quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

SOS

Tinha arranchado trabalho fiquei contente.

... tinha que saber a contida-de de óleo que cada carro levava.

Afia uma tabela com as medidas

Como eu não sabia montar aquilo lia as extorsões que vinha nas caixas das peças

O novo trabalho era mais preto de casa

... no início foi mais fácil duque eu pensava

... tive que adaptar-me ao rito-me deles.

Em quanto não arranjei trabalho ia me divertindo.

Come sei no dia seguinte

... e perguntei o que afia para fazer então derrame um carro para despolir

... com a responsabilidade de que os consigo coser talos!

De pois comprei um carro e assumi um compromisso desta vês com um Banco

Ser pate chapas dá muito trabalho as fezes é de dar dores de cabeça!


(Assim têm sido os meus santos dias.
Ando à beira da loucura.)

sábado, 9 de janeiro de 2010

Modernices (I) - Serenata

Promessa auto-infligida: deitar-me cedinho, antes da meia noite. Garanto que a estava a cumprir na íntegra. Estava já aninhada quando o telemóvel sacudiu o torpor que me embalava.
1h25m.
Era ele. E cantava.
Acompanhava-o um amigo no baixo e outro em coro. Cantou. Cantaram. Brindaram. Voltou a cantar. U2, Beatles, Xutos, Rui Veloso, Menina estás à janela, Non ho l' eta, Are you still mine? Pausas de baixo preenchidas com breves instantes de Youtube. Retomaram com Stuck in a moment you can't get out of e um terminou, a solo, com Unchained Melody.
Três horas ao telemóvel em alta-voz. Com ele e dois simpáticos desconhecidos que me disseram "divertida".

Esta madrugada tive o privilégio de uma serenata.
À século XXI e com muitos copos já bebidos. Mas serenata.

Ontem sonhei com...

Ainda me ocorreu escrever sobre as cenouras rijas que apodreciam assim que lhes colocava o preservativo e das bananas hirtas que subitamente amadureciam.
Mas pronto, poupo-vos às frustrações masturbatórias que visitaram o meu último sonho.
Pesadelo.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Hermafrodices (II...)

(Foto de João Belo, retirada daqui)

Nem senti o sabor do erotismo. Passou directamente ao registo pornográfico. Não sei que combinações se congeminam no meu subconsciente semi-lantente. O que sei é que, depois desta vez, o andrógino me revisitou e saciou o corpo que eu julgava adormecido.
Parte 1 - Eu perante uma mulher que me inicia nos mistérios de Safo. Lençóis brancos. Cama desfeita. Moça feia, de nariz largo e pele excessivamente nívea. Uns seios firmes, bonitos, apelativos. Convida-me ao exercício do cunnilingus. Sinto repulsa. Retraio-me. Não quero. Insiste. Avanço renitente. Despe-se. Recuo. Horrorizo-me com a sua nudez. Perto dela, A Origem do Mundo de Courbet estaria desprovida das pilosidades mínimas que compõem o bom-gosto.
Parte 2 - Por artes masturbatórias, a retracção da cabeleira torna-se proporcional ao crescimento abissal do clitóris que, agora sim, é um membro inegavelmente másculo e generosamente erecto a que, voraz, a minha boca avança em exímias sumptuosidades.
Parte 3 - Pacote completo com cascatas de orgasmos até à explosão final: oral, de frente, por trás, debaixo, por cima, anal... Creio que até nasal...

Acordei exausta.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Já chegou!

O gentil paladino do sorriso rasgado e dos braços bonitos regressa aos meus Algarves depois dos longos quinze dias em que se demorou na outra ponta do país. Foram ondinhas, caracolinhos e beijinhos muitos que diariamente viajaram entre os nossos telemóveis. Palavras bonitas que iludem o vazio que se sente quando se gosta. Doce. Meigo. Uma ternura. Este meu amigo, também ele do norte, companheiro de pedaladas, camarada de copofonia, sócio de ritmos nocturnos, cúmplice de pormenores literário-linguísticos, deixou umas saudades marafadas.

(Na Quarta-feira cumprimos o ritual do almoço na Serra. Não vejo a hora.)

sábado, 2 de janeiro de 2010

Parabéns, Toni

Hoje é o dia de um menino que vive aninhado no meu coração.
Apresentou-mo o Francisco e foi com cerimónia que a mim dirigiu as primeiras palavras. Achei piada à voz e à pronúncia catita das gentes boas do Oeste. Em Maio, Óbidos voltou a acolher as Jornadas de Cultura Espírita na sua 6ª edição. Ali o conheci. Simples. Simpático. Solícito. Prestável. Gentil. Doce. Calmo. Atento. Persistente. Discreto. Assim é o meu amigo Toni por quem me senti rendida desde o primeiro instante. E porque, membro da organização, se desdobrava em correrias intermináveis, restou-me conhecê-lo na cumplicidade dos olhares que com ele fui trocando e aqui tecer algumas considerações a respeito das minhas primeiras impressões. Depois, fui agraciada com a sua presença no VII Congresso Nacional de Espiritismo. Viseu nunca mais sairá da minha história de vida. Eu estava muito contente por saber que ele estaria por ali e mais contente fiquei quando, nos permeios das conferências e do grupo de amigos, me consegui infiltrar, um bocadinho, no seu espaço e no seu tempo.
Ao Toni adivinho aquela grandiosidade de carácter que nos faz admirar uma pessoa. É um homem recto. Sóbrio. Sereno. Sorridente. Divertido. Graceja e faz-me rir. É um homem bom. Solidário. Organizado. Metódico. Contemplativo. Ponderativo. Aplicado. Trabalhador. Estudioso. Às vezes um pouco demasiado arrumado.
Depois, tem as suas loucuras com que presenteia apenas alguns privilegiados. Tenho tido a sorte de ter vindo a pertencer a esse grupo.
Gosta de música, não gosta de dançar. Gosta de ler, não gosta de escrever. Gosta de falar e sabe silenciar para ouvir. Gosta de andar. Gosta do mar. E sonha muito. Ainda mais do que eu. Um dia encontrei-o em Júpiter (era Júpiter, Toni?), mas ele trabalhava em equipa, nem pestanejou com a minha presença e abalou com um adeus apressado antes de se lançar em voo de luz.
O Toni é também muito bonito. Gosto-lhe dos olhos, de como olha e também de como e por que sorri. E da forma como nos segura e nos beija ao nos cumprimentar. É o nosso Toni Granger, Mr. Beautiful, de quem eu gosto tanto muito e imenso.
Este meu amigo está eternamente cativo na roda dos meus afectos. Chama-me de Denise Denise por causa da canção do Randy & The Rainbows. Chamo-o de Toni Toni porque, como hoje, assim lhe canto aos segundos 40 e 41:



(«Tonight» - West Side Story - 1961)