segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Escola

Desde que regressei ao Básico/Secundário, esta é a segunda vez consecutiva em que brindo o início do ano lectivo com um sorriso inteiro. Poupada à habitual inscrição no IEFP, no dia em que todos os professores infortunados ali engrossam a taxa do desemprego nacional, alegro-me triplamente:
Colocação a 1 de Setembro com horário completo...
...em contrato anual renovável por quatro...
...na escola que escolhi como primeira opção!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Abraço

Fiquei impregnada do seu cheiro. Intenso, másculo, agreste.

(É tão bom!...)

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Nove

Completam hoje nove anos os dois meninos com quem aprendi um novo significado de Amor.
Seria Manuel, como o avô materno e o avô paterno, caso fosse apenas um. Secundado pelo nome do pai, como rezava a tradição familiar que assim ia baptizando os primogénitos.
Fosse pelo meu pendor anti-tradições, fosse pelo simples facto não ousarmos conceder privilégios que implicassem o acaso que, por dois minutos, decidiu do primogénito e do benjamim, os nomes foram outros. Breves e ao nosso gosto. Nuno, porque o pai gostou. Tomás, que significa gémeo, porque a mãe gostou. Manelinhos, porque a colega Mariette, que sempre perguntava pelo Manelinho, acrescentou um S quando soube da vinda plural.
Desconhecíamos se mono ou dizigóticos. Apostávamos no primeiro caso: uma só placenta mesmo que com dois sacos amnióticos, o mesmo grupo sanguíneo, temperamentos muito próximos, semelhanças físicas que nos confundiram tantas e tantas vezes.
Este ano, a dentista descobriu uma anomalia genética não partilhada por ambos. Este ano, a compleição franzina de um acentuou a robustez do outro. Este ano, cada um apresentou uma forma de estar na vida muito distinta da do outro.
Dom Nuno detém uma tranquilidade que quebra com estrondo quando as coisas não lhe correm de feição. É simpático, aprumado, responsável, atencioso, curioso, organizado. É o menino que faz o adulto que com ele conversa esquecer que é menino. Excepto quando se aninha no colo ou nos faz sorrir com a credulidade ingénua das crianças. Ou quando bate o pé e cruza os braços num ameaço de birra-furacão. É o menino que passa tudo direitinho para o caderno, que não descansa enquanto não termina as obrigações escolares, artísticas ou desportivas, que opta por cores sóbrias, vestuário clássico e se penteia depois do banho. Remata com alguns retoques adicionais, como um tereré - que ainda lhe estou a dever - e bugigangas de couro como anel ou pulseira ou colar. Envergonha-se quando baixo as alças do biquini. Faz teatro com muito gosto, estuda violino por opção, ama o mano por convicção.
Dom Tomás é o nosso palhacinho. Aposta em macacadas ininterruptas que nos fazem rir. É nervosinho e muito meigo. Tanto que não como o não enxotar quando exagera nas doses de beijos no rosto, nos cabelos, nos braços, nas mãos, no peito, nas pernas, por onde calha. Não passa os t.p.c. do quadro para o caderno porque sabe que o Nuno os já passou. É preguiçoso, desarrumado, desorganizado, extrovertido, namorisqueiro. Gosta de ballet mas não sabe dançar. Estudou violino arrastado pelo irmão. Decidiu-se agora pelo piano. Faz teatro com a alma. Escolhe roupas de cores garridas e gosta de gangas rasgadas. Põe gel no cabelo e já ousou falar em piercings e tatuagens. Quer fazer nudismo com a mamã. É o menino criança que se emociona com as cousas do mundo e se deixa convencer muito facilmente. De manhã cedinho apanho-o invariavelmente na cama do Nuno, abraçado como se dele dependesse a sua própria vida.
Estes dois, a quem tenho procurado orientar no sentido da autonomia e da independência, moram aqui. Em mim.