quarta-feira, 14 de julho de 2010

Insónias

...

(ainda às voltas com as letras do alfabeto)

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Hum Tum - Bollywood

Mocinha retorcida!...


Hum Tum

Em português Eu e Tu, Hum Tum é o título de um filme indiano de 2004 que originou uma versão animada. As personagens falam em hindi mas são absolutamente ocidentais. E esteriotipadas. Não bate a bota com a perdigota. Bah!


segunda-feira, 21 de junho de 2010

Verão 2010

Disse-me ele aqui:

Umas Guinness, o relento da noite, uma skazada, e uma noite de sono, comigo costuma funcionar.

Portanto, muni-me de uma grade e rumei à noite na praia mais deserta que consegui encontrar por estas bandas. Não dormi. Muitas as borboletas que contei no meu pensar. As Guinness foram sorrateirando o seu efeito e, antes do orgasmo do dia seguinte, saudei a chegada deste Verão.

(... desequilibro-me no prumo da sanidade convencionada)



sábado, 19 de junho de 2010

Infidelidade?

Deixo Saramago para outro dia qualquer que qualquer outro dia é sempre muito bom para Saramago. Impõe-se agora, contudo, assunto diverso que ocupa a ordem dos dias da Deniblog. O tema é infidelidade e eu ando tremendamente baralhada, confusa, entupida. Em crise.
Conceituo a palavra como a quebra de um pacto, de um compromisso, à revelia da pessoa com quem se estabeleceu esse compromisso. No caso, de fidelidade.
À infidelidade praticada no seio de um relacionamento amoroso, íntimo, dá-se o nome de adultério. É esse tipo de infidelidade que me urge hoje clarificar.

Ensinou-me um amigo meu a distinção entre fidelidade e lealdade, assumindo-se um adepto convicto do segundo conceito. É esse o seu compromisso com quem se relaciona. Estar com quem quer estar e assegurar à pessoa com quem está que é precisamente com essa pessoa que nesse momento deseja estar. Não estar com quem no momento não deseja estar. Uma questão de honestidade, portanto, em contraponto com as pessoas que, estando com quem estão, têm na cabeça as pessoas com quem não estão e gostariam de estar. Fidelidade desleal. Conformismo. Um frete. ... Havendo, com certeza, e sempre, a possibilidade de se harmonizar fidelidade e lealdade. O ideal. Que existe. E que a grande maioria de nós almeja.

Tem-me ensinado a vida que há mais tonalidades que o preto e que o branco. No assunto que aqui abordo (como em muitos outros, reconheço), tenho vindo a descobrir uma série de variantes que me têm dado algum trabalho. É que pensar cansa. E às vezes não se aporta a conclusão nenhuma. Exercícios eventualmente estéreis. Admito. Mas se se coloca a hipótese de se arrolarem questões morais, talvez o esforço seja meritório. Para que se perceba em que medida uma acção de X e Y interfere com Z e, se se aceitarem derivas cármicas, com os próprios X e Y. Se o limite da liberdade de cada um se baliza no limite da liberdade de cada outro, como distinguir limite de vontade e vontade de legitimidade? Ou por outra, se há histórias onde a fidelidade e a infidelidade se escancaram, outras há cujas especificidades onde estas noções de movimentam são pantanosas.

Amáveis, os leitores do RG, dirão certamente quais das alíneas que passo a apresentar ilustram comportamentos de infidelidade e, porque também me interessa, de imoralidade (em directa ou indirecta articulação com o tema em debate).

1. Embora sem paixão nem amor, A assume relação monogâmica com B. Monogâmica e morna. A conhece C. A envolve-se com C . A oculta a B a experiência que viveu com C. A mantém a relação com B. C sente-se a maior bovina de toda a história da humanidade.

2. A assume relação aberta com B. A conhece C. A envolve-se com C. B sabe que A se envolve com terceiros sem necessariamente saber se é com C, se com D, se com H. A mantém a relação com B. C não sabe se está a ter comportamentos bovinos.

3. A envolve-se com B, sem assumir qualquer tipo de relação. O acto sexual pode ser episódico, circunstancial, ocasional, pode ser sempre o último. A conhece C. A envolve-se com C sem nunca colocar de lado a possibilidade de continuar a se envolver com B. C não sabe se está a ter comportamentos bovinos.

4. A assume relação com B sem a cláusula da monogamia por se saber incapaz de a cumprir. B dedica-se monogamicamente a A. B sabe, lamentando, que A não lhe retribui a exclusividade. A, até então amicíssimo de C, aproxima-se de C. A envolve-se com C sem assumir qualquer tipo de relação a não ser a da amizade. A mantém a relação com B e com B delineia um projecto de vida na esperança de um dia conseguir estabelecer um compromisso de fidelidade com B. C não sabe se está a ser a maior bovina de toda a história da humanidade.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

G de....

... generoso, galerno, gaudioso, genuíno, guapo, gaiato, galhardo, gracioso.
Gentil.
Brindo hoje, com alegria, o aniversário do paladino dos olhos doces, húmidos e traquinas. É o G., o meu amigo a quem gabo os braços mais bonitos do meu sempre. Belos. Firmes. Macios. Irresistíveis ao olhar. Com a vida nítida que se ramifica em relevo. Na têmpora esquerda pulsa. Na jugular também. E eu gosto.
O G. é delicado. E atencioso. E sorridente. É enxuto. Tranquilo. Nervosinho também. E cheira bem. Não fala muito, mas tem no olhar uma cumplicidade que dispensa as palavras.
É um prazer enorme quando conversamos sobre livros e quando lhe ouço episódios da infância e dos tempos da faculdade. Gosto quando me escreve em francês e quando o telemóvel acusa a mensagem das boas-noites. E dos bons-dias também.
O G. é uma alma muito boa. Boa mesmo. É sensível. É dedicado. Altruísta. Discreto. Meigo. Suave. Nuvem. Ar. Trata-me por Menina Denise. É paciente para comigo, quando tagarelo ou azelho nas pedaladas a que arrisquei. Sinto-me contente quando me desafia para a noite. Com ele sinto-me protegida e ouso aquele vestido ou aquela saia que pensei estarem destinados à traça faminta. Gosto de dançar com ele. Gosto de estar com ele, mesmo que em silêncio, e, se se prolonga em ausências, sinto uma saudade a derramar-se de mansinho numa fragilidade em que não me reconheço.
No dia em que eu decidi que deixaria de estar tão miseravelmente triste e não mais esperaria por não interessa quem, o G. estava lá e, mesmo sem saber, sacudiu-me de um torpor de onze meses. Com ele, Monsieur, le Monsieur. Os três formamos um grupo muito bonito, a que Monsieur apelida de Mosqueteiros.
Agonizo quando antecipo o dia em que regressará ao extremo diagonal do país, com a incógnita de cada fim de contrato sobre o seu regresso. Professor aqui e ali, de casa às costas e a saudade que vai semeando nele e em quem dele gosta.
Há quem defenda a impossibilidade de amizades virginais entre heteros de sexos diferentes. A que existe entre mim e o G. é o mais perfeito exemplum da minha vida. E eu sinto-me orgulhosa de ter uma amigo assim. Querido. Presente. Amigo. Irmão.
Parabéns, G.



quinta-feira, 3 de junho de 2010

Francisco: Eu, a Cidade e o Mundo

Inspirado no meu post anterior, o Francisco publicou um texto verdadeiramente interessante onde problematiza o imaginário da cidade, concretizando a sua tese com o caso paradigmático da Invicta Cidade do Porto (título atribuído pela rainha D. Maria II em louvor à coragem com que defendeu os ideais do liberalismo oitocentista) e a forma como cada um de nós se dela enamorou, tendo em conta a nossa polaridade dominante: a feminina no meu caso, a masculina no dele.
O meu percurso tem-me levado a amar os lugares onde cruzo memória e afectos. Ruas muito específicas da cidade de Portimão que me falam de episódios da minha vida e das pessoas com quem tenho tido o privilégio de privar. O meu imaginário de Lisboa nasce da leitura. Há lugares onde respiro Cesário, Pessoa, Baptista-Bastos. Depois, os anos durante os quais lá estudei. Há lugares onde revisito o cheiro a livros, mas também um gesto, um beijo, um olhar.
Na sua Poética do Espaço, Gaston Bachelard sublinha o poder da repercussão e da ressonância sentimentais na criação de novas realidades que medeiam o sujeito e aquilo que lhe é exterior. Estas novas realidades resultam da transformação a que as coisas se sujeitam pela percepção de cada um de nós. Assim, as coisas passam a ser imagens.
Aquela rua, por exemplo, nunca poderá ser a mesma para cada uma das tantas pessoas por quem me cruzo todas as manhãs. Porque naquela rua, a minha rua, a imagem em que aquela rua se transformou, habitam os meus pensamentos matinais, os odores que testemunhei, os textos que li, as músicas que sei, as histórias como as vi e vivi.
Esta é uma forma poética, intimista e passista de viver os lugares, a cidade, o mundo. Bachelard alerta, porém, que a imaginação nos liberta do passado e se abre para o futuro. Existe, portanto, na imagem, a possibilidade de uma dinâmica interventiva e de uma abertura ao Outro. Uma possibilidade de pragmatismo.
Creio poder articular esta ideia com a imagem de casa explicada pelo filósofo francês. A casa como o nosso primeiro universo, espaço de ensaio do nosso movimento no mundo e ilusão de estabilidade.
Uma visão abrangente não permite que a casa se reduza a um espaço balizado por paredes. Mário Ventura, em Quarto Crescente, coloca o narrador-menino à janela e transforma a casa onde como um projecto estensível ao tempo e ao espaço. Em toda a sua obra, Baptista-Bastos apresenta uma visão cronótopa dos bairros de Lisboa e Lisboa passa a ser metonímia de não só de Portugal como também do mundo inteiro porque Lisboa se confunde com a própria Humanidade.
O meu amigo Francisco inova de forma interessante o modo como se tem vindo a percepcionar poeticamente a Cidade. Num gesto centrípeto, o Francisco concentra o mundo no Porto, no seu Porto, na imagem que tem vindo a construir do Porto. E desse seu centro eleito, em que quase se adivinha uma fusão entre este meu amigo e a sua cidade, se expande, em movimento centrífugo, o exemplum que na Invicta o Francisco conseguiu descobrir.
Se bem leio este meu amigo, o Porto é simultaneamente o Eu e o Mundo; o diagrama da intimidade, da identidade, mas também da alteridade; o ninho da dialéctica interioridade-exterioridade.
Há uma passagem que considero absolutamente fabulosa e que aqui destaco com um vivo convite à leitura do texto inteiro:

Eu habito o Porto como se habitasse o centro do mundo: o Porto é a minha casa, o meu lar, construído no centro do mundo pátrio, que quero partilhar com todos os cidadãos do mundo. E neste desejo - que recusa a imagem turística oficial e a imagem pública do Porto veiculada por forças inimigas e invejosas - a diferença sexual que esbocei dissolve-se: o Porto é a Pátria da Identidade, a Casa do Homem. O Porto é mundo.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Francisco, o meu amigo filósofo

Estive no Porto. A palavra Porto, como, aliás, cada palavra em si, nunca está isenta de uma impressão digital: movimenta-se no nosso imaginário em consonância com a experiência de vida de cada um de nós. No que a mim diz respeito, os locais redimensionam-se em função de leituras e de afectos. Foi pelas leituras que fui construindo o meu imaginário sobre a Invicta e, assim, o Porto era, para mim, o rosto dos liberais, de Garret, de Agustina ou de Helena Sá e Costa. No entanto, de há uns dois anos para cá, o meu Porto tem vindo a ser consolidado no campo dos afectos virtuais e, por antonomásia, hipérbole ou alegoria, passou a ser, também, sinónimo de Francisco Saraiva de Sousa.
Este meu amigo, autor e co-autor de blogue vários, tem desempenhado uma papel importantíssimo na divulgação do seu tão sui generis pensar Portugal e o Mundo. Para além das suas actividades de teor académico e social, o Francisco socorre-se da blogosfera para problematizar a sociedade actual e, por metonímia, a Humanidade. Um contributo exemplar e muito louvável na construção de um mundo melhor. Generoso, pela partilha espontânea e pela caixa de comentários dinâmica e sempre aberta para a dialéctica e o movimento filosofal. Delicioso, graças às intrusões constantes que translucidam a voz de quem escreve e que dão um toque muito pessoal a cada um dos textos. Ímpar, pela paixão com que pinta a sua cidade.
Portanto, ir ao Porto sem ao menos tentar a possibilidade de um encontro real com o Francisco seria um sacrilégio imperdoável. Hesitei, porém. Pelo receio de o frustrar com a minha limitação intelectual. Pelo receio de nos frustrar com a incapacidade de um diálogo sem teclas de permeio. Mas, porque gosto mesmo do Francisco e porque no seu cantinho acabámos por criar um grupo de amigos que me é particularmente querido - primeiro a Else, o Fernando Dias e o Manuel Rocha, depois juntou-se o Maldonado -, e com algum incentivo destes dois últimos, arrisquei e lancei o convite.
Senti alguma renitência da parte do Francisco. Calculei que pelos mesmos motivos que os meus. Por isso, insisti muito levemente, para o deixar confortável com qualquer decisão que tomasse. Fiquei muito contente quando se decidiu a telefonar e a combinar um encontro num café próximo do local onde desenvolvia as minhas actividades.
O Francisco deixou-me logo muito à vontade e conversámos muito bem sobre os mais diversos assuntos e, um pouquinho também, sobre os nossos amigos virtuais. Atrevi-me a perguntar-lhe sobre a sua vida social e confidenciei-lhe a imagem que dele havia construído.
Foi muito bom tê-lo conhecido pessoalmente, porque essa imagem ficou enormemente engrandecida, graças à componente humana, muito humana, que senti no Francisco. Para além de culto e inteligente, o Francisco é um homem calmo, delicado, atencioso, simpático, sorridente. Enquanto conversa está presente e olha-nos nos olhos. Confessou a sua quase-dependência do computador e a sua aversão pelas gentes que preterem o diálogo em presença, em nome do culto ao telemóvel. Por pensar da mesma forma, rejeitei duas chamadas inoportunas num acto em que o senti vacilar. Falei-lhe de como lhe admiro a produtividade e do quão gosto das suas caixas de comentários. Contextualizou-me algumas das suas intervenções. Em vão tentou acender um cigarro enquanto conversámos, mas as minhas boas energias enguiçaram-lhe o isqueiro.
Gostei do bocadinho com que privei com este meu amigo e sei que ele também gostou. Declara-o publicamente neste texto muito simpático, onde também reitera programaticamente o seu compromisso com o Mundo e a Humanidade.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Invicta

Ora adivinhem por onde ando...




Bibó Porto, carago!


quarta-feira, 5 de maio de 2010

Do 4º jantar de bloguistas e simpatizantes (ou o post dos links)


(Da mão do Paulo)



(E da do Pinguim)


Eu estive lá e gostei.
Um jantar volante propiciou o convívio. Também o facto de termos tido o restaurante só para nós. Organização do Pinguim e dos rapazes do Felizes Juntos.
Talvez porque ande maluca de todo ou porque o pessoal esteja muito in love e mais resguardado ou porque cada coisa tenha o seu tempo e eu me tenha deixado de ser de tempos, achei que o pessoal andava um tanto ó quê reservado, quasi-mortiço e, enfim, não houve pé de dança para ninguém.
Conversa muito boa outdoors e, muito embora tivesse sido alertada para o pouco êxito em campo, a verdade é que havia rapazinhos interessantes sim senhora aqui e acolá e além também.
Divertido, o Ângelo. Singularíssimo, o Hydra. Sorriso bonito, o menino do Comyxtura. Entusiasmada, a Teresa. Uma lufada, o Ophiuchus. Sentiu-se a falta da malta do Oeste, Mr. Rocky Balbino e menino Francisco. Lamentou-se a ausência da Condessa do Credo e Jardins Anexos. Fez-se figas para que Dom Maldonado conseguisse fintar compromissos e fazer uma surpresa de última hora. Uma pinta, o Pinguim. O mesmo charme de sempre, o nosso Zé. Lindo sempre lindo, o meu Paulo do Zé.
Apresentação aprimorada com projecção de um post por blogue e respectiva imagem de apresentação. Para o RG escolheu-se este texto. E, depois, a selecção com que cada um de nós animou a festa.
Eram muitos os quilómetros que me distanciavam dos que, ao acordar, me iriam procurar para o beijo do Dia da Mãe. Meti-me à estrada com os Queen e cheguei a tempo de levar o benjamim ao hospital por causa de umas parvas de umas hemorragias nasais que só pararam com fogo na veia.
Noite boazinha e, para o ano, quero mais. O Maldonado já me prometeu um pas de deux.

As minhas selecções:




(The Real Soul Bossa Nova, pelos Swingle Singers)





(La Linea, de Osvaldo Cavandoli)

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Big Bro... Mother

Aproxima-se e entrega-mo com um sorriso tão grande enorme quão o abraço com que me envolveu.
Eu: Gosto das cores. Gosto do traço. Mas não o entendo muito bem.
Ele: É um desenho abstracto.
Eu: Explicas-mo?
Ele: É o olho da mamã que vê tuuuuuddddooo!
Eu: E dentro do olho? Quem é? Tu?
Ele: Não. És tu, mamã, a comandar o olho que vê tudo. Tuuuuuddddoooo.
Eu: Acho que tenho mais cabelo que....
Ele: É um desenho abstracto, mamã.

Domingo. Dia da Mãe.





sábado, 1 de maio de 2010

1 de Maio



Dia de S. José Operário, o carpinteiro

(Gosto do cheiro da madeira)

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Rabiscos e Garatujas no Brasil

O Evandro é um exagerado e deliciou-me com um texto divertidíssimo que escreveu sobre a sua odisseia de há uns dias e a magnífica descoberta d' "o blog da Denise".

A homonímia tem a sua graça, mas Eu garatujo soa-me muito bem e o subtítulo é de se lhe tirar o chapéu.
É um blogue incipiente criado por quem a vida já trouxe alguma experiência e maturidade.

Aqui ficam as minhas boas-vindas à blogosfera e os votos de uma longa e feliz vida ao blogue do Evandro!

Estou contente!

Vou estar com o meu Paulo do Zé.
Vou voltar a ver o .
Vou conhecer o Pinguim.

(e uma data de gente gira)

Enfim, vou estar.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

As moscas d' abril

a democracia do chinelo que laica se rege pelos parâmetros católicos que institui feriados católicos que festeja santos católicos que em polémicas ausculta a opinião católica
a democracia do chinelo que branqueia o passado e derruba muda nomes a locais como pontes e outros lugares
a democracia do chinelo que sob pretextos vários e absurdos protela a devolução do que é de quem a quem como o espólio espírita à Federação Espírita Portuguesa correspondência livros e imóveis confiscados
a democracia do chinelo que em nome da liberdade de expressão permite o lançamento de boatos que estragam vidas de forma irreversível e condena à partida quem em prova contrária se deveria manter inocente
esperança gorada viva abril
hip hip hic hic bzzzz paf viva

domingo, 25 de abril de 2010

Vinte e cinco - revolução quase



Uma revolução inacabada ou suprimida, uma batalha perdida que não se celebra, um declínio lento, o luto - todavia o luto jamais é esquecimento, é o cenotáfio cívico da lembrança.
in Viagem de um pai e de um filho pelas ruas da amargura

(...) a suposta extensão de um país, mas, na verdade, irremediavelmente cativo das suas próprias referências falhadas: 1383, 1820, 1910, 1974. Datas suspensas, coisas que não foram continuadas, direcções que pararam de súbdito, obscurecidas gradualmente como se houvessem sido festas ausentes.
in Elegia para um caixão vazio

Ora bem: aconteceu o 25 de Abril. São livres, vocês?; somos livres? Éramos todos mais livres no tempo do fascismo. Sabes porquê? Porque a esperança estava intacta; porque lutávamos contra toda e qualquer forma de mutilação individual. O fascismo estava ali e combatíamo-lo em grupo. E agora?
Idem

(...) o 25 de Abril foi parte de um exército a apresentar armas ao Portugal miserável, da fome, dos decénios constelados de torturas e de assassínios - tudo isso é mais que certo; mas logo, muito cedo, transformaram em mercadoria os símbolos e os ícones dos nossos respeitos e amores.
Idem

Abril não foi, nem podia ser, a festa ininterrupra. E nós, todos nós, é claro, limpámos, depois, os restos, as sobras de uma festa que quase ia sendo uma revolução.
Idem

Dou-me conta de que Abril não foi, para mim, no meu trabalho quotidiano, uma fértil e ininterrupta torrente de felicidade.
Idem



(Assim dizem as personagem de Baptista-Bastos)


sexta-feira, 23 de abril de 2010

Jornadas de Cultura Espírita

Brilhantes, uma vez mais. Pelo rigor e seriedade. Pela boa disposição e pelo sentido de humor presentes. Mediunidade e Espiritismo. Conceitos diferentes, correlações possíveis. Médicos, jornalistas, professores, engenheiros informáticos, designers: a perspectivação de diferentes áreas do conhecimento.
Todas as comunicações se encontram disponibilizadas aqui.
Destaco a de Mário Correia, que explicou a origem da estigmatização do Espiritismo em Portugal. Durante o Estado Novo, a censura, a proibição e a perseguição fizeram eco ao tempo dos primeiros cristãos e das suas catacumbas. Ainda hoje, a três décadas dos cravos da liberdade, se sentem as repercussões da ditadura.





quinta-feira, 22 de abril de 2010

Ciumeira

Acende a vela do meio. Espinafres salteados e uma taça de vinho verde. Dourada grelhada para dois chez Monsieur, le Monsieur.
- E já reparaste como ficas com esse sorrisinho insuportável sempre que regressas do Oeste?
Suspiro.
- E afinal gostas do Oeste porque ele é de lá ou gostas dele porque é do Oeste?
Suspiro.
-O peixe está bom. E temperas bem os espinafres. E um homem na cozinha é sempre muito sexy. E...
- E o que há de tão especial lá no Oeste?
Molho um pedaço de pão no azeite quente.
Satisfaço-o:
- Boas vibes.
- Aqui também...
- Alegria. Boa-disposição.
- Aqui também.
- Gente simpática.
- Aqui também.
- Gente gentil.
- Aqui também.
- Gente que me faz rir.
- Aqui também.
- Gente que me abraça.
- Mais do que eu?!
- Gente atrevida. Que me enche o ego.
- E quantas vezes te dizemos que gostamos tanto de ti? Hum? E do teu sorriso? Hum? E da tua alegria? Hum? E da tua simpatia? Hum?
Silencio. O peixe está mesmo saboroso.
E confesso:
- Os rapazes de lá dizem-me bonita.
Fecha o prato. Brinda e sorve à última gota. O vinho é bom.
- Ahhhhh!...
Segura-me a mão esquerda e aproxima-se num segredo.
- O que tu não sabes, mas eu sei, é que o Oeste é a terra dos dois Ms...
- Dos dois Ms?
- Dos dois Ms.
Levanta-se. Traz a sobremesa. Entrega-me uma fatia de queijo com marmelada.
- Dois. Dois Ms. Metade da população é mentirosa. A outra metade é míope.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Piropo

- Permita-me dizer que é ainda mais bonita ao vivo do que na internet.
Assim me confidenciou a voz mais sexy da blogosfera.

Há quem resista ao charme do Oeste Selvagem?

terça-feira, 20 de abril de 2010

Percurso

Sempre advoguei a supremacia do percurso em relação ao ponto de chegada. Sempre muito anti roteiros e mapas pormenorizados. Os trilhos sempre, em vez das auto-estradas. E sempre o prazer da surpresa, do inesperado, da descoberta conquistada.
Mas - e é como há bem pouco tempo aprendi - se "todos" é muita gente, "sempre" é muito tempo.
Óbidos arraigou-se em projecção e, depois, em memória.
Não houve percurso.
Nem antes, nem depois.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Fui ao Céu


(mas já voltei)






domingo, 18 de abril de 2010

Bastidores

- Estou bem.
Assim lhe disse ela. Lapidar, para prevenir os entusiasmos que aprendeu a calar.
É o que faz: esconde os sentimentos num saco preto e proibe-se a si mesma de os revisitar. Foge do miradouro que lhe mostra o que já foi. Sabe do quão perigoso é concretizar em palavras o que, sendo, não será.
Ele confessou o que há muito ela desejou ouvir.
- E eu estou mais calmo. A distância também ajuda.
Ela sorriu, ao mesmo tempo que algo se lhe parteliu no. Inesperadamente. E doeu-lhe.
Por detrás do pano preto, ele demorou-se na força do abraço.
E, pela primeira vez, ela sentiu que sim. Que gostaria de o beijar.

domingo, 11 de abril de 2010

Ironia - Olé!

Alguns palermas continuam a utilizar o seguinte excerto queirosiano como autoridade para advogar, legitimar e defender a tourada.
É verdade que a tauromaquia está presente e é transversal na literatura portuguesa que o tempo se encarregou de consagrar. ... E que exige uma leitura de que os néscios são incapazes.
Também eu, quando os meus verdes 14 anos não davam para mais, peguei n' Os Maias e li esta passagem de forma leviana, preocupada mais com a história do que, propriamente, com a forma como a história é contada, ou seja, com os procedimentos retóricos e as críticas que subtilmente se vão tecendo.
A seguinte passagem é um exemplo da mestria com que Eça de Queiroz cria um efeito estrondoso a que se dá o nome de Ironia. Descodificar a Ironia que se movimenta na estrutura profunda de um enunciado é tarefa árdua e exige uma competência tripla do leitor: linguística, enciclopédica e ideológica. Não sou eu quem o diz. Corroboro apenas o que defende Linda Hutcheon, ironóloga de referência.
Ao comentar este post, acabei por rever Torga e Eça e, entre googladas, tombei nesta página. Durante estes vinte anos que intermeiam a minha primeira leitura d' Os Maias, as posteriores e o momento em que reli este excerto algo maturou em mim. E fez-se um clique. Se no início eu lera a passagem como uma defesa inegável da tourada e aceitara essa interpretação sem reservas, a leitura mais demorada do romance e da restante obra queirosiana alertou-me para uma incoerência incómoda que eu não conseguia explicar: a divergência entre esta posição e os valores profundamente humanistas transmitidos de forma recorrente em toda a obra queirosiana. Eça de Queirós era um iluminado e via muito para além da época e da sociedade em que viveu. Um patriota incompreendido que, por tanto amar Portugal, o criticava . .. Atitude que provocou uma forte e azeda reacção de Pinheiro Chagas e outros seus contemporâneos.
Como poderia Eça, pois, fazer a apologia da tourada? Senti um clique. Não no fez. Eu é que o nunca lera como o merecia.
Afonso da Maia é uma personagem sólida, culta, de gostos requintados e de firmes princípios morais. Por isso, o leitor desprevenido toma as suas palavras como as do autor. Mas o velho Afonso, tal como o Ramalhete onde habita, representam o velho Portugal, em declínio, perante uma regeneração necessária mas que se avizinha repleta de defeitos. No romance transparece, pois, a ideia que Eça defendeu no ensaio que intitulou de "O nobre patriotiotismo dos patriotas", cuja leitura aconselho vivamente.
Assim, muito embora o narrador valorize o Afonso da Maia, não no torna numa personagem que concretiza a perfeição. Ao falar da tourada, Afonso da Maia ilustra o velho Portugal, arreigado às tradições, petrificado nas suas fronteiras e de costas para a Europa. Afonso da Maia defende convictamente as suas ideias, mas compreende-se uma fina e subtil ironia proveniente daquele que se silencia para lhe dar voz: o narrador.
Poderia demonstrar os procedimentos retóricos que criam o feito irónico. Poupo-vos a tamanha tortura. Mas convido-vos a atentar à relação de causa-efeito que se estabelece entre tourada, saúde física e coragem portuguesa. E à posição em que Portugal é colocado relativamente aos restantes países da Europa.

“O marquês arrastara uma cadeira para o pé de Afonso, para lhe fazer a confidência dos seus achaques; mas como Dâmaso se metia entre eles, falando ainda da Mist, decidindo que a Mist era chic, querendo apostar cinco libras pela Mist contra o campo - o marquês terminou por se voltar, enfastiado, dizendo que o Sr. Dâmasosinho se estava a dar ares patuscos... Apostar pela Mist! Todo o patriota devia apostar pelos cavalos do visconde de Darque, que era o único criador português!
- Pois não é verdade, Sr. Afonso da Maia?
O velho sorriu, amaciando o seu gato.
- O verdadeiro patriotismo talvez, disse ele, seria, em lugar de corridas, fazer uma boa tourada.
Dâmaso levou as mãos à cabeça. Uma tourada! Então o Sr. Afonso da Maia preferia touros a corridas de cavalos.
O Sr. Afonso da Maia, um inglês!...
- Um simples beirão, Sr. Salcede, um simples beirão, e que faz gosto nisso; se habitei a Inglaterra é que o meu rei, que era então, me pôs fora do meu país... Pois é verdade, tenho esse fraco português, prefiro touros. Cada raça possui o seu sport próprio, e o nosso é o touro: o touro com muito sol, ar de dia santo, água fresca, e foguetes... Mas sabe o Sr. Salcede qual é a vantagem da tourada? É ser uma grande escola de força, de coragem e de destreza... Em Portugal não há instituição que tenha uma importância igual à tourada de curiosos. E acredite uma coisa: é que se nesta triste geração moderna ainda há em Lisboa uns rapazes com certo músculo, a espinha direita, e capazes de dar um bom soco, deve-se isso ao touro e à tourada de curiosos...
O marquês entusiasmado bateu as palmas. Aquilo é que era falar! Aquilo é que era dar a filosofia do touro! Está claro que a tourada era uma grande educação física! E havia imbecis que falavam em acabar com os touros! Oh, estúpidos, acabais então com a coragem portuguesa!...
- Nós não temos os jogos de destreza das outras nações, exclamava ele, bracejando pela sala e esquecido dos seus males. Não temos o cricket, nem o footbal, nem o runing, como os ingleses; não temos a ginástica como ela se faz em França; não temos o serviço militar obrigatório que é o que torna o alemão sólido... Não temos nada capaz de dar a um rapaz um bocado de fibra. Temos só a tourada... Tirem a tourada, e não ficam senão badamecos derreados da espinha, a melarem-se pelo Chiado! Pois você não acha, Craft?
Craft, do canto do sofá, onde Carlos se fora sentar e lhe falava baixo, respondeu, convencido:
- O quê, o touro? Está claro! O touro devia ser neste país como o ensino é lá fora: gratuito e obrigatório.
Dâmaso no entanto jurava a Afonso compenetradamente que gostava também muito de touros. Ah, lá nessas coisas de patriotismo, ninguém lhe levava a palma... Mas as corridas tinham outro chic! Aqueles Bois de Boulogne, num dia de Grand-Prix, hein!... Era de embatucar!”
in Os Maias, Eça de Queirós

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Kunnbi - Fugddi Natch

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(Tenho saudades de Goa)

Goa













(Algumas das fotos com cheiro a cominhos que a mana me trouxe)

quinta-feira, 1 de abril de 2010

sábado, 27 de março de 2010

Hoje é dia de Santa Denise


(Denise, por Bob Dylan)

Denise

- Tens 3 irmãos e muitos amigos, mas ninguém que escreva um texto sobre ti...
Assim se lamentou ela, a propósito das palavras que alinho e oferto aos meus afectos. Ignora a mana que esta eu sabe ser ela. Outrando-se tudo se torna muito mais fácil.

É sempre engraçado ver como os outros nos vêem e saborear os adjectivos com que nos presenteiam. Estatisticamente, há incidências que têm vindo a acompanhar os ciclos dos dias e que espelham aquilo que se expecta de nós. Simpática, sorridente, bem-disposta, autêntica, espontânea, sensível, fria, doce, ríspida, meiga, ingénua, transparente. Burra. De humor subtil e inteligente. Palhaça. Rebelde. Exímia em trocadilhos, rápida de pensamento, mestre na arte do bem-escrever. Teimosa, eufórica, preguiçosa, despistada, impulsiva, tímida, palradora. Consegue criar a ilusão de inteligente e culta ao ponto de haver quem a considere brilhante. Nos tempos mais recentes, imagine-se, bonita, encantadora, atraente, sensual, boazuda, tesuada. Deve ser dos trinta. E do facto de a roupa esconder pneus e estrias e celulite e flacidez. Dividida, assim me confidenciaram recentemente, com a promessa de uma explicação minuciosa. A miúda-orgulho-dos papás, a miúda orgulho-das-manas, mas também a miúda-dor-de-cabeça de muito boa gente.
Esta que aqui vos escreve, como, aliás, qualquer um dos que aqui a lê, tem sido muitas, em espaços, em tempos, em contextos diferentes. Interessante, porém, observar aquilo que tem cumprido uma meticulosa coerência: gostar genuinamente das pessoas, gostar como amar, gostar como querer senti-las em cada poro seu, gostar como doer aquela parte bicuda do coração. Querer sempre mais. Entusiasmar-se com cada novo projecto. Empenhar-se de corpo e alma e frustrar-se por não conseguir fazer tudo e bem ao mesmo tempo. Sonhar à noite com um homem sem rosto e sem corpo que lhe diz coisas bonitas à beira-mar e a beija apaixonadamente. Escrever, escrever, escrever. Desnudar-se ao espelho, de bicos de pés e barriga encolhida, a fazer boquinhas e carinhas. Falar com o seu anjo-da-guarda como quem fala com o tipo mais porreiro do universo. Não resistir a mousse de chocolate e marisco mesmo sabendo que é alérgica. Defender as minorias e os marginalizados. Recusar pertencer a um rebanho. Problematizar. Perguntar. Racionalizar. Tentar destruir as emoções e ser plenamente estóica. Chorar e correr ao espelho e gostar de se ver rosada. Achar que o dia é curto e gostar de se adentrar pela noite fora. Abrir o dicionário ao calhas e aprender uma palavra nova. Sentir a felicidade com o cheiro a terra molhada e o sol na fronte e o mar o mar o mar. Suspender a respiração com a vista magnífica quando sobe a Monchique. Encarar cada novo dia como uma oportunidade de recomeçar.

Acho-lhe uma certa piada. É uma miúda porreira que se esforça por ser melhor e que agradece o facto de existir.

Aos 34 anos, sinto-me sexy. Sinto-me feliz. Sinto-me viva.

domingo, 21 de março de 2010

Um poema

Este poema é absolutamente desnecessário

Este poema é absolutamente desnecessário
pela simples razão de que poderia nunca ser escrito
e ninguém sentiria a sua falta
Esta é a sua liberdade negativa a sua vacuidade dinâmica
e o movimento da sua abolição
a partir do seu vazio inicial
mas qual é a sua matéria qual o seu horizonte?
Traçará ele uma linha em torno da sua nulidade
e fechar-se-á como uma concha de cabelos ou como um
[útero do nada?
Ou será a possibilidade extrema de uma presença inesperada
que surgiria quando chegasse a essa fronteira branca
que já não separaria o ser do nada e no seu esplendor absoluto
revelaria a integridade do ser antes de todas as imagens
a sua violência natural a sua volúvel gestação?

António Ramos Rosa
Deambulações Oblíquas

sábado, 20 de março de 2010

Parabéns, S.

Foi assim de mansinho, feito água tépida, que ele setembreou o meu incorrupto, duro e severo coração. Dou-me por mim S-dependente. Exactamente como, creio, todo o seu universo de amizades.
Sublinho, com algum requinte de frigidez emocional, porque isto de afectos nunca terá sido comigo, a perfeição do desprezo que lhe votei depois das primeiras e parcas impressões em testemunho directo. Desfavorabilíssimas. Par pedagógico em derivas cnorrianas, apresentou-me num só fôlego os referenciais que eu iria passar a ter em mãos e, levantando-se, em atraso considerável para os chutos na bola, rematou qualquer coisa como percebeste não percebeste? Antes que eu proferisse a verdade, acrescentou, em nome dos companheiros de relvado que não toleram a incompetência do atraso, um ruído parecido a e qualquer dúvida tu vês isso com calma em casa. Take one, for start. E como quem conta um também conta dois, aqui a demoiselle, ainda perdida em marés de referenciais, assiste à primeira parte da sessão onde monsieur demonstra as subtilezas na desconstrução do núcleos geradores e dos respectivos domínios de referência. Tudo muito bem. Tudo muito célere. Tudo muito in. Até que Preconceitos e Estereótipos. Ele exemplifica com o conceito de Belo. Sinto um frémito ao pensar em Platão como o início de uma estimulante sinopse filosófica. Mas Monsieur, le Monsieur tem a soberba ideia de tomar a demoiselle como exemplo e de, zás!, a atirar a um grupo de senhores gê ene erres, todos homens, todos machos, todos muitos, que se degladiam nas preferências entre as loiras e as morenas.
Primeiras impressões equilibradas, pois que, segundo consta, terei sido vista como leviana e mulher de muito má vida.
E depois, porque na vida da escola há tanto que fazer, era aquela mais uma rotina que.
Súbito, em Maio, serpenteou, setembreou, aconchegou-se. Uma ideia vaga, entre saídas, garfadas, copos e amigos comuns, do gozo inusitado no despique da parvoeira. Uma desgarrada interminável de subtilezas intelectas com intermitências de quase-ordinarice. Tudo tão agudo e tão intenso e tão sei-lá sem direito a uma pausa desprovida de amuo punitório. Experimentei e vivi o inferno. Confessei-lho. Desgraçadamente rejubilou.
Palhacinhadas cnorrianas ao sabor do que se quer. Improvisos conçonéticos, pas-de-deux ao som de U2, sms sob as barbas do coordenador, ensaios à la FCPoooooooooooooooorrrtooooooo! em gravações ao vivo como toque alternativo de telemóvel.
Insinua-me profusamente chata, intelectualmente limitada, fisicamente gorda, gastronomicamente javarda, arraçadamente masculina, insignificantemente mosca para dizer que aprecia a minha companhia e que, vá lá, até gosta de mim.
Apresenta-me como a amiga mais oferecida e mais possessiva que até agora já teve. Inadmite o quão ciumento consegue ele próprio ser em relação a cada um dos seus amigos dele.
Eu gosto do S. Gosto muito do S. Gosto muito tanto do S.
Gosto do nosso ritual do café da manhã e dos almoço e jantares com os nossos amigos. Gosto dos sms insonolentos, gosto dos Sááááááááábados mailados e acho piada quando ele me chama de mosqueteira, mesmo que Aramis, o tal que afinal era uma tal que se castrava mulher por apertar o peito com faixas, eufemismo a-simpático para o que feiamente se chama de gaja-tábua-de-ferro. Gosto quando insiste à exaustão. Gosto dos seus pequenos atrevimentos. Gosto da forma como abraça a vida, a brinda e rodopia o copo sobre a cabeça. Gosto de como estende a palma da mão para um dá-cá-cinco cúmplice. Gosto de como e por que se ri. Gosto de como gosta dos Manelinhos e de como eles também gostam dele. É autêntico, é espontâneo, é alegre. É intenso. É sensível. É simultaneamente expansivo e recatado. É cusco. É bebé. É mimado. Irrita-lhe o que em mim há que lhe espelha o que nele há. É tão egoísta e possessivo e ciumento quão detentor de uma generosidade comovente e de uma abertura ímpar. É frágil, mas cultiva o instinto protector.É selectivo. É exigente. É o S.
Este meu amigo, que protagoniza alguns dos textos deste reino dos tropos, é, como já aqui escrevi um dia, o mano mais velho que eu sempre sonhei ter.
Parabéns, S.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Costas

Puxou-me para dançar, mas as mãos aceleraram-se em entusiasmos incomuns entre aqueles que se dizem amigos. A primeira fracção de segundos apreciou o toque delicado naquela parte particularmente sensível do meu corpo. A segunda evocou a honestidade para me falar do quão feio era estar a abstrair-me da pessoa a quem aquelas mãos pertenciam. A terceira, infame e decisiva, acusou-me de adúltera. Não ondulei e quase entrei em pânico.
Terrível o fel de quem se sente trair a amizade do paladino dos braços bonitos e de Monsieur, le Monsieur.

Sms

Reconheço que possa ser mera brincadeira. Ou um engano puro. Muito embora me tenha asseverado que assim não é. Tenho um admirador tímido e inseguro. Anónimo. Secreto. E eu estou a achar uma graça imensa a estas palavras sem rosto.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Outono

Quando os fui buscar à escola, fizeram questão de me confrontar com um mito alimentar que muito jeito tem dado à preguicite de que padeço à noitinha. E, com recurso à voz popular para consolidar a minha autoridade, assim me tenho permitido a um gozo íntimo e muito caprino perante a credulidade inocente de quem confia em nós.
Laranja a esta hora?! Ah, não! Pois que de dia é ouro, à tarde é prata e à noite, zás!, mata!
Eis como me tenho governado nos últimos nove anos. Sem grandes justificações nunca foi necessário impor. A minha palavra tem servido de dura lex sed lex. Por eles assim assumida e sem grandes questionamentos.
Até ao dia em que a senhora especialista em alimentação, com uma profissão de nome complicado e muito comprido...
- Nutricionista...
Admiram-se de como sei tanta coisa, de como, mesmo sem lá ter estado, saber logo, assim de repente, só com aquela pista, o nome da profissão da senhora.
Até que um dia, essa senhora, que é uma doutora, das melhores do Algarve, e que trabalha no hospital deste cantinho do Algarve, foi à escola do 2º ciclo, dos meninos grandes, e a turma do 4º ano foi lá assistir à conferência onde ela explicou algumas coisas muito interessantes sobre os alimentos.
- E como é que sabem que é a melhor do Algarve?
- A professora disse.
- E como é que a professora sabe? Conhece todas as nutricionistas do Algarve? E mesmo que conhecesse, como pode saber que é a melhor? Como se sabe que se é a melhor?
Calam-se. Percebem o carácter retórico da catadupa das perguntas que enxorrilhei sem pestanejar.
- E no meio disto tudo como é que entra a história da laranja?
Que houvera um espaço para questões e que eles...
- Ousaram questionar o meu saber sobre o assunto, é o que é...
Esta é outra táctica de mãe, maravilhosa e de gozo supremo: a chicotada psicológica na baliza das emoções.
- Ela disse que a laranja não faz mal, que o fígado de algumas pessoas é que bla bla bla bla
- E como sabem vocês que era aquela senhora uma nutricionista? Se calhar era uma peça de teatro, daquelas modernas, interactivas.
Impacientam-se. Que podemos pesquisar na internet.
- E quem vos diz que essas informações na internet estão correctas? Nem tudo o que está na net está certo.
Silenciam. Uma fracção de segundos que me impede de saborear a maquiavélica vitória do que sei inadiável.
- Ó mamã... - a voz translucida uma doçura prudente.
- Ó mamã.... e quem nos diz que tu estás sempre certa?

Estes dois que se me ameaçam pré-adolescentes enchem-me de orgulho.
A queda do império matercentrista entrega os meus filhos ao esplendor da dimensão social e, uma a uma, caem as folhas com que se revestem as fases da experiência da maternidade.
Nesta minha vida caducifólia estou em vésperas de Outono.

... e sabe-me tão bem!...

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Grave


Escandalosamente grave...

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Modernices (II) - Sms

Sugestão de Monsieur: que eu passe pela sua casa, que iremos juntos, que levará o seu carro e a demoiselle ao almoço de cerimónia onde iremos ambos discursar.
Ao contrário do que em nome da tradição se sugere, a demoiselle fica uns bons vinte minutos à espera que Monsieur se decida quanto à camisa e ao casaco e ao perfume e...
Ao contrário do que em nome da gentileza se advoga, pede à demoiselle que leve o lixo para o contentor enquanto Monsieur termina a sua higiene oral.
Ao contrário do que em nome da discrição se exige, Monsieur olha a demoiselle dos pés à cabeça.
Enquanto conduz com a mão esquerda, maneja o telemóvel com a direita.
Irrito-me levemente. Manda-me calar.
O meu telemóvel acusa a recepção de uma mensagem.
É um sms. De Monsieur.
"Estás muito bonita"

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Jeremy Brett


(... sempre lhe achei muita piada.)

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Francisco

Já perdi a conta de quantos blogues seus fui acompanhando e, mesmo que agora assine o Pseudobloguista, para mim continua a ser o fabuloso Uacou, cuja paixão pela informática o torna num admirável, imparável e incansável geek, em particularidades que espelham a sua tendência para as minudências do perfeccionismo.
Não nos recordamos dos pormenores que nos fizeram tropeçar um no outro. Navegávamos por mares comuns, algures entre o Felizes Juntos e A Voz das Retretes. Noutras marés, aportávamos em lugares de programas outros. Filosofia, ciência, estudo. Palermice também. Interesses comuns. Estava predestinado. Por isso, apesar de alguns desencontros que nos fintaram durante o ano que passou, o almoço que tivemos juntos seria uma questão de tempo. E o tempo fez-se hoje.
O Francisco é como o imaginei. Entre blogues e teclas no messenger e sms e emailes e uma foto aqui e outra ali e dois ou três telefonemas e uns quantos smileys e sopros provenientes de amigos comuns, fui compondo a imagem de um dos meus primeiríssimos companheiros da blogosfera.
Encomendou sol para que déssemos dois passos e meio no jardim por onde fomos estendendo os nossos tentáculos de conversa. Doses concentradas e cronometradas com o escoar da ampulheta.
Uma pincelada impressionista a aprimorar em reencontros que sabemos.
Para além de respirar simpatia e um sentido de humor muito peculiar, o Francisco possui a discrição dos que estão seguros da sua verticalidade e rectidão.
O Francisco possui a nobreza das almas grandes que partilham aquilo que conhecem.
O Francisco possui o dom da palavra fluida e o da paciência de saber ouvir.
O Francisco possui um sorriso que eu acho um mimo.

N.B. Derretidinha com este texto. A começar pelo título.


quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

SOS

Tinha arranchado trabalho fiquei contente.

... tinha que saber a contida-de de óleo que cada carro levava.

Afia uma tabela com as medidas

Como eu não sabia montar aquilo lia as extorsões que vinha nas caixas das peças

O novo trabalho era mais preto de casa

... no início foi mais fácil duque eu pensava

... tive que adaptar-me ao rito-me deles.

Em quanto não arranjei trabalho ia me divertindo.

Come sei no dia seguinte

... e perguntei o que afia para fazer então derrame um carro para despolir

... com a responsabilidade de que os consigo coser talos!

De pois comprei um carro e assumi um compromisso desta vês com um Banco

Ser pate chapas dá muito trabalho as fezes é de dar dores de cabeça!


(Assim têm sido os meus santos dias.
Ando à beira da loucura.)

sábado, 9 de janeiro de 2010

Modernices (I) - Serenata

Promessa auto-infligida: deitar-me cedinho, antes da meia noite. Garanto que a estava a cumprir na íntegra. Estava já aninhada quando o telemóvel sacudiu o torpor que me embalava.
1h25m.
Era ele. E cantava.
Acompanhava-o um amigo no baixo e outro em coro. Cantou. Cantaram. Brindaram. Voltou a cantar. U2, Beatles, Xutos, Rui Veloso, Menina estás à janela, Non ho l' eta, Are you still mine? Pausas de baixo preenchidas com breves instantes de Youtube. Retomaram com Stuck in a moment you can't get out of e um terminou, a solo, com Unchained Melody.
Três horas ao telemóvel em alta-voz. Com ele e dois simpáticos desconhecidos que me disseram "divertida".

Esta madrugada tive o privilégio de uma serenata.
À século XXI e com muitos copos já bebidos. Mas serenata.

Ontem sonhei com...

Ainda me ocorreu escrever sobre as cenouras rijas que apodreciam assim que lhes colocava o preservativo e das bananas hirtas que subitamente amadureciam.
Mas pronto, poupo-vos às frustrações masturbatórias que visitaram o meu último sonho.
Pesadelo.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Hermafrodices (II...)

(Foto de João Belo, retirada daqui)

Nem senti o sabor do erotismo. Passou directamente ao registo pornográfico. Não sei que combinações se congeminam no meu subconsciente semi-lantente. O que sei é que, depois desta vez, o andrógino me revisitou e saciou o corpo que eu julgava adormecido.
Parte 1 - Eu perante uma mulher que me inicia nos mistérios de Safo. Lençóis brancos. Cama desfeita. Moça feia, de nariz largo e pele excessivamente nívea. Uns seios firmes, bonitos, apelativos. Convida-me ao exercício do cunnilingus. Sinto repulsa. Retraio-me. Não quero. Insiste. Avanço renitente. Despe-se. Recuo. Horrorizo-me com a sua nudez. Perto dela, A Origem do Mundo de Courbet estaria desprovida das pilosidades mínimas que compõem o bom-gosto.
Parte 2 - Por artes masturbatórias, a retracção da cabeleira torna-se proporcional ao crescimento abissal do clitóris que, agora sim, é um membro inegavelmente másculo e generosamente erecto a que, voraz, a minha boca avança em exímias sumptuosidades.
Parte 3 - Pacote completo com cascatas de orgasmos até à explosão final: oral, de frente, por trás, debaixo, por cima, anal... Creio que até nasal...

Acordei exausta.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Já chegou!

O gentil paladino do sorriso rasgado e dos braços bonitos regressa aos meus Algarves depois dos longos quinze dias em que se demorou na outra ponta do país. Foram ondinhas, caracolinhos e beijinhos muitos que diariamente viajaram entre os nossos telemóveis. Palavras bonitas que iludem o vazio que se sente quando se gosta. Doce. Meigo. Uma ternura. Este meu amigo, também ele do norte, companheiro de pedaladas, camarada de copofonia, sócio de ritmos nocturnos, cúmplice de pormenores literário-linguísticos, deixou umas saudades marafadas.

(Na Quarta-feira cumprimos o ritual do almoço na Serra. Não vejo a hora.)

sábado, 2 de janeiro de 2010

Parabéns, Toni

Hoje é o dia de um menino que vive aninhado no meu coração.
Apresentou-mo o Francisco e foi com cerimónia que a mim dirigiu as primeiras palavras. Achei piada à voz e à pronúncia catita das gentes boas do Oeste. Em Maio, Óbidos voltou a acolher as Jornadas de Cultura Espírita na sua 6ª edição. Ali o conheci. Simples. Simpático. Solícito. Prestável. Gentil. Doce. Calmo. Atento. Persistente. Discreto. Assim é o meu amigo Toni por quem me senti rendida desde o primeiro instante. E porque, membro da organização, se desdobrava em correrias intermináveis, restou-me conhecê-lo na cumplicidade dos olhares que com ele fui trocando e aqui tecer algumas considerações a respeito das minhas primeiras impressões. Depois, fui agraciada com a sua presença no VII Congresso Nacional de Espiritismo. Viseu nunca mais sairá da minha história de vida. Eu estava muito contente por saber que ele estaria por ali e mais contente fiquei quando, nos permeios das conferências e do grupo de amigos, me consegui infiltrar, um bocadinho, no seu espaço e no seu tempo.
Ao Toni adivinho aquela grandiosidade de carácter que nos faz admirar uma pessoa. É um homem recto. Sóbrio. Sereno. Sorridente. Divertido. Graceja e faz-me rir. É um homem bom. Solidário. Organizado. Metódico. Contemplativo. Ponderativo. Aplicado. Trabalhador. Estudioso. Às vezes um pouco demasiado arrumado.
Depois, tem as suas loucuras com que presenteia apenas alguns privilegiados. Tenho tido a sorte de ter vindo a pertencer a esse grupo.
Gosta de música, não gosta de dançar. Gosta de ler, não gosta de escrever. Gosta de falar e sabe silenciar para ouvir. Gosta de andar. Gosta do mar. E sonha muito. Ainda mais do que eu. Um dia encontrei-o em Júpiter (era Júpiter, Toni?), mas ele trabalhava em equipa, nem pestanejou com a minha presença e abalou com um adeus apressado antes de se lançar em voo de luz.
O Toni é também muito bonito. Gosto-lhe dos olhos, de como olha e também de como e por que sorri. E da forma como nos segura e nos beija ao nos cumprimentar. É o nosso Toni Granger, Mr. Beautiful, de quem eu gosto tanto muito e imenso.
Este meu amigo está eternamente cativo na roda dos meus afectos. Chama-me de Denise Denise por causa da canção do Randy & The Rainbows. Chamo-o de Toni Toni porque, como hoje, assim lhe canto aos segundos 40 e 41:



(«Tonight» - West Side Story - 1961)