todos percebessem.Mostrou-nos a importância de muitas coisas da nossa vida que nós nem nos tínhamos apercebido e mostrou também flexibilidade nos seus horários.
(...)

Perdoem-me, mas é incontornável e incontrolável este sentimento de vaidade.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Costa Vicentina

Da Bordeira à Praia do Amado.
A pé.












































(Fotos: algumas minhas,
outras dos meus colegas Paulo, FRei e Margarida)